QUANDO O FEMINISMO É APENAS MAIS UMA DESCULPA

A semana passada a polémica em volta da Serena Williams estalou e a conversa em volta do feminismo também. Basicamente, a tenista na final do US Open teve um desentendimento com o árbitro da partida e acabou por trazer à tona toda uma conversa sobre o feminismo. Já antes disto tudo ela tinha trazido à tona esta conversa quando a federação não a deixou usar um facto específico e ela decidiu ir para os jogos com uma saia tutu. Desta vez, e após várias infracções cometidas em campo, o árbitro decidiu aplicar-lhe diversas penalidades a que a tenista decidiu responder com insultos e acusações, com a desculpa de que o árbitro a homens não tinha aplicado as mesmas infracções e a ela só porque é mulher sim. À tona vieram vários pontos de vista, os seus apoiantes que condenam o árbitro, os que condenaram a atitude dela, e os que ficaram com pena de a vencedora da partida ter ficado com a final arruinada. Mas aquilo que me chamou mais à atenção de tudo isto, foi o facto de a Serena ter usado o feminismo como desculpa, quando ele deve ser sim uma forma de luta. 

Quando falamos de feminismo, falamos numa luta pela igualdade entre pessoas, homens e mulheres. Num mundo perfeito não teríamos que esperar olhar a se um homem ou uma mulher alcançou determinado cargo ou ganha determinado salário. Num mundo perfeito iríamos apenas procurar a pessoa mais qualificada, a pessoa mais trabalhadora, a pessoa mais merecedora, independentemente, se é homem ou mulher. Analisando o caso da Serena Williams ela dá como desculpa que as sanções aplicadas a ela num caso semelhante com um homem não eram aplicadas, ou melhor em situações semelhantes as mesmas nunca foram aplicadas. Ironicamente esta situações, ou este ponto de vista, fez-me lembrar um pouco as birras que temos quando somos crianças. Quando reclamamos por o nosso irmão ter melhor tratamento que nós, ou um colega que é beneficiado numa situação injusta. Nessa altura todos nos ensinam a lutar pelas nossas oportunidades. E acho que é isso que falta ensinar à Serena. A luta pelos nossos direitos não tem de se sobrepor aos outros. Aliás, a nossa luta não tem de inferiorizar ou ser comparada com a dos outros. Nesta situação o árbitro cumpriu com as suas regras e penalizou-a nos momentos adequados e com as sanções por si entendidas. Aliás, até o treinador da Serena admitiu tê-la ajudado, num momento onde não podia. E por isso Serena não podia ter tido aquele tipo de comportamento. Naquele momento ela apenas tinha de acatar e concordar que ao não estar a seguir as regras do seu jogo, teria de ser penalizada. Aliás, esse é o regulamento de qualquer jogo, ou lei e que independentemente do nosso género temos de respeitar. Luta diferente seria a da Serena se ao chegar ao fim de jogo tivesse alertado para situações semelhantes às suas e perante as quais os mesmos árbitros e os mesmos comités não tiveram posição semelhante.

A luta de uma feminista não pode ser a luta que desrespeita regras e leis, apenas porque são mulheres. Não pode ser a luta exclusiva dos direitos das mulheres. Ou apenas e só uma luta aparente.

A luta de uma feminista terá sempre de ser a luta pelo respeito das normas e regras de forma igual perante todos, homens e mulher, ricos e pobres. Terá se ser sempre a luta pela igualdade, não só a dos cargos, a das regras, mas também a da educação e das necessidades básicas. Terá sempre de ser uma luta igual e inclusiva. Terá sempre de ser a luta por todos nós.

Pelos menos é nisto que acredito.


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