CINEMA | JUST MERCY

26/03/2020

Sou uma apaixonada por filmes sobre histórias reais e se forem sobre a humanidade das pessoas ainda mais. Quando vi este filme a circular não lhe dei grande atenção, mas depois as opiniões sobre ele foram cada vez mais positivas que eu fiquei muito curiosa para o ver, e o mesmo não me desiludiu.

"Quando conclui a licenciatura em Harvard, Bryan Stevenson recebe várias propostas de emprego. No entanto, decide ir para o Alabama defender quem foi condenado por crimes que nunca cometeu, ou nunca teve representação adequada. Um dos seus primeiros casos é o de Walter McMillian, condenado à morte em 1987 pelo assassinato de uma jovem de 18 anos, apesar das provas apontarem para a sua inocência. Nos anos seguintes, Bryan envolve-se num labirinto de racismo e manobras legais e políticas, enquanto luta por Walter e por outros na mesma situação."

Bryan é um jovem advogado, acabado de se licenciar que quando visita pela primeira vez um prisioneiro no corredor da morte fica muito sensibilizado porque o mesmo tem a sua idade. Isto toca-o muito e ele decide no início da sua carreira começar a defender estes presos, condenados à morte, pro bono, porque acredita que muitos deles nunca tiveram acesso a uma defesa condigna e a um julgamento justo. Ele muda-se para o Alabama, sul dos EUA, um estado muito racista e ainda muito fechado nos seus ideais de supremacia branca. Lá ele vai encontrar vários presos no corredor da morte injustamente e acaba por começar a ajudá-los. A sua luta nem sempre vai ser vitoriosa, vai ter muitos percalços pelo caminho. Vai sentir na pele o que é ser negro no sul da América. Mas a sua perseverança não vai ficar por aí e de repente ele começa a dar esperança às pessoas e a começar a mostrar que nem sempre a justiça é cega.

Eu gostei muito deste filme. Como disse histórias reais e humanas tocam-me  muito. E como jurista a justiça para mim é primordial. Não concordo em viver num mundo onde os polícias e o estado apenas investigam para encontrarem um qualquer culpado só porque o mesmo é negro ou pobre. Não consigo viver num mundo onde as famílias se contentam com um trabalho medíocre das autoridades. E admiro muito pessoas como Bryan Stevenson, que todos os dias lutam para que os que estão no corredor da morte tenham direito a uma justiça clara, a um julgamento justo, e a penas eficazes. Temos visto nos últimos tempos um crescendo de documentários sobre crimes dos EUA onde a injustiça das prisões e das investigações e até dos julgamentos são o mote principal, e pessoas como o Bryan estão aqui para nos mostrar que podemos fazer o contrário.

O filme é simples mas duro ao mesmo tempo. Sem querer ser sensacionalista não deixa de mostrar a supremacia e a teimosia das autoridades brancas, e até a perseguição a que ele foi sujeito nos primeiros anos da sua carreira. Michael B. Jordan é um actor que me tem surpreendido pela sua versatilidade e pela empatia que consegue criar tanto em papéis mais comerciais como nestes papéis mais emotivos. Senti sempre a dor de um jovem advogado em busca de justiça. Jamie Foxx é outro dos protagonistas e apesar da sua sólida prestação para mim não foi o que mais me arrebatou, porque por outro lado fiquei muito mais tocada com a prestação de Rob Morgan outro condenado à morte. Senti sempre a sua dor e o seu conflito interno por estar ali naquele corredor da morte, com a sua data designada, o seu passado difícil e as suas escolhas nem sempre perfeitas. É desses conflitos internos que a justiça deve ser feita, porque as pessoas não são lineares.

Quando estava a preparar este post deparei-me com uma TED Talk do Bryan Stevenson que me tocou muito e que compartilho com vocês, porque acho que vale a pena ser ouvida.


E vocês? Já viram este filme?

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