CINEMA | VISAGES VILLAGES

Parti para este documentário um pouco no vazio. Sabia apenas que envolvia um fotógrafo e uma realizadora e que tinha tudo para ser divertido. E não é que foi mesmo. Um documentário que recomendo muito.
Um documentário de Agnès Varda e JR, duas pessoas que partilham a paixão pelas imagens, por questioná-las e pelos locais e formas de as mostrar e partilhar. Agnes escolheu o cinema. JR escolheu as galerias de fotos ao ar livre. Quando os dois se encontraram em 2015, quiseram imediatamente trabalhar juntos, rodar um filme em França, longe das cidades, viajando com o caminhão fotográfico (e mágico) de JR. Foram falar com outras pessoas, ouviram-nas, fotografaram-nas e, às vezes, postaram. O filme conta também a história da sua amizade que cresceu durante a filmagem, entre surpresas e provocações, rindo das suas diferenças.
O documentário conta-nos a história de amizade improvável de um fotografo na casa dos trinta e de uma realizadora na casa dos 90 que quando se conheceram decidiram fazer uma coisa diferente. Uniram as suas paixões e percorreram o interior da França numa carrinha fotográfica e foram à procura dos olhares e das histórias dos anónimos deixando uma marca colorida para trás. Poderia ser de um animal característico da zona ou das próprias pessoas. Unir as pessoas pelo diferente, pelas suas histórias ou simplesmente por uma fotografia é tão delicioso ver neste documentário.

Não conseguindo expressar muito o porquê de eu ter gostado tanto dele, acho que a sua simplicidade diz tudo. Ele é esteticamente bonito não fosse ele realizado e pensado pelos prórpios protagonistas, mas é tão bonito pelos afectos que ambos criaram um com o outro bem como com as pessoas que eles iam encontrando pelo caminho e que fizeram para eles toda a diferença. São as suas conversas e os seus comentários cheios de pinta e de humor que fazem a diferença e transformam o documentário em algo maior.

É um filme bonito, divertido, amoroso, cómico, agradavelmente surpreendente e acima de tudo um filme que devem ver. Não consigo mesmo falar mais dele a não ser que o vejam porque vale muito a pena.


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