ISOLAMENTO

27/03/2020

No dia em que este post for ao ar estou há precisamente 14 dias em isolamento social. Decidi ir escrevendo o que para mim isto me tem feito sentir. Às vezes falar, escrever liberta monstros. Nestes dias saí umas três vezes de casa, para o chamado básico, como compras e uma ida ao trabalho, e sim já começo a trepar paredes. Não costumo ser pessoa de me preocupar muito com as coisas, mas desde o início que tenho convivido com o medo de o vírus andar muito perto da minha família. E isso tem-me assustado. Tem-me deixado ansiosa e nervosa. Estar longe é uma porcaria quando o que mais queremos é estar perto dos nossos, sermos úteis, porque sentir-me inútil é a pior sensação do mundo. Custa-me um pouco que um pouco por todo o mundo ainda existam pessoas que estão a desvalorizar tudo isto, que saem em viagens de férias, que vão passear para aglomerados de pessoas, e que não conseguem respeitar os profissionais de saúde que todos os dias arriscam a sua vida por nós, ou todos os trabalhadores deste país que todos os dias têm que sair para ir trabalhar para que a economia e os serviços deste país não parem. Quero muito que tudo isto passe, o mais rapidamente possível. Quero poder-me sentir novamente livre. Quero a minha rotina parva de volta. Quero as conversas cara a cara com os amigos. Quero aquele abraço apertado da minha mãe. Quero que tudo volte a ser normal. Mas para que isso aconteça todos temos que colaborar, todos temos que nos sacrificar e acho que num mundo cheio de facilidades está a ser difícil a muitos de nós fazer essas pequenas cedências. Sofro todos os dias por não estar perto dos meus e principalmente da minha avó. Mas a minha fé é de que tudo vai passar e ficar bem.


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