CURTAS DOCUMENTÁRIO | EDITH+EDDIE, HEROIN(E), HEAVEN IS A TRAFFIC JAM ON THE 405, TRAFFIC STOP

Não costumava dar muita importância à categoria das curtas nos oscars, mas de há uns tempos para cá eu tenho visto algumas curtas e tenho gostado muito. Este ano decidi ver duas das categorias de curtas. Ficou a faltar as curtas de filme, mas essas não foram muito fáceis de encontrar. Tal como a curta de documentário "Knife Skills" que também ainda não foi fácil de encontrar mas que tem uma premissa muito boa.

Esta é talvez das curtas mais emocionantes das nomeadas. Edith e Eddie conheceram-se aos 90 anos no bingo se a memória não me falha. Já sem os seus respectivos de uma vida encontraram um no outro o abrigo para o seu fim de vida. Em 2014 casaram apesar de tudo e eram felizes. Mas Edith tem a doença de alzheimer e um problema familiar. Ela tem duas filhas e apesar de uma delas aceitar muito bem o novo casamento da mãe, a outra e sua guardiã legal não, e tenta a todo o custo levar a mãe para perto de si e para longe do Eddie. Esta é uma curta ao mesmo tempo tão amorosa e querida como também revoltante. O amor que sentimos entre os dois é tão bonito e engraçado que nos faz mesmo torcer por este casal improvável mas que encontrou novamente o amor aos 90 anos. Mas depois o final é triste porque nós humanos somos capazes de fazer coisas más aos nossos próprios familiares, e apesar de ser uma curta feliz sobre este amor é também uma curta triste pelas consequências de uma atitude e decisão de uma filha irracional. Recomendo muito.

Nesta curta nós vamos encontrar três heroínas que combatem todos os dias a droga heroína e as suas consequências num dos estados onde essa droga mata mais do que outra coisa qualquer e por isso foram precisas tomar medidas muito fortes para a poder combater. Conhecemos então uma chefe dos bombeiros que combate todos os dias no terreno para salvar pessoas com overdoses e outras que infelizmentente não conseguem sobreviver à droga. Temos também uma mulher que combate a droga junto das mulheres que se prostituem para comprar a droga e que a usam numa idade tão jovem. E por fim temos uma juíza que gere um programa de combate à heroína num programa que condena quem usa e vende mas também que coloca os aditos em programas de recuperação, de uma forma leve e descontraída, como nunca vi um juiz ser, mas que é necessário uma vez que falamos de pessoas que estão perdidas na vida, desesperadas e que não acreditam numa  recuperação. Uma curta dura mas que nos ensina algo e isso é tão bom. Recomendo muito também.

Esta foi talvez a curta que mais me surpreendeu, porque o título e o poster não nos remetem para a trama da mesma. Pensei que a mesmo nos ia falar dos problemas do transito na américa, quando sou surpreendida pela história bonita da Mindy. Ela é uma mulher de 56 anos que sofreu a vida toda de depressão profunda. Desde cedo que ela percebeu que não era normal mas não teve uma infância fácil, o pai não aceitava a doença da filha e a mãe ao invés de apoiar a filha apoiou o pai. Ela apesar de tudo, saiu de casa e viveu sozinha na sua luta que envolveu muita medicação e até tratamentos de choque que a fizeram ficar com sequelas gravíssimas como a perda da fala e a recuperação para uma fala mais lenta. Conhecemos uma mulher forte que nos mostra que a depressão é um assunto sério e que nem sempre necessita de ter uma causa. O cérebro e os seus estímulos não precisam de ter uma causa para não funcionarem bem e no caso dela toda uma vida não funcionaram. E depois ela descobre-se quando um gerente de uma galeria de arte a contrata para ela expandir a sua imaginação em desenhos e esculturas. E o seu trabalho é tão bonito e inspirador que eu só posso recomendar esta curta.

Traffic Stop conta-nos a história da Breaion King, uma rapariga que um dia é mandada parar pela polícia e que ao não obedecer de imediato às ordens do mesmo sofre um pequeno incidente que envolve uma agressão por parte do polícia e uma detenção para ela. A curta tenta mostrar que a violência contra negros existe de uma forma irracional, mas também que há polícias que abusam da sua autoridade, bem como as causas que poderiam ter levado uma rapariga professora de matemática a ter o comportamento que teve ao ser mandada para pela polícia. Sim, porque aquilo que à partida seria uma curta a mostrar o lado mau da polícia e a só inocentar a vítima mostra também que a reacção dela ao ser mandada parar não foi a mais correcta. Reagir com violência e logo em histeria quando um polícia está-nos a mandar fazer coisas nem sempre é a melhor opção. Mas depois claro a violência que ele encetou ao tentar prendê-la não a foi a melhor e levou a que este ano após outro incidente o mesmo fosse despedido. Depois a curta é sobre uma afro-americana que foi a primeira da sua família a se formar e a ser professora de matemática, mostra-nos a forma como ela se reergueu de uma situação tão negativa e mostra-nos o lado positivo que ela tirou de tudo isto. A curta poderia ter ido mais além e não adorei a protagonista. Por isso estava à espera de mais.

Estas são algumas das curtas dos Oscars, e eu recomendo muito que as vejam. Cada vez gosto mais de curtas e tenho mesmo de começar a falar mais delas por aqui.


Sem comentários