CINEMA | FOR SAMA

21/02/2020

Quando vi a lista dos nomeados aos Oscars na categoria de melhor documentário soube mais ou menos logo qual seria o vencedor. Mesmo assim decidi ver este documentário e até dedicar-lhe uma opinião solo porque me tocou muito e quero que tenha mais visibilidade.

"Carta de amor de uma jovem mãe para a sua filha, o filme conta a história de Waad al-Kateab durante os cinco anos da revolta em Aleppo, na Síria, enquanto se apaixona, casa e dá à luz Sama, sempre com o conflito cataclísmico em seu redor. A sua camera captura histórias incríveis de perda, humor e sobrevivência, enquanto Waad luta com uma escolha impossível - fugir ou não da cidade para proteger a vida da filha, quando sair significa abandonar a luta pela liberdade pela qual já sacrificou tanto."

Waad al-Kateab é uma cidadã da Síria que decidiu ficar lá quando a guerra eclodiu. O início da guerra nem eu percebi bem, mas sei que começou com umas pequenas manifestações e que ela decidiu ficar para presenciar e lutar pelo seu país. Não imaginava que a guerra fosse tornar-se o que se tornou. Ela torna-se voluntária num hospital e é quando se apaixona pelo médico, e até se casa sob fortes bombardeamentos. Mas aí guerra dá uma paragem, eles compram casa, e engravidam da Sama. É aí que tudo muda de figura, tanto porque a guerra eclode outra vez, tanto porque eles agora têm um propósito maior na vida. 

Não sabendo nada da guerra ou dos seus propósitos, quando vi do que se tratava este documentário fiquei muito curiosa. Basicamente a realizadora do filme mostra-nos o seu dia-a-dia, a forma como eles vão socorrendo as vítimas dos bombardeamentos, a forma como lidam com a morte, com o desespero, com os bombardeamentos, com a falta de comida, de medicamentos, de hospitais até. Impressionou-me a força que as bombas têm, a naturalidade com que todos vivem com os constantes bombardeamentos, casas destruídas, pessoas mortas pelas ruas, coisas que não são normais e que nunca deveriam ser testemunhadas por crianças. O filme retrata a forma como Aleppo está completamente destruída e como ninguém está a fazer nada por aquelas pessoas. 

O casal e a filha acabaram por ter de sair do país obrigados pelos Russos, e encontraram em Inglaterra asilo, sorte de ela ser jornalista. Sorte melhor do que tantos outros que se vêm obrigados a pagar muito dinheiro sem saber se vão conseguir chegar a algum país destino, ou se algum país os vai querer. São realidades muito duras, que me custaram muito a ver e acho que é um documentário que mais pessoas deveriam assistir. Estava outro documentário nomeado aos Oscars com uma temática parecida o "The Cave" que acabei por não ver por se focar mais no trabalho dos médicos em hospitais em caves de edificíos, o mesmo também se passa na Síria, mas aborda o tema do feminismo e da problemática dos médicos e dos bombardeamentos a hospitais.

Em suma, acho que é preciso ver este tipo de histórias, que não nos são contadas nos telejornais, e que é importante que estejamos alertas.

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