TV SHOWS | UNORTHODOX

17/09/2020

Confesso que quando esta série estreou eu não me senti muito tentada a vê-la. Mas rapidamente as pessoas à minha volta me começaram a falar dela e lá me conseguiram convencer a dar-lhe uma oportunidade, e claro que eu adorei e hoje falo-vos um bocadinho dela.

"Unorthodox" conta-nos a história da Esther uma jovem judia que vive na comunidade hassídica Judaica de Williamsburg em Nova Iorque. Ela com apenas 19 anos e prometida a um jovem, casa e começa uma nova vida naquela comunidade. Mas ela nunca se sentiu daquela comunidade, ela queria mais, e passados uns meses do seu casamento ela decide fugir para a Alemanha e ir à procura do seu verdadeiro eu.

A série é baseada na história da Deborah Feldman, que também participa na produção da série, e tal como nos é contado na série um dia decidiu fugir daquela comunidade e ir em busca da sua felicidade. Eu quando comecei a ver esta série confesso que não sabia nada sobre esta comunidade, sabia que existiam assim umas comunidades mais radicais, mas não tinha conhecimento desta em específico. E a série faz um bom trabalho para nos mostrar aos poucos como ela é. Através de flashbacks a série mostra-nos como foi para Esther crescer nesta comunidade, que história ela tem, que tradições e rituais eles ainda perpetuam, quais são os valores deles e acima de tudo aquilo que ela representa para quem nasce nela. Mas também através destas viagens no tempo ficamos a perceber como está a ser para ela conhecer o mundo fora daquela comunidade, quando ela desembarca na Alemanha. 

Como eu não sabia nada deste mundo dei por mim a pesquisar ao longo da série o que era esta comunidade. Então basicamente depois da Segunda Guerra Mundial uma pequena parte da comunidade judaica acreditava que os judeus tinham sido quase completamente dizimados e por isso decidiram criar esta comunidade baseada no ideal da procriação para o repovoamento da comunidade judaica. Para isso assentam a sua criação e educação na leitura do seu livro bíblico, no pilar do homem na família, dos muitos filhos, do pouco estudo e também dos poucos acessos ao mundo exterior como a televisão, os telemóveis ou a internet. Apesar de viveram numa das maiores metrópoles do mundo numa comunidade sem qualquer portão que os prenda lá dentro. Por isso quando eu começo a ver esta série e a perceber o quanto uma religião pode moldar os horizontes de uma pessoa confesso-me que fiquei um pouco chocada e triste com as pessoas que "parece" que não conhecem melhor do que aquilo. Por vezes quando conhecemos religiões tão extremistas pensamos em locais isolados e até fechados, mas este está aberto, eles passeiam pelas ruas de Nova Iorque. Mas as suas estruturas religiosas e os seus líderes são tão fortes e imponentes que mesmo que fujam a fuga nunca é fácil. E esta, mostrada nesta série, é até algo soft e esperançosa, mas pelos relatos que li a realidade é bem mais dura e perigosa.

Eu gostei muito desta série. Não só pelo tema maior que abordam o da comunidade e o da própria personagem, mas pelos pequenos temas que trazem como o tema do vaginismo, da homosexualidade ou todos aquelas gritantes que se vivem na comunidade. É uma série muito bonita tanto em termos de realização como de fotografia. Mas confesso que aquilo que mais me encantou foi a recriação da própria comunidade. Para quem viu um vídeo da netflix dos bastidores da série viu que os produtores da mesma foram até à comunidade fazer algum trabalho de campo e conseguiram recriar os prédios deles, as roupas, os cabelos, os fatos dos homens, os shtreimel, os chapéus que os homens usam, culminando claro na recriação do casamento da Esther que para mim é um dos pontos altos da série em termos de recriação. Não só porque é completamente diferente do que estamos habituados a ver como é de uma beleza de imagem muito interessante. Outro aspecto interessante que a série tem é o facto de ter actores judaicos e mesmo alguns que fugiram de comunidades como a retratada na série. E também claro o facto de a série ser na maioria falada em iídiche a língua dos judeus ortodoxos, o que dá à série ainda maior qualidade cultural.

É uma série que eu recomendo muito pelo todo que ela é, e pela chama de esperança que trás. Vale muito a pena.



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