CINEMA | GREEN BOOK

03/10/2019

Este filme já estreou em Portugal no início deste ano. Esteve até nomeado aos Oscars de 2019 e na sua grande categoria, nomeado a melhor filme. Como seria de esperar estava curiosa com ele e acabei por ver logo na altura e não queria deixar que ele não tivesse, aqui no meu cantinho, toda a minha opinião sobre ele. Porque ele pertence aos meus filmes favoritos do ano e porque simplesmente merece.

Em 1962, Tony Lip é contratado para ser o motorista do músico Don Shirley durante uma digressão ao Sul dos Estados Unidos, numa era em que os descendentes de africanos eram obrigados a usar alojamentos e serviços alternativos, por via das leis de segregação racial em vigor abaixo da linha Mason-Dixon.
Estamos em 1962 e Tony é um membro de uma família italiana a morar em Nova Yorque. Ali ele faz vários trabalhos incluindo o de ser porteiro numa espécie de casino/bar. Só que quando esse estabelecimento entra em obras ele perde o trabalho e vê-se sem sustento para a sua família. É aí que surge uma oportunidade de trabalho como motorista de um músico durante a sua tour pelo sul dos Estados Unidos. Só que o que ele não estava à espera era de que o músico fosse negro, rico e muito talentoso. A muito custo ele aceita e ambos partem na aventura das suas vidas. E que aventura. Estamos a falar dos anos 60 na América, onde o racismo ainda operava fortemente em alguns estados, principalmente no sul do país onde a tour ia decorrer. E apesar de para mim esse não ser o tema principal do filme é o mais importante e basilar do mesmo. De ambos os protagonistas vemos que o preconceito é mútuo, e se ao longo do filme percebemos que ambos se vão começando a compreender e a aceitar, vemos também que o mesmo nem sempre acontece com as populações que vão encontrando. As regras ao longo das cidades que percorrem são rígidas e muito injustas e levam o espectador a pensar sobre elas tal como põe os protagonistas e discutir sobre as mesmas. 

O foco principal do filme acaba por ser a amizade imponderável que acaba por acontecer entre os protagonistas, que ao longo do filme começam a perceber que têm mais em comum do que à partida imaginavam e que gostar um do outro tem mais a ver com o interior do que com  exterior. O filme acaba por ser um crescendo e é tão bonito ver como ambos começam a deixar as suas barreiras caírem e tornarem-se cada vez mais amigos e companheiros de jornada e de luta pela igualdade entre todos. De repente era estranho ver um branco a conduzir um preto. De repente era estranho ver um preto mais talentoso do que um branco. Mas isso eram apenas pormenores que eles acabaram por perceber que não faziam diferença nenhuma e que aquilo que mais os aproximava era a amizade e o respeito que começaram a sentir um pelo outro.

É um filme muito bonito visualmente e engraçado como um filme quase todo ele passado dentro de um carro não deixa de ser interessante. O filme também aborda a parte mais musical da época e das grandes diferenças entre os vários estados do país com a parte mais clássica ou o jazz. As interpretações estão fantásticas e dão ao filme uma profundidade que nos faz acreditar que esta história aconteceu mesmo e que na altura quebrou todas as barreiras. Porque no fundo o cinema também deve ser isto a recriação das histórias e das pessoas mais simples. Um filme que recomendo muito.

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