CINEMA | THE FAREWELL

29/01/2020

Quando este filme foi lançado eu fiquei com muita curiosidade para o ver. É um filme asiático, que fala de uma família e só isso já me deixou muito curiosa. Mas depois o mesmo começou a ser nomeado a alguns prémios e a ser muito bem falado que eu decidi mesmo que o tinha que ver. E só vos posso dizer que adorei.

"Billi, uma norte-americana de origem chinesa, regressa à China ao saber que a sua amada avó sofre de uma doença terminal. Billi luta contra a decisão da família de esconder o diagnóstico da avó enquanto preparam um casamento que reunirá todos por uma última vez."
Sou uma apaixonada por filmes de famílias e as suas dinâmicas. Sou ainda mais apaixonada por filmes asiáticos muito bem produzidos. E então quando juntam estes dois temas ainda é mais fantástico porque conseguimos ter acesso a uma realidade que é bem distante da nossa. Billi é uma norte americana filha de pais chineses emigrantes nos EUA que um dia recebem uma notícia chocante, a sua avó, mãe do pai está a morrer. Logo, toda a família decide viajar para a china, fazer uma espécie de surpresa à matriarca da família, e no fundo passar os últimos momentos com ela. O pior de tudo é que a avó não sabe que está doente, nem que tem um prognóstico de vida muito curto. 

Este filme chamou-me logo à atenção pela leveza com que levou o assunto ao mesmo tempo que vamos percebendo que a notícia que recebem é dura e que os deixa muito abalados. Percebemos também que apesar de serem uma família relativamente grande, cada um seguiu um pouco a sua vida. Os pais de Billi emigraram para os EUA, os tios dela emigraram para a Coreia do Sul, e todos regressam com vivências e experiências de vida diferentes ao seio familiar. A China é um país peculiar. Por um lado ficamos sempre com uma ideia de ser um país austero quase sem condições de vida mas muito à frente em outras áreas como a tecnologia. Por outros vemos estes filmes e ficamos a perceber que muitas vezes a realidade que nos é passada pelos media nem sempre é a mais correcta. E aliás, a diferença entre a China e principalmente os EUA é um tema muitas vezes invocado pela família, sendo tópico de jantar pelo menos duas vezes ao longo do filme. 

Mas este filme é sobretudo sobre família. Billi é muito agarrada à sua avó. Saber desta notícia deixa-a muito abalada e principalmente o ter que a visitar sem poder tocar no assunto e ter que fingir que está tudo bem ainda mais. E por isso o filme se torna ainda mais ternurento porque percebemos o amor que aquela família tem uns pelos outros e que os faz esconder um assunto tão importante a uma das pessoas mais importantes para eles. Aliás essa é uma tradição, provavelmente da cultura chinesa, que os faz preservar os seus de uma notícia tão triste. Aliás, o filme é pródigo em nos mostrar as tradições chinesas, os almoços e jantares em família sempre cheios de comida e onde todos se sentam à mesa para partilhar a refeição. A ginástica que a matriarca da família continua a praticar é uma das grandes tradições chinesas. Os casamentos cheios de pompa e circunstância. Tradições não tão distantes das nossas mas que nos cativam sempre por serem de uma cultura diferente da nossa.

Gostei acima de tudo do sentimento que este filme nos transparece. O amor evidente que avó e neta sentem fez-me muito lembrar a minha própria relação com a minha avó e isso deixou-me emocionada todo o filme. Claro que o filme é mais do que o sentimento que nos transmite mas é bom quando um filme nos consegue demonstrar amor, afecto, carinho, amizade. O filme é também ele muito divertido e sabe sê-lo de uma forma subtil mas ao mesmo tempo acutilante sabendo tocar nos assuntos mais sensíveis de uma forma perspicaz. O filme também nos trás uma surpresa muito boa no final que pelo menos a mim me deixou feliz e que fez toda a diferença eu não saber dela ao longo de todo o filme. Vejam para saberem do que estou a fala porque vale a pena ver sem saber deste pormenor. Em suma foi um dos meus filmes favoritos de 2019 e claro que só vos posso recomendar que o vejam.


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