OH HEY IT'S A CLASSIC | SINGIN' IN THE RAIN

08/09/2020

Retomo hoje uma rubrica que gosto muito e que quero muito manter aqui no blog. Comprometi-me a na segunda metade do ano de 2020 a ver um clássico por mês e hoje falo-vos do filme que vi durante o mês de Julho e que me surpreendeu muito.

"Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) são dois dos astros mais famosos da época do cinema mudo em Hollywood. Os seus filmes são um verdadeiro sucesso de público e as revistas inclusive apostam num relacionamento mais íntimo entre os dois, o que não existe na realidade. Mas uma novidade no mundo do cinema chega para mudar totalmente a situação de ambos no mundo da fama: o cinema falado, que logo se torna a nova moda entre os espectadores. Decidido a produzir um filme falado com o casal mais famoso do momento, Don e Lina precisam superar as dificuldades do novo método de se fazer cinema, para conseguir manter a fama conquistada."

Este filme é por muitos apontado como um dos filmes mais importantes do mundo do cinema ao mostrar a mudança entre o cinema mudo e o cinema falado ao mesmo tempo que é um musical. Este filme já ecoava na minha cabeça há já algum tempo. Quem não sabe aquela icónica canção "Singing in the rain", que naturalmente nos sai da boca quando está a chover e na nossa felicidade nos apetece cantar e dançar à chuva. Por isso este filme me despertava também muita curiosidade. Foi com grande espanto que fui começando a ver o filme e me deparei com um filme muito divertido, melancólico, romântico e lá está importante para o cinema. O filme retrata uma Hollywood na transição entre os filmes mudos e o cinema falado. Conhecemos no início do filme um actor que acaba por ter grande sucesso no cinema mudo pela sua rapidez e expressividade em interpretar papéis que não tinham qualquer fala. Ao mesmo tempo que contracena com uma actriz que é tudo menos isso, valendo-lhe o cinema não ter som para disfarçar a sua má qualidade. É quando o cinema falado começa a surgir que os estúdios de Holywood têm de se modernizar para conseguir agarrar o público e conseguem fazê-lo ao transformar um filme mudo sem graça num musical muito divertido.   

O filme foi bastante elogiado e continua a ser um marco do cinema porque para além de abordar a temática da mudança do cinema mudo para o cinema falado, o mesmo aborda alguns temas polémicos sobre aquilo que se passava nos bastidores destas produções à época. Como disse, a actriz principal não tinha muita qualidade e por isso não serviria enquanto actriz falante. Por isso, a opção que arranjaram foi contratar alguém que no lugar dela dissesse as suas falas e cantasse por ela. Este recurso foi usado inúmeras vezes por actrizes que não tinham boa voz, ou que simplesmente não se queriam esforçar para o papel. O filme aborda também as dificuldades que existiram na mudança do género uma vez que as pessoas e os estúdios, numa fase inicial, não estavam habituadas a falar para microfones, a colocarem a voz, e o mais engraçado e que faz sentido a falarem. Durante o filme é mostrado o Don a ter uma espécie de terapia da fala para que em filme a voz e a forma como ele fala pudesse ser mais nítida e perceptível.  

Dos maiores elogios que este filme teve foi sem sombra de dúvida ao casal romantico deste filme, Gene Kelly que interpretava Don Lockwood e Debbie Reynolds que interpretava Kathy Selden. A sua química em cena era fantástica e proporcionaram ao filme das melhores cenas de dança e canto que o filme tem. Para além claro de todo o romance envolvente. De referir também que esta boa química aparentemente apenas acontecia no grande ecrã, uma vez que rumores existem que o Gene Kelly tinha um feitio muito mau e que muitas vezes colocou em causa o trabalho da Debby. Mas o talento de ambos no fim proporcionou ao filme uma brilhante obra de arte. 

O filme encanta pela história, pelo musical, pela qualidade dos actores, pela fotografia e realização fantásticas que conferiram ao filme uma beleza icónica e que perdura no olhar e claro pelas cenas que ficam na memória, como a cena romântica no estúdio ou a icónica cena da dança à chuva. No fundo é daqueles filmes que quando os vemos nunca mais nos esquecemos deles de tão inspiradores que são, e que demonstram que o cinema sempre foi e sempre será um local de sonhos, de imaginação e de amor à arte. Um filme que recomendo muito e que entrou para o meu top de filmes favoritos da vida.

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