CINEMA | PEDRO E INÊS

18/12/2018

Quando li a história original que deu origem a este filme fiquei apaixonada pela história da Rosa Lobato de Faria. Ela escreveu três histórias envolventes sobre a história dos lendários Pedro e Inês, duas figuras controversas e marcantes da nossa história. Por isso quando soube que o livro "A Trança de Inês" iria ser adaptada ao cinema fiquei com uma enorme curiosidade para ver o filme. Hoje trago-vos a minha opinião.


Internado num hospital psiquiátrico por viajar de carro estrada afora com o cadáver da sua namorada Inês, Pedro recorda três vidas diferentes, simultaneamente e de forma indistinta. Deitado na cama de hospital, ou sentado no banco de jardim onde espera que a dor passe, Pedro recorda a vida com a sua amada Inês que é brutalmente assassinada ao longo dos tempos, apartando-o do seu amor incomensurável, que o deixa à beira da loucura e transforma um homem reservado e pacato, noutro sedento de vingança e justiça.
Pedro e Inês é tal como o livro que lhe deu origem narrado em três fases temporais. A primeira narrada na época em que os factos da história de Pedro e Inês aconteceram. A segunda narrada no tempo actual e a terceira num futuro meio que distópico. Nos três momentos temporais a história gira em torno da história de amor deles e das dificuldades que existem na construção desse amor.

Para quem conhece a história destas figuras históricas e para quem leu o livro apercebeu-se que a intenção da autora não foi apenas contar a sua história, mas falar sobre o encontro de duas pessoas, duas almas que transcendeu o tempo e até a morte. Algo inexplicável não só para o passado mas até para um futuro. Porque é assim o amor. Aquele que não tem explicação e que dura para sempre. E se eu gostei de ver toda esta história no livro da Rosa Lobato de Faria também o gostei de ver espelhado no ecrã. A intensidade dos sentimentos e da forma como a relação de Pedro e Inês foi sempre conturbada é muito bem passada e isso fez com que eu estivesse sempre agarrada ao ecrã. A edição e realização de todo o filme também fizeram com que eu mantivesse o interesse nos três momentos temporais e nunca me perdessem em cada segmento. Tal como no livro souberam bem encadear as histórias, de modo a que as mesmas se fossem entrelaçando e nunca perdessem nem a linha histórica nem o seu ritmo. Emprestar a voz e o corpo a duas pessoas tão importantes da nossa história não é fácil, porque as suas vidas não foram fáceis e o amor que viveram foi muito para além do seu tempo.

Para além de toda a parte interpretativa e de realização e edição, outros aspectos que ajudaram a fazer deste filme algo muito bom foi sem sombra de dúvida o seu valor de produção como os cenários, o guarda-roupa e até a banda sonora que estiveram muito bem e fizeram com que o filme subisse outro patamar. Sim, porque falamos de uma produção portuguesa que bem sabemos nem sempre ter o dinheiro suficiente para poder abraçar produções mas ambiciosas, mas também conseguimos por outro lado e com menos fundos grandes produções como esta.

Este foi provavelmente uma das melhores bilheteiras de um filme português e isso deixa-me muito feliz. Porque cinema e cinema na nossa língua nunca é demais. E é por isso também que vos recomendo este filme.

Acho que a única grande critíca ao filme é o facto de ele ser tão grande e isso pode tornar a sua visualização mais cansativa. E por isso mesmo acho que teria tirado do filme a terceira narrativa da história e teria explorado mais as outras duas. De resto é um filme que recomendo muito que vejam, claro que depois de lerem o maravilhoso livro que lhe deu origem.
 

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