CINEMA | MARRIAGE STORY, BOOKSMART, CAPERNAUM

23/01/2020

Hoje é dia de mais opiniões de cinema. Desta vez em dose tripla. São filmes muito diferentes que vos trago hoje, mas todos são muito recomendados por mim. 

"Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein), melhores amigas e grandes marronas, achavam que se dedicassem todo o seu tempo aos estudos obteriam uma enorme vantagem sobre os colegas baldas e brincalhões. Contudo, na véspera do último dia de aulas, Amy e Molly acordam para a realidade e percebem que ficaram a perder por passarem ao lado de toda a diversão. Determinadas a compensar o tempo perdido, decidem encaixar quatro anos de diversão numa única noite épica de mau comportamento – uma aventura caótica para a qual nenhum estudo as preparou."

O ano passado toda a gente ligada ao mundo do cinema estava a falar muito bem deste filme. Claro que fiquei muito curiosa com ele e claro que também eu o tinha que ver. Acho que o filme é bem mais relacionável com a maioria da população do que à partida pode parecer, e eu pelo menos consegui relacionar-me muito com ele. Duas miúdas que sempre se dedicaram aos estudos e deixaram a sua vida social de lado descobrem que todas os seus colegas que nunca abdicaram da sua vida social também conseguiram grandes feitos académicos, o que deixa esta dupla de amigas abalada. Decidem por isso no último dia de aulas aproveitar aquilo que nunca aproveitaram e vão-se divertir. O filme fala sobre amizade, sobre oportunidades, sobre escolhas, sobre amor. É um filme bem divertido que vos vai fazer com certeza arrancar umas boas gargalhadas. As duas actrizes principais têm óptimas interpretações o que torna o filme muito bom e são sem dúvida a alma deste filme. Divertidas, bem geeks, mas com imenso sentimento. É um filme sobre adolescência mas que mais uma vez é um óptimo filme para todos nós vermos. 


"Uma história repleta de significado politico, protagonizada por atores não profissionais. Zain, uma criança libanesa de 12 anos que luta para sobreviver nas ruas de Beirute, coloca os pais em tribunal por o terem trazido ao mundo."

Este era um filme que desde que foi nomeado aos Oscars de 2019 eu queria muito ver. Estava difícil, mas no final do ano passado lá o consegui ver. É um filme com uma premissa que à partida nos deixa muito perplexos. Um filho que está a processar os pais pelo facto de ter nascido, pelo menos é assim que o filme começa. Mas é também aí que vamos viajar numa retrospectiva pela vida de Zain e as razões que o levaram a tomar tal decisão. Este é um filme duro que retrata possivelmente a vida de muitas crianças e emigrantes que vivem por esse mundo fora e que infelizmente não têm a sorte de nascer numa nação com acesso às coisas mais básicas como a educação ou a saúde. Vivemos num mundo privilegiado onde a saúde e a educação são tendencialmente gratuitas e onde as pessoas com mais dificuldades têm total acesso às mesmas. Agora imaginem viver num país onde uma criança nascida numa família numerosa se vê obrigado a sair de casa para ir procurar alimento e para sair de uma casa tóxica, mas mesmo tóxica, e a ter de viver as coisas mais difíceis sendo apenas uma criança. A crueldade maior do filme é também o facto de o filme ser feito com recurso a pessoas que não são actores e que por isso conseguiram empregar uma maior realidade a todo o filme. Apesar de longo, e de retratar uma realidade tão dura é um filme que eu recomendo.


"Um encenador e a sua mulher, atriz, lutam através de um doloroso processo de divórcio que os leva ao limite, tanto a nível pessoal como criativo."

Gosto de filmes simples, que conseguem através de uma premissa aparentemente simples mostrar uma história maior. Este é um desses filmes. Aparentemente fala sobre divórcio e sobre um casal nesse processo. A ideia é simples, um casal decide que a sua vida já não faz mais sentido juntos e decidem separar-se. segue-se o divórcio e tudo o que isso implica e por fim a separação. Mas este filme demonstra mais. Demonstra que por mais que um casal se continue a amar nem sempre estar casado ou junto é o melhor para ambos. Que os processos de divórcio são sempre difíceis mesmo que ambos estejam de comum acordo. E que quando existem crianças pelo meios elas irão sempre sofrer. Este filme é sobre tudo isto e também sobre o amor. Este filme é sobre a sua simplicidade de realização, de cores, de cenários. Mas também é sobre a grandiosidade do texto e das extraordinárias interpretações que dão ao filme toda a sustentação que ele precisa. Há uma cena que nunca vou esquecer neste filme, e não é a do atacador, é outra mais intensa e que me demonstrou mais que o amor quando é amor existe para sempre. Um filme que não devem perder.


 E vocês? Já viram algum destes filmes?



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