ÚLTIMA DÉCADA EM FILMES | EDIÇÃO FILMES QUE JÁ VI

22/04/2020

Quando escolhi este tema para abordar no #nossodiarioemquarentena decidi fazer uma retrospectiva na década e perceber como é que ela tinha sido para mim em termos de filmes. Pensei em falar-vos dos filmes num modo geral, mas depois percebi que existiam muitos mais filmes que ainda não vi do que aqueles que já vi. Por isso decidi dividir as coisas. Para já falo-vos dos filmes que já vi e que marcaram estes 10 anos não só a mim mas também a industria. Num outro post irei falar dos filmes que ainda não vi, que marcaram a década, e que eu ainda quero ver.

No ano de 2010 surgiam para mim dois dos meus favoritos da vida. "Burlesque" um musical que não sendo perfeito me conquistou pelo glamour e claro pela parte mesmo de musical. Já o vi e revi vezes sem conta e gosto muito. Mas também surgia "How to Train your dragon" uma série de filmes de animação que se tornou uma das minhas favoritas da vida. Desde a sua banda sonora até à sua história de crescimento e de amor, dos dragões à sua parte de Vikings é com certeza uma série que me enche o coração e que recomendo muito. Mas também desse anos posso-vos falar de "Black Swan" um thriller bem negro que nos leva aos confins da mente e aquilo que nos rouba a sanidade quando tentamos ser os melhores e nos focamos demasiado nos nossos objectivos. É um filme marcante pela temática, pelas interpretações e principalmente pelo seu lado visual.

Já o ano de 2012 fica marcado para mim como o ano de começo de duas séries de filmes que foram marcando a década. "The Hunger Games" a adaptação cinematográfica de uma das minhas séries favoritas de livros. Não foi a minha adaptação favorita, mas marcou com certeza uma nova era de livros e filmes em mundos distópicos. Os filmes seguintes valem muita a pena e por isso recomendo muito a série. Já "Rise of the Planet of the Apes" eu não vi em 2012, vim a descobrir a série um pouco mais tarde mas quando a descobri foi amor por esta série que se mantém até hoje. Nunca pensei afeiçoar-me tanto ao Cesar e perceber que a plausibilidade de vivermos um mundo assim não é assim tão distante. Muitas outras séries surgiram no tempo com a temática planeta dos macacos em décadas anteriores, mas esta para mim é a perfeita. 

Filmes bastante diferentes marcaram 2013. "Her" é um filme do futuro onde as relações humanas são levadas a outro nível. Relacionamentos entre humanos e entidades virtuais são a nova moda e a forma como lidamos com eles e com a sociedade à nossa volta mudou radicalmente. Será que esse é o nosso futuro? Gostei bastante dos filme e das interpretações e percebemos também aqui que a década começa a ser pautada por uma pesquisa e previsão de como será o nosso futuro e a quantidade de filmes e até de séries que buscam prever isso cresceu exponencialmente. Por outro lado estreava o filme "Frozen" da Disney que mudou um pouquinho o mundo da animação trazendo-nos uma protagonista duvidosa dos seus poderes, sem pretensão de arranjar marido e que mudou o mundo em relação aos filmes de animação.

2014 foi um ano bem distinto no que concerne aos filmes que vi e que marcaram a minha década. Por um lado estreou um filme que mudou a meu ver os filmes thriller psicológicos que não necessitam de violência para criarem suspense e tensão nas pessoas. "Gone Girl" baseado num livro com mesmo nome voltou a trazer ideias e conceitos que já não costumávamos ver no cinema. Também "Boyhood" apresentou-nos um conceito diferente de contar a história. Um filme gravado ao longo de vários anos apresenta-nos a história com os mesmos actores à medida que eles foram crescendo e que o tempo foi passando por eles. Normalmente e para que os filmes possam sair logo no cinema os estúdios recorrem a diferentes actores que possibilitam a passagem do tempo. Neste a utilização da realidade é a mais valia e o factor diferenciador. Não adorei o filme mas o conceito e a ideia são muito interessantes. O ano é também marcado pelo aparecimento de um dos meus filmes favoritos e pela descoberta de Wes Anderson. "Grand Budapeste Hotel" acho que foi o filme revelador do realizador e que o fez ganhar fãs pelo mundo. A sua técnica não era desconhecida do cinema, o realizador tem vários filmes publicados antes, mas este, para mim, foi sem sombra de dúvidas o ponto de viragem na carreira dele. Por último deste ano, tenho que falar de "Interstellar" um filme de espaço e que aborda um tema diferente e muito interessante a viagem no tempo e no espaço. Não sei se os temas abordados cientificamente o são correctamente abordados, mas é para mim um dos melhores filmes de espaço que já vi.

"The Revenante" foi um filme surpreendente e que marcou o ano e também a vida de Leonardo Dicaprio dando-lhe o seu primeiro Oscar. É definitivamente um filme que marca pela sua qualidade técnica e principalmente de caracterização. Por outro lado este ano é também marcante pela reconhecimento de Yorgos Lanthimos um realizador diferente e que eu conheci através do filme "The Lobster". Conhecido pelos filmes estranhos traz-nos sempre filmes que falam muito das relações interpessoais através de mecanismos que são impensáveis e que nos colocam a questionar. Mais recentemente ele trouxe-nos um filme de época mais comercial, mas que não deixa de ter o seu toque. O meu favorito continua a ser este de 2015.

