CINEMA | CORPUS CHRISTI, BOMBSHELL, DOLOR E GLÓRIA, HONEYLAND

16/03/2020

As opiniões dos últimos filmes dos Oscars que vi já deveriam ter saído, mas a vida mais uma vez colocou-se no meio. Mas cá estão elas. Decidi juntá-las todas, e falar-vos um bocadinho de cada um deles.

Corpus Christi
"Daniel sofre uma transformação espiritual durante a permanência num Centro de Detenção de Jovens. Quer tornar-se padre, mas está impedido de se inscrever no seminário por causa do seu registo criminal. Enviado para trabalhar na oficina de carpinteiro de uma pequena cidade, à chegada veste-se de padre e, acidentalmente, assume a paróquia local. A chegada do jovem e carismático pregador é uma oportunidade para que a comunidade possa iniciar o processo de cura após uma tragédia."

Na categoria de melhor filme estrangeiro não existiram assim tantos nomeados que me chamassem à atenção. "Corpus Christi" é um filme da Polónia que nos fala de um jovem delinquente que está preso e que de alguma forma desenvolve uma relação com Deus. Confesso que não sabia bem o que ia achar deste filme. Não só pela sua temática mas também pela cultura do país de produção. Mas confesso que acabei por me sentir sempre interessada ao longo do filme, principalmente para saber como toda a história do padre ia terminar. O filme acaba por ser um pouco cliché, e termina de uma forma totalmente previsível. Mas o mesmo acaba por tocar em assuntos muito pertinentes ao longo dele, e acaba por nos colocar a pensar. Não só na questão da religião, mas na questão do perdão, da redenção, do amor, de comunidade. Todos estes assuntos são assuntos que nos são próximos e por isso relacionáveis. Não posso dizer que adorei o filme, mas é um filme que serve o seu propósito e que nos faz pensar e só por isso já vale a pena. 


Bombshell
"Um grupo de mulheres decide denunciar, Roger Ailes, o presidente da Fox News, por assédio sexual, e enfrentar a atmosfera tóxica gerada no ambiente profissional."

Este filme fala-nos sobre o escândalo sexual que algumas trabalhadoras da Fox News denunciaram e que deram lugar à queda do Roger Ailes o seu presidente. Confesso que não adorei a forma como o filme foi realizado e editado, e confesso também que nesta temática o mesmo me soube a pouco. Quero dizer que o filme é muito rápido, rapidamente temos que perceber como toda a história se passou, e para pessoas que não conhecem tão bem a história, como eu, pode ser um pouco superficial. Não deixa por isso de ser um bom filme que nos chama a atenção para aquilo que se passa um pouco por todo o mundo, quando directores de empresas, principalmente com a exposição que um canal de televisão tem, contratam mulheres bonitas com ambições de carreira que de repente e com a ambição de chegar mais longe muitas vezes acabam por cair em ciladas psicológicas, por um lado por quererem muito a tal posição, por outra por vergonha de admitir que cederam a tais jogos. O filme conta com um elenco principal de luxo e esse é para mim o ponto forte do filme. Claro que quem só vê este filme e quer saber mais da temática não vai sair daqui a saber tudo, e para isso recomendo que espreitem outras produções. É sem dúvidas um filme que vale a pena ser visto.  


Dolor e Glória
"Salvador Mallo, personagem interpretada por Antonio Banderas, é um famoso realizador de cinema. As suas memórias levam-no até à infância na cidade valenciana de Paterna, nos anos 60, junto com os pais, os primeiros amores, o primeiro desejo, a mãe, a mortalidade, o primeiro amor adulto na Madrid dos anos 80, a dor da separação. E o vazio, o incomensurável vazio perante a impossibilidade de continuar a filmar."

Este é o meu primeiro filme de Almodóvar e acho que me estreei bem. Neste filme temos como personagem principal Salvador, um realizador de cinema que chega a um ponto da sua carreira em que começa a duvidar de tudo e é ao olhar para o seu passado que ele vai buscar inspiração para continuar. Eu gostei muito deste filme, mais até do que estava à espera. Gostei do seu tom meio melancólico, mas ao mesmo tempo latino. Gostei da produção e da realização. Gostei das interpretações. Gostei das duas linhas temporais, e de como as mesmas se vão interligando de uma forma tão suave e importante que nem percebemos a segunda intenção das mesmas. Pelo que percebei numa rápida pesquisa pela Internet, este filme encerra uma trilogia dedicada a personagens principais realizadores. E este filme só me deixou ainda com mais vontade de ver mais filmes do realizador. Um filme que recomendo muito.


Honeyland
"Existe uma regra na apicultura: deve-se pegar só metade do mel, e deixar o resto para as abelhas. Hatidze, a última apicultora da Europa, respeita religiosamente essa condição. No entanto, quando novos apicultores chegam para trabalhar na sua região e não seguem a regra, o equilíbrio do ecossistema desses animais é ameaçado. Hatidze precisa se esforçar para persuadi-los a seguir os pilares elementares para a sobrevivência das abelhas."


Eu confesso que me emocionei muito a ver este filme, mais até, revoltei-me muito. Este filme esteve nomeado a dois Oscars, ao de melhor documentário e ao de melhor filme estrangeiro. Depois de o ver até percebo porquê, porque funciona como documentário, ao documentar determinada história, e como o mesmo não é um documentário tradicional funciona como filme. Hatidze e a sua mãe são as últimas habitantes de uma aldeia abandonada no norte da Macedónia. Ela passa os dias a tratar da sua mãe acamada e das suas abelhas que ela utiliza para criar mel e vender na feira da grande cidade. Tudo corre bem até ao dia em que uma família descobre aquele paraíso e o usa para criar gado e tal como ela mel. Hatidze é hospitaleira e rapidamente se tornam amigos. Ela inclusive lhes ensina como fazer mel. Só que a ganância de ganhar dinheiro os faz utilizar mal os recursos e rapidamente o mel acaba para todos. Eu fiquei muito de coração apertado ao ver este filme. Talvez mais pela mãe da nossa protagonista que está acamada e com um grave problema de saúde. Não consegui compreender como elas moravam ali sozinhas sem qualquer recurso e sem qualquer cuidado de saúde. Li depois que os realizadores do filme não interferiram em nada para que o filme fosse o mais natural possível e que logo oferecerem ajuda médica para a mãe dela, ajuda que elas recusaram. É um filme muito cru, muito duro, muito humano. Emocionei-me muito e quero que mais pessoas tenham a coragem para ver este filme. 

E vocês? Já viram estes filmes?




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