CINEMA | JOKER

07/12/2019

Se houve filme que este ano teve sucesso nas salas de cinema foi sem sombra de dúvidas o Joker. Não sou fã de filmes de super heróis mas desde que soube que este filme ia ser lançado que fiquei muito curiosa e desejosa de o ver. E digo-vos, é com certeza uma dos meus filmes do ano.

Arthur Fleck é um homem doente mental que habita com a sua mãe em Gotham City, uma espécie de Nova Iorque mas mais escura e suja. Aqui ele vive e trabalha como palhaço. Mas de repente pequenas coisas começam a mudar e Arthur começa a ter uma outra perspectiva da vida e daquilo que ele vai aprendendo dela. É aí que a história muda e começa a ficar bem negra.

Não conhecia a história do Joker, nunca vi o Batman e por isso a ideia que tinha desta personagem era de alguém louco e pervertido. Quando escolheram o Joaquim Phoenix para o interpretar eu fiquei logo muito curiosa porque gosto dele enquanto actor e por isso fiquei curiosa com a forma como ele o iria interpretar. Quando o filme começou o mesmo chamou-me logo à atenção pela imagem, fotografia, banda sonora. De repente estava a ver um filme com uma personagem louca mas com uma história dramática por trás, dura e sensível ao mesmo tempo. A viver numa sociedade suja, sem recursos para tratar a doença mental, sem paciência para pessoas como ele e no fundo uma grande alusao aos dias de hoje. Nessa sociedade ele vai tentando viver segundo as suas regras, mas quando as mesmas são demasiadas e demasiadamente hipócritas ele próprio começa a mudar, a quebrar muitas delas e a viver segundo as suas regras.

Arthur tem um pouco de cada um de nós. Aliás, o próprio Joaquim Phoenix disse que queria interpretar uma personagem com várias doenças mentais para que nenhum médico o pudesse diagnosticar apenas com uma doença. E se pensarmos bem cada um de nós lida ou já lidou com uma doença mental, quanto mais não seja, o stress do dia-a-dia. Todos nós temos um quê de loucos dentro de nós e todos nós já por diversas vezes pensamos em cometer alguma loucura em favor da nossa sanidade mental. Ver isso espelhado num ecrã de cinema não é fácil, não é compreensível por todos e torna um filme de super heróis bem mais do que apenas um filme de acção.

Quando me sentei naquela cadeira de cinema e durante o tempo do filme foram diversos os momentos em que me senti mal pelo filme que estava a ver. Não no sentido de não estar a gostar do mesmo, mas porque ele mexe com muito mais coisas do que eu estava à espera. De repente senti-me conectada demais com o filme e outras vezes senti repulsa. Sentimentos antagónicos que tornam o filme bem mais real e bem mais duro do que à partida todos estaríamos à espera. Acredito que mais de metade do público que foi ver este filme não o vai perceber, não vai entender toda a extensão do mesmo e vai pensar que o filme poderia ter tido muito mais acção, ou seja, ter sido bem mais de super heróis, quando o mesmo é tão mas tão profundo. Eu própria quero muito voltar a ver este filme, em casa com mais calma, por que sinto que também eu não percebi todo o alcance e profundidade que o mesmo tem.

O filme é só incrível em termos técnicos, desde a brilhante interpretação do Joaquim Phoenix até ao guarda-roupa, à maquilhagem, à fotografia, à banda sonora, tudo torna este filme especial, diferente e que merece bem o hype que teve.

Um filme que sem sombra de dúvidas recomendo.

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  1. Sem dúvida o meu filme preferido do ano, e um para o qual eu nem tinha muitas expectativas! Às vezes é bom ter estas surpresas :) Vou comprar o DVD assim que sair!

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    1. Não foi o favorito do ano, mas um dos favoritos.
      Também quero muito ter em DVD..

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