TV SHOWS | YEARS AND YEARS

14/04/2020

Vi esta série já em isolamento social e já depois de quase toda a gente a ter visto. Já estava com a série fisgada para ver desde que ela teve um boom de visualizações. Devo dizer que me assusta sempre ver este tipo de séries, mas são sempre um bom espelho da nossa realidade.
O dia-a-dia da família Lyon é uma confusão. Mas tudo parece piorar quando, numa noite crucial de 2019, a história do clã avança quinze anos no futuro. Eles então encontram um mundo bem pior do que esperavam: mais quente, barulhento e louco. Será que uma família disfuncional é capaz de superar seus traumas e salvar o planeta Terra? 
A série começa em 2019 na noite de celebração de aniversário da matriarca da família. Nessa noite acontecem inúmeras coisas estranhas, os comentários políticos extremistas de uma comentadora televisiva. Uma bomba nuclear que eclode do outro lado do mundo. E a certeza de que a partir desse dia nada mais voltaria a ser o mesmo. A partir daí, a série é um relato de acontecimentos ao longo de vários anos de como o mundo está a mudar e de como nós estamos a mudar o mundo. 

A série é na verdade uma espécie de distopia real que tenta demonstrar como será o nosso futuro nos vários sentidos. Tecnológico, desde a presença de uma inteligência artificial em casa que gere chamadas, mensagens e e-mails, pesquisas online entre outras tarefas. Até aos filtros que usamos nos telemóveis serem físicos e palpáveis. Às pessoas que se querem tornar inteligências artificiais, deixando o seu corpo terrestre e deixando o seu cérebro na nuvem. Ou aos dispositivos electrónicos incorporados no próprio corpo. Político e económico, que depende de nós e que pode sempre mudar o curso da história dependendo das suas agendas políticas. Vemos isso já nos dias de hoje, com alguns presidentes eleitos com ideias bem extremistas, mas o futuro pode ser bem tenebroso neste sentido. Na série isto é bem demonstrado quando uma política e comentadora televisiva começa a fazer comentários bem extremos sobre a actualidade e aos poucos vai ganhando a confiança dos eleitores e apesar de as suas ideias nem sempre agradarem a sua persuasão faz com as pessoas comecem a acreditar que aquilo que ela apregoa é realmente o certo. Mesmo que depois se venham a arrepender como quase sempre acontece.

A série também aborda temas que já são bem actuais e com os quais já temos de lidar muitas vezes todos os dias, como o caso dos refugiados e aquilo que eles têm que sofrer ao fugirem dos seus países de origem em guerra, ou por outras razões. Os problemas dos bancos e do sector financeiro que volta e meia é um problema que assola os países e nós cá em Portugal tivemos e continuamos a ter graves problemas com questões bancárias relativamente parecidas com as retratadas na série. 

A série a par de todas as questões de distopia em si, tem também todo um lado emocional que dá todo o lado emotivo à história. Porque de repente começamos a relacionarmo-nos com aquelas personagens e a pensar se faríamos o mesmo que determinada personagem naquela situação. Gostei imenso da matriarca da família a avó dos personagens, não só por ser querida, mas também por ser a personagem mais velha, normalmente os mais avessos à mudança e aquela que ao longo dos episódios é também muitas vezes a consciência deles e aquele que lhes vai transmitindo os conhecimentos e a sabedoria dos mais antigos. É a personagem âncora que trás sempre a união às coisas. Todos os personagens daquela família estão a passar por momentos difíceis e num momento ou outro acabam por tomar decisões difíceis ou irresponsáveis. A série é também muito mais uma chamada de atenção para que o espectador se coloque nos sapatos do outro e reflicta se em determinada situação agiríamos da mesma forma. E eu gosto muito de entretenimento que me coloque a pensar. 

Para mim a série só teve um pequeno problema que foi o seu final. A partir de um determinado episódio a série começa a ficar muito apressada e aquilo que as personagens ou o rumo que a história leva nem sempre me agradou. Acho que a certo momento os produtores não souberam muito bem como gerir os temas e as personagens em tão poucos episódios. Fora isto é uma série que eu recomendo muito e que se consegue ver muito bem agora em isolamento.

E vocês? Já viram esta série?

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