OH HEY IT'S A CLASSIC | GONE WITH THE WIND

11/09/2020

Hoje falo-vos do filme que vi no mês de Agosto para a rubrica do "Oh Hey it's a Classic", que foi um filme do qual eu gostei muito e que me surpreendeu apesar da sua longa duração. Falo-vos do filme "E tudo o vento levou".

"Scarlett O'Hara é uma jovem mimada que consegue tudo o que quer. No entanto, algo falta na sua vida: o amor de Ashley Wilkes, um nobre sulista que se deve casar com a sua prima Melanie. Tudo muda quando a Guerra Civil americana explode e Scarlett precisa lutar para sobreviver e manter a fazenda da família."
 
Desde que me lembro que sempre ouvi falar desta história como um clássico. Quer fosse em livro ou em filme. Sempre tive na ideia de que um dia o iria ver, e finalmente esse dia chegou. Mas quando o comecei a ver fiquei um pouco chocada e até desanimada quando vi a duração do filme. 3 horas e qualquer coisa foi quanto demorei a ver este filme, mas não se assustem como eu fiquei, digo-vos que vale muito a pena ser visto. O filme tem lugar no sul dos Estados Unidos numa altura em que a Guerra Civil está prestes a eclodir. Temos como protagonista Scarlett, uma jovem mimada que é apaixonada por Ashley, mas que não vê essa sua paixão correspondida. Isso vai moldar a sua vida até ao fim, independentemente dos casamentos que venha a ter e até do amor que vai desenvolver por Rhett, um homem bem vivido e que não tem qualquer pudor em mostrar isso mesmo. Scarlett vai ser a personagem que mais vai viver e crescer ao longo da história, que mais vai ser afectada pela guerra e que mais vai mostrar a sua garra ao lutar por aquilo que vai perceber ser um dos seus maiores bens a terra. Nesta história ela vive de tudo, desde o maior luxo e as maiores histórias, à pobreza, à maior dor e também ao maior recomeço de vida. Foi talvez até aos dias de hoje das personagens que mais me irritou, mas também aquela que mais compreendi. São personagens destas, que são levadas tão ao extremo que mexem com o espectador e que o fazem sentir algo pela história. 

A grande polémica deste filme reside no tema escravidão, nomeadamente o recurso a empregados de cor. Que à época era de uso comum e por isso espectável que os mesmos fizessem parte da história. Ao longo de todo o filme confesso que achei um pouco estranha a forma como os mesmos foram retratados, quase como se fossem de família, pessoas importantes mas que não deixavam de ser escravos e de estar resignados à sua condição. Foi o jeito que usaram na altura para de uma forma mais hipócrita retratar a questão, tornando o filme mais amigável do ponto de vista do espectador. Tema este que levou a uma recente polémica com a HBO, que decidiu retirar este filme do seu catálogo, por altura dos protestos do "Black Lives Matter". Rapidamente o filme voltou ao catálogo, uma vez que não fazia qualquer sentido o mesmo ser retirado, uma vez que isso é apensas abafar o que era uma realidade na época. Algo que não devemos esconder nem esquecer, mas sim lembrar para não repetir. 
 
O que mais gostei neste filme foi sem sombra de dúvidas as suas partes técnicas, a realização, a fotografia, a banda sonora, a cenografia e o guarda-roupa. Produções como esta provavelmente já não se fazem e para mim é um dos melhores clássicos que vi nestes quesitos. A fotografia é algo brilhante do início ao fim, tanto que muitas das imagens se tornam icónicas, e o tratamento da cor é brilhante. A banda sonora que acompanha o filme é bonita e impactante e torna o filme tão mais bonito e agradável. E claro o guarda-roupa que é fantástico e tão rico em todos os seus personagens.
 
Nunca senti ao longo do filme que o mesmo fosse chato, apesar da sua longa duração. Não o vi de uma assentada, mas gostei bastante desta experiência cinematográfica. Acho que numa tela de cinema o filme terá outro brilho e talvez será um filme que vá rever num outro momento da minha vida. Acho que vale muito a pena ver, não só do ponto de vista da produção do filme, como do seu enquadramento histórico. Recomendo muito.

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