CINEMA | 1917

18/02/2020

Quando a publicidade à volta do filme "1917" surgiu eu fiquei curiosa. Trata-se de um filme sobre a 1.ª Guerra Mundial tema que tem estado presente na minha vida nos últimos tempos por causa de um projecto que tenho vindo a desenvolver aqui no blog e no canal. Por isso fiquei logo muito interessada em o ver, principalmente quando ele começou literalmente a ganhar quase todos os grandes prémios de cinema.

"No auge da Primeira Grande Guerra, dois soldados britânicos, Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman), recebem uma missão aparentemente impossível. Numa corrida contra o tempo, têm de atravessar o território inimigo e entregar uma mensagem que impedirá um ataque letal contra centenas de soldados, entre eles o irmão de Blake."
Quando o filme saiu, e visto que ainda demorou a chegar às nossas salas de cinema eu tentei distanciar-me do filme para não saber muito sobre ele antes de o ver. Mas não consegui distanciar-me de saber que o mesmo era inspirado nas aventuras que o avô do realizador teve durante a Grande Guerra. Avô que é português o que só me deixava ainda mais curiosa com o filme. Neste filme nós vamos acompanhar dois soldados a quem foi dada a missão de entregarem uma mensagem a um outro batalhão que se preparava para enfrentar as forças Alemãs. Assim, eles vão ter que atravessar território inimigo para conseguirem salvar a vida de milhares de pessoas. Tarefa essa que vai ser muito difícil e que nos vai mostrar um pouco do que foi a guerra.

Gosto de filmes de guerra, não pela temática em si, mas porque acredito que ver e reviver o que ja passou é também uma chamada de alerta para aquilo que todos queremos que não volte a acontecer. A Primeira Guerra Mundial parece um pouco esquecida na nossa memória, e só porque não teve um impacto tão grande em termos de direitos humanos não quer dizer que ela não tenha acontecido. E o que mais gostei neste filme foi sem sombra de dúvidas a recriação histórica das batalhas e das trincheiras a que os soldados ingleses estavam sujeitos. De repente temos os nossas protagonistas a atravessar uma trincheira alemã e a deparar-se com um local preparado, quase de luxo, comparado aos seus insalubres locais de protecção. 

Ele é filmado e editado como que se um plano sequência se tratasse, ou seja, o filme é suposto passar a imagem de que uma câmara andou ali a filmar tudo e a acompanhar os nossos protagonistas de uma forma contínua e quase sem cortes. Isto faz-nos ter uma visão mais concentrada do filme porque quase sempre estamos a acompanhar alguma personagem e isso faz com que tenhamos uma visão mais concentrada do filme porque estamos a ver quase sempre aquilo que as personagens estão a ver, seja o campo do inimigo, seja apenas as trincheiras que percorrem. Não sei se sempre gostei muito deste tipo de filmagem e edição porque gosto muito de ter um panorama mais aberto e observar o máximo da imagem, mas senti que o propósito do realizador fosse transportar o espectador para aquilo que as personagens estavam a sentir, para o impacto que aquilo que foram vendo e vivenciando produzisse o mesmo impacto no espectador.  

É incrível ver a evolução do nosso protagonista e personagem que foi beber inspiração ao avô do realizador e a forma como nos consegue tocar com a sua empatia, a sua coragem, o seu amor, e a forma como nos leva ao longo do filme, em momentos de tensão, de inquietação, de amor profundo, de nos colocar a pensar. Como um filme através da sua história, da sua realização, das suas interpretações, da sua fotografia e até da forma como está editado nos consegue colocar a pensar em como a história rapidamente se repete. 

Um filme que vale a pena ver nos cinemas.

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