CINEMA | COLD WAR

29/04/2019


Quando anunciaram os nomeados na categoria de melhores filmes estrangeiros dos Oscars 2019 eu fiquei logo curiosa com este filme. Toda a gente estava a falar muito bem dele e eu também o queria muito ver. E também eu fiquei surpreendida com o filme e gostei bastante dele.

Na Guerra Fria do Pós Segunda Guerra Mundial Wiktor é um compositor contratado para coordenar um musical organizado pelo Governo da Polónia. No processo de selecção ele acaba por se interessar por uma das cantoras Zula. Com o crescimento do partido comunista o musical acaba por ter que ter uma componente política que não agrada a todos e faz levantar questões éticas e mesmo pessoais a todos os envolvidos. O filme acompanha então a trajectória de Wiktor e Zula não só na só na sua vida pessoal, mas também profissional e na forma como se acabam por moldar ao regime político em vigor.
 
As artes e a cultura podem moldar um país e mostrar ao mundo aquilo que ele quer mostrar. No pós guerra a necessidade de definir politicas e cultura era grande e por isso a construção de musicais com músicas tradicionais são ainda hoje uma forma de mostrar a cultura de um país. E este filme retrata isso de uma forma muito real, crua, honesta e por vezes difícil de ver. Por um lado temos uma Europa com valores muito enraizados e muito feridos, mas por outro temos uma Europa com sede de mudança e a tentar esquecer tudo aquilo que a guerra significou. O filme passa essa imagem mesmo. Temos o Wiktor um homem com sede de mudança que quer muito sair da Polónia e abraçar a nova Europa que está a surgir. Por outro temos a Zula uma rapariga com um passado algo conturbado que acaba por sempre se acomodar às pequenas oportunidades que a vida lhe vai dando. O filme mostra-nos estas diferenças pela forma como representa a música, de um lado a tradicional cheia de regras e formas, por outro o jazz, uma música livre sem regras e cheia de sonhos. 

Mais do que mostrar uma relação bonita, com muito amor, o filme mostra-nos uma relação difícil porque por um lado temos o Wiktor cheio de sonhos e de vontade de abraçar o mundo, e por outro temos a Zula que acaba por se acomodar à vida normal. O amor nunca desaparece, aliás quando é amor para a vida ele fica sempre independentemente daquilo que a vida fizer de nós. E o amor deles é tão bonito e é retradao neste filme de um forma tão intensa e delicada apesar das circunstâncias e do destino de cada um. 

O filme apesar de ser a preto e branco transmite tanto e faz com que nos agarremos ainda mais a esta trama. Claro que ficam a faltar a riqueza das cores dos trajes tradicionais retratados no filme, mas a tonalidade do preto e branco faz com que o filme ganhe outra profundidade e seja mais cativante. Este é aliás um recurso que o realizador deste filme Pawel Pawlikowski gosta de usar e outra filme seu o "Ida" é também a preto e branco. É aliás outro filme dele que quero muito ver e agora talvez tenha ganho a vontade extra para o ver.

É sem sombra de dúvidas um filme que recomendo muito, que tenho pena que não tenha ganho nenhum Oscar porque bem merecia e que espero que mais gente veja porque acredito que por ser a preto e branco e um pouco lento não chame tanto a atenção. Mas vejam porque vale muito a pena.
 

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