DOCUMENTÁRIO | THE SOCIAL DILEMMA

01/10/2020

Bem, se há documentário que tem sido falado nos últimos tempos é mesmo este. E um documentário sobre redes sociais é sempre interessante de ver, apesar de o seu conteúdo não ser totalmente uma novidade para a maioria de todos nós.

O documentário foca-se essencialmente em entrevistas com ex funcionários e dirigentes das maiores redes sociais que existem como o Facebook, o Twitter, a Google, o Pinterest, que em algum momento das suas carreiras se sentiram encurralados com a ética do trabalho que estavam a desenvolver, pelo menos é isso que aparentam e falam. Ao longo do documentário eles vão explicando a crescente propagação das redes sociais e a questão do algoritmo na ajuda a esse crescimento. Mas também é abordado todo o lado psicológico que as redes transtornam na vida das pessoas e aquilo que está a afectar as gerações mais jovens. 

O documentário, vai sendo intercalado com entrevistas e com uma espécie de filme que acompanha uma família viciada em redes sociais que nos vai mostrando a forma como vai afectando cada um deles, quer seja pelo vício, pelo bullying, pelas fake news. Mais do que completar o documentário é talvez um bom espelho do que acontece com muitos de nós.

Mas se eu falar a sério sobre o documentário tenho que vos confessar que aquilo que foi nele mencionado não é grande novidade para mim. Talvez por eu ter tido acesso às redes sociais de uma forma gradual a partir do meu secundário, quando já era bem adolescente, que as mesmas nunca foram o meu ponto alto de socialização. Acredito que para gerações onde já nascem nas redes sociais a interacção que têm uns com os outros possa ser totalmente diferente. Imaginem alguém que gere a sua imagem mediante os likes que tem numa rede social com o oposto de alguém que descobre uma rede social e que a usa para partilhar quotes como eu fazia muitas vezes no início do facebook. Por isso a questão das redes sociais começou há muito pouco tempo. Começou também quando as próprias redes sociais começaram a perceber que as mesmas poderiam ser muito rentáveis mediante a captação de atenção que as mesmas têm por parte das pessoas. E é isso que elas tentam a todo custo captar de nós, a nossa máxima atenção. 

Claro que a ideia das redes sociais era fantástica e maravilhosa, mas tem o seu revés da moeda. O ódio, o bullying, as fake news, o que tudo isto provoca a nível de saúde mental. Os crimes que são cometidos através das redes sociais. São todo um novo mundo que ninguém estava à espera que assim se tornasse. Todos os que participam no documentário dizem isso mesmo. Não foi com esta intenção que as mesmas foram criadas. O problema é que as mesmas também não estão a fazer nada para as melhorar e para ajudar os ordenamentos jurídicos de cada país a combater muito do que por lá se passa. A saúde mental de cada um é um problema muito pessoal, mas a forma como as redes sociais estão pensadas e nos dias de hoje programadas não ajudam à melhoria nesse sentido. Os jovens vão continuar a medir a sua beleza pela quantidade de likes que têm. As relações de amizade e amorosas vão continuar a acontecer muito mais através de um ecrã do que ao vivo. As pessoas vão continuar a dar as suas opiniões, boas ou más com perfis falsos e sem qualquer tipo de condenação. O caminho das redes sociais ainda é longo e nós aceitamos estar cá. Por isso mais do que apontar só o dedo temos de todos os dias ajudar a tornar esta terra de ninguém um lugar mais bonito de se viver.

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