CINEMA | DOIS PAPAS

25/01/2020

Quando a Netflix anunciou o lançamento deste filme e lançou o trailer do mesmo eu fiquei logo muito curiosa com ele.  A religião sempre fez parte da minha vida, e por isso sempre estive mais atenta a estes assuntos. Assim que o filme saiu acabei por o ver e por gostar bastante do mesmo e por isso hoje trago-vos a opinião do filme.

"Buenos Aires, 2012. O cardeal argentino Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce) está decidido a pedir para deixar de ser cardeal, devido a divergências sobre a forma como o papa Bento XVI (Anthony Hopkins) tem conduzido a Igreja. Com a passagem já comprada para Roma, ele é surpreendido com o convite do próprio papa para visitá-lo. Ao chegar, eles iniciam uma longa conversa onde debatem não só os rumos do catolicismo, mas também afeições e peculiaridades da personalidade de cada um."

O Papa é para os católicos o representante máximo da religião. Foi criado como a representação de Jesus na terra. Ao longo dos anos os Papas foram-se mexendo no mundo ao som das necessidades da humanidade e nem sempre a favor do que era mais correcto para os fiéis da igreja. Nos últimos anos acabamos sempre por ver o Vaticano como um lugar de riqueza e uma organização mais monetária do que preocupada com a sua comunidade. Os escândalos sexuais e de pedofilia que acabaram por vir ao conhecimento geral acabaram por abalar muito a Igreja como instituição, porque se começou a perceber como o Vaticano e o Papa acabaram por ao longo dos anos esconder tudo do mundo. Por isso, quando este filme foi lançado eu fiquei muito curiosa para o ver. Não sabia nada sobre ele, apenas sabia que falava sobre os dois Papas em actividade e da sua relação. E por isso quando o filme começa nós vamos acompanhando o Papa Francisco enquanto Padre e Cardeal na eleição do Papa Bento XVI, na sua tentativa de se reformar de Cardeal e na sua amizade com o Papa anterior quando o mesmo toma a decisão de renunciar. Ao longo do filme nós vamos vendo uma amizade a nascer no seio de um momento muito tenso da religião católica, uma relação amistosa, improvável, mas que ao longo do filme vai abordando temas muito importantes. 

O filme vai ter dois momentos muito distintos. O momento em que nos conta a história do Para Francisco desde que ele tomou a decisão de seguir a vida religiosa, até à fase da guerra no seu país onde ele teve de tomar decisões muito difíceis para defender o seu povo nunca comprometendo a religião, até ao momento em que Bento XVI toma a decisão de renunciar e ele é eleito o novo Papa. Todo o filme é construído com base em frases que ambos disseram em entrevistas, comunicados ou discursos, porque na realidade a amizade entre ambos existe mas não nos moldes que o filme nos mostra. A princípio e quem veja o filme sem saber de nada achará que a amizade entre ambos é uma relação muito bonita e achará estranho que até agora nunca a mesma nos tenha sido revelada. Mas realmente depois saber que a mesma não existe nestes contornos desilude um pouco. Mas por outro lado cheguei ao fim do filme com a sensação de que era um filme necessário no sentido de que a imagem do Papa Bento XVI nunca foi uma imagem muito feliz para muitos dos católicos, pelo menos os mais liberais, e com este filme acabamos por percebê-lo um pouco mais e perceber que por mais que o mesmo tenha alguns ideais que vão um pouco contra os nossos, ele não é de todo a imagem que construímos. 

O filme para mim ganha no fim pela história do Papa Francisco que conta e que eu não conhecia de todo e que acabei por ainda ficar mais fã dele. É incrível a história de vida que cada um de nós tem e é ainda mais incrível aquilo que acabamos por fazer com essa mesma história. Mas ganha ainda mais pelo seu valor de produção ao ser um filme todo ele rodado fora do Vaticano. O filme é praticamente gravado em estúdio com o recurso aos efeitos especiais para recriar os cenários dos vários espaços do Vaticano onde não foi possível gravar. E são imagens impressionantes porque o comum mortal que não perceba bem da coisa acaba por achar que o filme é bem real. Enaltecer também as grandes interpretações do Jonathan Pryce e do Anthony Hopkins que estão simplesmente fantásticos e carregam literalmente o filme às costas. Em suma, este é um filme que recomendo, mas que recomendo que o vejam sem muitas ideias pré concebidas para que possam desfrutar da história como um todo.

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  1. Foi um filme que não adorei como toda a gente mas concordo contigo que os cenários e interpretações são fantásticas! Bjs

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    1. Acho que o filme poderia ter seguido noutra direcção, mas no fundo serve o seu propósito o de contar a história dos dois papas.
      Beijinhos*

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