2016 trouxe para a minha vida filmes bem distintos mas que se tornaram algo favoritos na minha vida. "Moana" é outro filme da Disney que se foca numa princesa sem pretensões de romance e que apela à aventura. Gosto deste lado da Disney, tal como nos começa a trazer através da Pixar filmes mais adultos como "Zootopia" que é multicultural, divertido e cheio de lições da vida adulta. "Moonlight" conquistou-me pelo seu tom melancólico e algo subtil na mensagem que nos quer transmitir. Sem nunca tocar no tema principal do filme mostra-nos tudo e as interpretações são fantásticas. Tal como "The Handmaiden" um filme sul coreano sobre sexualidade, crescimento, costumes e tradições, amor, traição, intriga, vingança. Um filme que passa ao lado de muitas pessoas mas que vale muito a pena. Mas este ano fica também marcado pela chegada de um dos meus filmes favoritos da vida "Captain Fantastic", sobre uma família alternativa que se vê em dificuldades de viver no mundo dito normal, é só fantástico como o cinema Indie nos trás sempre histórias encantadoras através de filmes muito bonitos. Vale muito a pena ver. 

Para mim 2017 vai ser o ano do amor. Escolhi os filmes que mais me marcaram e percebi que todos eles falam de amor. "Call me by your name" vai ficar para sempre como o filme que de uma forma ou de outra chegou ao coração de todos falando de uma relação entre pessoas do mesmo sexo, tema que nem sempre é bem vindo. É realmente um filme bonito, que mais do que falar da descoberta da sexualidade fala de amor, e isso é o mais bonito de se ver e de se transmitir. "Una Mujer Fantástica" aborda o mesmo tema mas agora do amor de um homem por um outro homem transgénero que agora se apresenta como mulher. Como explicar à sociedade e à família que o amor não escolhe forma? É um filme poderoso, muito emocionante e que nos dá uma chapada de luva branca sobre o tema. Amor sem forma é também o tema do filme "The Shape of Water", um filme que fala sobre o amor de uma mulher por um animal aquático que é estranho à partida mas que a sua mensagem ficou a remoer dentro de mim e que eu acabei por compreender e gostar muito do filme. É definitivamente diferente, mas no fundo é uma mensagem de amor. Para além de ser um filme com uma realização e caracterização fantásticos. Por fim tenho de destacar "A Ghost Story" ou como um filme quase sem falas nos consegue transmitir tanto. É um filme peculiar mas que não deixa de nos transmitir amor.

"Roma" veio para mudar um pouco as coisas no mundo cinema. Primeiro por voltar a trazer os filmes a preto e branco, quase sem falas, onde a imagem e a interpretação valem muito. Mas também por ser dos primeiros filmes que estrearam quase apenas numa plataforma de streaming retirando por isso a possibilidade de praticamente o mundo todo o poder ver nas salas de cinema, mas a possibilidade de o poder ver no conforto de casa. É a mudança dos tempos e não deixa de ser engraçada a forma como o mundo está a reagir à mudança. "Cold War" figura na minha lista por ter marcado o ano, e como um filme sobre o amor em tempos de guerra nos pode ainda apaixonar tanto. Por último este ano de 2018 destaco "Bohemian Rhapsody" como o primeiro filme da nova vaga de filmes biográficos sobre músicos. Não ficou um favorito, mas nem por isso perde o mérito de contar a história de Freddie Mercury e dos Queen.

E chegamos a 2019, que por incível que parece achei que não tinha tido tanto impacto em mim. Começo por ressalvar os dois filmes portugueses que figuram nesta lista e que são de um trabalho estrondoso das nossas equipas que cada vez mais se esforçam por trazer filmes fantásticos. "Variações" é o nosso filme musical sobre um cantor que apesar de não ser perfeito é realmente um filme fantástico. Tal como "A Herdade" e as questões do Estado Novo, um filme realmente marcante e imponente dessa altura dando ênfase ao lado mais rural e dos grandes latifundiários dessa época. "Rocketman" é o filme biográfico de Elton John e que ficou um dos meus favoritos do ano passado. O filme é perfeito em contar a história do cantor, é perfeito em termos de musical e é perfeito nas interpretações que nos mostra. Vale realmente a pena. "The Lion King" tinha que figurar nesta retrospectiva porque veio transformar o clássico da Disney em algo ainda mais marcante, e apesar de eu achar que o mesmo iria ser um fail, o filme é fantástico e foi recorde de bilheteiras estando com sala esgotada semanas a fio. "Parasite" também tinha que cá estar porque contra o que a maioria pensava foi um filme que chegou à ribalta e arrebatou inúmeros prémios. Para mim ganha apenas num ponto que foi frisado pelo seu realizador que num dos seus discursos dizia que quando o mundo ultrapassasse a barreira das legendas iria descobrir ainda mais cinema. E eu apesar de não ter adorado filme espero que sirva para que mais filmes do mundo cheguem às salas de cinema e às grandes premiações. Por fim não podia deixar de lado o filme que mudou 2019 "Joker". O vilão mais temido do mundo dos super heróis ganhou com este filme um lado humano e esquizofrénico. Não deixando o seu lado louco e criminoso, dá-lhe também uma explicação e um lado sentimental e relacionável. Chama a atenção para os problemas de saúde mental, muitas vezes descriminados pela sociedade e que recebem neste filme destaque. É um filme poderoso e que também foi recorde em bilheteiras estando esgotado semanas a fio.

A última década está dissecada em termos de filmes que já vi, e brevemente trarei a segunda parte com os filmes que ainda não vi, que marcaram a década e que eu também quero ver.

E vocês? Que filmes marcaram a vossa década?

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