TV SHOW | I LOVE YOU, NOW DIE

29/10/2019

Lembro-me bem quando o caso retratado neste documentário passou nas notícias. Lembro-me de ficar chocada com toda esta história e de, tal como todas as outras, ela ter passado e ter ficado no esquecimento. Mas ela tornou-se um documentário da HBO de 2 episódios, que vale muito a pena ver e acima de tudo passa uma grande lição para o espectador.

Michelle Carter conheceu Conrad Roy num verão quando ela estava de visita à sua cidade. Depois de saírem algumas vezes juntos troacaram números de telemóvel e acabaram a tornar-se amigos virtuais e posteriormente namorados. O namoro era algo muito sério e obsessivo por parte da Michelle, que depois foi confirmado pelos colegas de escola era uma rapariga que não tinha muitos amigos e que vivia obcecada por estar rodeada de pessoas. O namoro com Conrad vai avançando até ao dia em que ele lhe diz que se vai suicidar. No dia 13 de Julho de 2014 Conrad leva a cabo o seu suicídio e é quando a policia começa a investigar que percebe que a Michelle poderá estar mais envolvida do que seria de esperar quando encontram todo o historial de mensagens e percebem toda a relação tóxica que ambos mantinham. 

Michelle foi rapidamente acusada de homicídio e levada a julgamento contra aquilo que seria de esperar até pelos seus advogados uma vez que Michelle nunca esteve presente fisicamente no momento em que o Conrad acabou com a sua vida. Mas aquilo que a sociedade se esquece é que cada vez mais nós humanos estamos presentes na vida uns dos outros através de um aparelho chamado telemóvel. Durante todo o momento em que o Conrad pensou, planeou e executou a sua ideia de suicídio ela esteve presente, quer fosse a dar ideia, quer fosse a incentivá-lo a não desistir de prosseguir com a sua ideia. A adicionar a tudo isto ambos sofriam de depressão profunda e ambos estavam desprotegidos daquilo que é a protecção parental. 

Condena-la por homícidio qualificado seria um exagero porque efectivamente ela não fez nada, mas condena-la por homicídio negligente com uma pena de alguns meses de prisão é um passo importante para que a legislação e os juristas comecem a perceber que o mundo está a mudar, que os artificios que as pessoas utilizam para alcançar determinado objectivo está a mudar e que sim a Michelle esteve presente durante todo o processo de suicidio do Conor e que sabendo quando o mesmo estava a acontecer poderia ter ligado para a alguém a pedir ajuda e simplesmente não o fez. 

O documentário acaba por não nos trazer muitas respostas porque a Michelle decidiu não falar para o mesmo, mas acredito que é um marco importante para que as coisas comecem a mudar.

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