CINEMA | MULAN

21/09/2020

O filme de animação Mulan é um dos meus filmes favoritos da Disney. E por isso eu estava muito curiosa para ver esta nova adaptação live action. Depois de meses à espera porque uma pandemia decidiu meter-se no caminho da estreia deste filme, finalmente a Disney decidiu lançar no seu novo serviço de streaming e nós pudemos vê-lo. E adorei, e hoje partilho com vocês toda a minha opinião.

A história da Mulan já é por todos conhecida. Na China na época da dinastia Wei do Norte o país é invadido pelos Hunos, uma força negra e implacável que obriga o imperador a criar um novo exército e a recrutar um homem por cada família da China. A família de Mulan é apenas constituída pelo pai e pela mãe e pela sua irmã, e é quando os guardas reais chegam à sua aldeia com esta notícia que o seu pai já muito debilitado se voluntaria uma vez que é o único homem da família. Só que a Mulan não se conforma e acaba durante a noite por pegar na armadura do pai e juntar-se ela ao exército disfarçada de homem. Mas Mulan é uma grande guerreira e por isso vai surpreender todos ao ajudar a derrotar a força dos Hunos. 

Como grande fã do filme de animação confesso que estava muito entusiasmada com este filme mas também muito preocupada e com medo de não gostar. Mas não foi nada disso que aconteceu, eu adorei o filme. O mesmo está bastante fiel ao original de animação, tirando umas coisinhas das quais já irei falar mais à frente. O filme retrata uma China ainda muito tradicional, e gostei bastante de ver no início do filme uma Mulan muito trapalhona mas já bem ciente dos poderes que tem. Gostei também muito de ver a parte em que elas visitam a casamenteira e toda essa preparação que para a Mulan é tão stressante mas ao mesmo tempo muito importante para o seu processo de auto-descoberta. Aqui foi o primeiro momento em que senti falta de o filme ser um musical. A música "Reflections" é uma das mais bonitas e importantes da história e cantada no momento inicial do filme é também ela importante. A música é de tal forma importante que é também neste live action sempre a banda sonora quando passam imagens da Mulan quer em momentos mais tristes quer em momentos mais impactantes e de mais força. A dúvida de quem é esta Mulan é sempre aquilo que rege este filme, será a mulher delicada e de família que todos esperam ou a mulher guerreira que é capaz de superar todos os obstáculos no campo de batalha.

O filme live action pareceu-me sempre muito mais sóbrio do que a sua versão animada. Talvez por se passar na China e abordar toda essa época dos imperadores quiseram dar ao filme um tom mais sóbrio e duro, que eu gostei bastante. Acho que não se afasta totalmente da sua versão original ao mesmo tempo que sim e que se torna algo mais sério, mais adulto, mais relacionável com qualquer pessoa e não só com o público alvo das crianças. Posso dizer que a única coisa que não gostei de todo no filme, apesar de perceber a sua simbologia do feminino, foi a "bruxa" que aparece a ajudar os Hunos que serve para ajudar no fundo a Mulan a perceber o seu valor e que apesar de mulher ela também poderia ser parte do exército. Mas acabei sempre por a sentir deslocada e sem direcção neste filme, talvez por não ter qualquer relação com o original. Ao filme acabou por me fazer falta talvez só o Mushu o dragão que acompanha a Mulan e que é o enviado dos deuses para a acompanharem. Os deuses são mencionados pelo pai da Mulan, mas aqui quem a acompanha e protege é uma fénix, símbolo da renovação. Também não foi perfeito para mim, mas entendo o seu significado. O filme tem uma fotografia e uma banda sonora fantásticos que foi uma das coisas que mais me arrebatou no filme. Gostei de todas as recreações, desde a aldeia até ao campo de batalha, até ao grupinho meio estranho que acaba por se tornar amigo da Mulan.

A lição de moral do filme acaba por recair no valor moral de família. É isso que Mulan acaba a buscar no filme, a aprovação da família apesar do que fez que na altura seria a sua desonra. Confesso que gostei muito desta parte e acabei mesmo o filme a verter uma pequena lágrima. Mas mais uma vez senti falta da figuram da avó que está presente no filme de animação e que aqui acho que também teria feito sentido.

Mas há críticas às quais o filme não se consegue escapar. Quando o filme foi anunciado o maior problema que lhe apontavam era quanto ao romance. Muito se tem dito sobre o filme de animação e como o mesmo aborda mesmo sem o querer, digo eu, a homossexualidade, uma vez que o Shang se apaixona pela Mulan quando ela ainda se apresenta como um homem. Neste filme gostei que tivessem mantido o interesse amoroso ao longo de todo o filme, mesmo que o tivessem relegado para o tema menos importante da trama. Manteve-se um bocadinho fiel ao original, mas não lhe deu tanta importância. Outras críticas que tenho lido nos últimos dias ao filme prendem-se com questões políticas da produção e da localização onde ocorreram as filmagens do mesmo. Ocorreram em Xinjiang, um local que pertencia a uma minoria muçulmana Ugur e que recentemente após conflitos foi convertida, e também porque parte do elenco deu o seu apoio positivamente o governo nestas politicas. Foram factos que me entristeceram e que apesar de não me fazer desgostar do filme me faz sentir triste por sentir que a produção do filme poderia ter feito a diferença e não o fez.

 É um filme que vale a pena ver e que recomendo muito, não só para quem já é fã da versão animada como também para quem nunca viu e quer ver uma versão mais adulta e sóbria da história. 

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