OH HEY IT'S A CLASSIC | 12 ANGRY MAN

Hoje começo uma nova rubrica aqui no blog que consistirá em de agora em diante todos os meses eu ver um filme clássico do cinema e dar a minha opinião por aqui. Desde sempre que eu me vejo a ver cinema, mas nos últimos anos esta tem sido uma área muito importante aqui no blog e no meu canal. Mas à medida que vou vendo mais filmes sinto sempre que a minha cultura cinéfila está incompleta. Falta-me ver os clássicos do cinema. Aqueles filmes que fizeram com que o cinema fosse o que é hoje e por isso todos os meses podem contar com uma opinião aqui no blog.


Um dos mais célebres courtroom dramas transpostos do palco para o cinema. A peça de Reginald Rose é propícia a grandes interpretações, tendo por tema o debate entre os doze membros de um júri que têm de decidir da culpa ou da inocência do acusado. Tudo se centra na sala em que estão reunidos, mas a câmara de Lumet e a montagem não deixam sentir o “peso” do palco. Neste filme de conjunto, Lee J. Cobb sobressai como jurado.
O filme centra-se no julgamento de um rapaz de 18 anos acusado de assassinar o pai. À partida condenado vemos até o juiz a falar no início do filme com um ar enfadonho como se o caso já estivesse resolvido à partida. Os 12 jurados, no sistema judicial americano, partem para a sala de conferências onde devem, por unanimidade, decidir se o acusado é culpado ou não culpado. Quando todos se sentam paira no ar a certeza absoluta de que a reunião irá ser rápida e que à primeira votação o veredicto seja unânime. Mas isso não é verdade. Inicialmente há um jurado que tem sérias dúvidas se o caso é realmente como a acusação o explanou e diverge dos demais jurados. Incompreendido, cabe-lhe a tarefa de mudar a opinião jurado a jurado.

Sou uma fã incondicional de filmes e séries que se passam no sistema judicial norte americano. Talvez por ser completamente diferente do nosso. Lá, em quase todos os julgamentos criminais, está na constituição o recurso a um conjunto de jurados, pessoas normais da sociedade que notificados precisam de comparecer no tribunal e decidir vidas. Porque apesar de não serem eles a decidir a moldura penal, são eles que decidem se a pessoa levada a tribunal é culpada ou não. E esse é um sistema muito interessante. O filme de que vos falo hoje aborda este tema de uma forma exemplar. Todo o tempo estamos na mesma sala que eles e deslindamos o caso ao mesmo tempo que eles. Durante as conversações temos a oportunidade de perceber cada perspectiva, cada opinião e juízos de valores que cada um tem, a forma como cada um esteve atento ao julgamento e acima de tudo a forma como cada um encara o dever de estar naquela posição. Ao início percebemos que todos eles julgam o rapaz por ser pobre e provir de uma zona da cidade mal frequentada. Vemos também que são poucos aqueles que levam a sério o trabalho de ser jurado, ou porque estão mais preocupados com o jogo que vai acontecer ou porque passam o tempo a falar de outros assuntos, ou até porque não demonstram a mínima importância ao estar a condenar um jovem à cadeira eléctrica. O tempo dentro daquela sala vai passando e à medida que um jurado em particular, começa a questionar todos os aspectos do julgamento, cada um dos jurados vai se revelando tanto em termos de apoio à não condenação do jovem, como também da sua própria personalidade.

É um filme muito importante e bastante actual. As temáticas e a forma como cada jurado olha para elas não são muitos diferentes de muitos julgamentos a que assistimos nos dias de hoje. E o filme apesar de se passar praticamente dentro de uma sala não se torna aborrecido, mas mantêm-nos sempre atentos e interessados, não só no rumo do caso, mas também nas diversas temáticas que vão sendo abordadas pelos jurados. As interpretações são muito boas. Temos o jurado que desde o início acredita na inocência do jovem e que mantém uma postura quase de sofrimento ao longo de todo o filme como que sofrendo sabendo que se o dessem como culpado o mesmo seria condenado à morte. Temos o grupo que acredita piamente que ele é culpado e que dentro da sua raiva mantém uma postura de agressividade não só perante o caso, mas também perante os companheiros jurados. E depois temos aqueles que ao longo de todo o filme vão com a corrente nunca sabendo muito bem de que lado se posicionar. Mas este filme não é só brilhante nesse aspecto. Todo o argumento e a forma como colocaram os jurados a questionar a veracidade de cada detalhe do julgamento é muito interessante e coloca em perspectiva a forma como um pessoa normal deslinda um caso técnico em comparação muitas vezes com um profissional. Foi talvez das coisas que mais gostei também no filme.

É interessante saber que um país como os Estados Unidos recorra a este método para condenar os seus pares e deixar nas mãos do comum mortal a condenação de uma pessoa, em alguns estados mesmo à morte. É definitivamente uma responsabilidade e uma que todos os cidadãos deveriam olhar e pensar com muita resposabilidade.

É por isso que só posso recomendar este filme.


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