CINEMA | AMERICAN FACTORY

03/02/2020

Este documentário já me andava a despertar curiosidade desde o ano passado e de alguma forma eu sabia que o ia ver. Mas a sua nomeação aos oscars fez-me acelarar a sua visualização e não sair nada despapontada.

"Na cidade de Ohio, durante um grande momento pós-industrial, um chinês bilionário se aproveita de um terreno abandonado da General Motors para para criar a própria empresa no local, com a intenção de realizar uma grande mudança no cenário norte-americano. Com a contratação de mais de dois mil trabalhadores para as construções, as perspectivas para Ohio se amplificam."

Quando pensamos em trabalho e no seu futuro este é talvez o momento para parar e pensar que o trabalho como o conhecemos pode ter os dias contados. E neste filme nós vemos todos esses questionamentos a serem colocado à prova. Quando uma fábrica chinesa acaba por investir nos EUA e abrir lá uma fábrica de produção de vidros para carros nada mais vai ser o mesmo. Juntos trabalhadores norte-americanos e chineses vão ter que conviver para obter o maior lucro. Duas culturas bem diferentes vão colidir. E juntos vão perceber que o trabalho é um conceito muito diferente de cultura para cultura, que o trabalho nem sempre significa o mesmo para todos nós. Mas que é uma das partes mais importantes da nossa vida. Logo, quando a fábrica se instala todos percebem que é uma coisa muito boa mas que não será fácil para todos manter um controlo entre leis e hábitos de trabalho norte americanos com a rapidez dos chineses. 

Quando a fábrica não consegue obter lucro a empresa leva alguns dos seus trabalhadores norte americanos numa viagem à China para lá aprenderem como por lá trabalham os seus colegas chineses e logo aí percebem uma enorme diferença cultural. Por um lado temos os americanos a trabalharem 08 horas por dia e a terem o fim-de-semana para descanso, por outro temos os chineses que trabalham 12 horas por dia e apenas têm o domingo para folgar. Por um lado temos os americanos a trabalharem perto de suas casas e das suas famílias, por outro lado temos os chineses que estão longe das suas famílias e que muitas vezes apenas as vêm de muitos em muitos meses. Os chineses trabalham por respeito e obrigação, trabalham com afinco, sem falarem para ninguém e aceitam as piores condições de trabalho porque a cultura deles os obriga a aceitar e a agradecer o terem algum trabalho. Por outro lado temos a cultura ocidental em que já olhamos para o trabalho como um meio de chegarmos a algum rendimento mas também como forma de exercermos uma profissão. Olhamos para o trabalho pela perspectiva das leis da segurança tentando que ele seja para além de lucrativo, seguro e prazeroso para o trabalhador. Neste filme conseguimos perceber que no mundo não são apenas as culturas que são diferentes a forma de trabalho e a forma como as pessoas olham e trabalham são muito diferentes.

É definitivamente um filme que aconselho.

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