CINEMA | UNA MUJER FANTÁSTICA, ON BODY AND SOUL, THE SQUARE

E chegou a vez de vos falar dos filmes nomeados ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Um dos nomeados o "Loveless" já teve opinião no blog Serão no Sofá e podem ver a opinião aqui, e o filme "The Insult" eu ainda não vi porque até agora ainda não o consegui arranjar e por isso terá de ficar para depois dos Oscars, uma vez que é um filme que eu quero muito ver. Hoje falo-vos dos restantes filmes, cada um com uma premissa muito interessante e que me surpreenderam.


Una Mujer Fantástica é um filme surpreendente, pelo menos para mim foi uma vez que não sabia nada sobre ele. Neste filme conhecemos a Marina e o Orlando, um casal muito apaixonado apesar da diferença de idades e que tal como qualquer outro casal fazem muitos planos para o futuro. Só que Orlando morre de repente e Marina vai enfrentar a hostilidade da família dele que abomina tudo aquilo que Marina é. Quando comecei a ver o filme, e como disse não sabendo de nada, fiquei curiosa com o porquê de tanta hostilidade e foi só quando uma das personagens a chama de  gay é que percebi que Marina é transexual. E o filme trata este assunto de uma forma muito inteligente. Há as pessoas que aceitam, as que não se importam e claro as que abominam e que tudo farão para a destruir. Marina representa tudo aquilo que é ser uma mulher forte, aquela que aceita, assume, se ergue e vai em busca da sua felicidade. Representar num filme uma personagem transexual com uma vida normal é dar alento a um futuro onde essa será uma realidade e normalidade. E eu agradavelmente fiquei surpreendida com o filme e com a sua profundidade. É um filme simples, mas que nos consegue tocar tanto e transmitir tanto. E num ápice passou a ser o meu favorito ao oscar.

On Body and Soul é outra das surpresas nesta categoria de filmes estrangeiros. Também sem saber muito sobre a história, lá parti para a sua visualização. Este filme passa-se quase todo num matadouro de bovinos em Budapeste. Lá Mária, uma mulher solitária acaba de ser contratada para o controlo de qualidade. A sua postura muito metódica e um pouco reservada chama a atenção de todos e até do patrão, um homem mais velho também um pouco reservado. Um dia, após uma avaliação psicológica ambos descobrem que partilham os mesmos sonhos onde são veados a percorrer uma floresta e a partir daí vão desenvolver uma relação não só física mas também mental. E digam lá se esta não é uma premissa muito interessante. Quando o filme começou fiquei um pouco assustada a pensar que seria mais um filme sem grande sentido sobre um matadouro. Mas depois o filme foi avançando e o intercalar da história com os sonhos deixava-me intrigada. Quando percebi o que se passava ali fiquei ainda mais entusiasmada com o filme e posso-vos garantir vale bem a pena. Este é um filme sobre o amor entre pessoas fora do estereotipo do normal, afinal são ambos introvertidos e com hábitos pouco normais. Mas que se unem através das suas almas e mesmo com as suas particularidades percebem que se amam. Claro que o filme é lento, nem sempre é coerente, e acredito que não seja para todos, mas é um filme diferente, com uma ideia original e capaz de tocar muito gente e foi por isso que eu gostei dele.


The Square é talvez para mim o mais estranho dos nomeados. Neste filme acompanhamos o Christian um famoso curador de um museu de arte contemporânea que luta todos os dias para que o mesmo tenha sucesso com as suas exibições. É quando precisamente se está a criar a exibição de "O Quadrado" que o filme se começa a desenrolar. Este é para mim um filme sobre aparências, não só do personagem principal que busca o sucesso mas que acaba por cometer algumas más decisões. As aparências de um museu que acaba por não ter assim tanto sucesso com as suas exibições e que tenta com o quadrado chegar a mais pessoas contratando dois especialistas em fazer campanhas virais na Internet. As aparências de um país onde a pobreza é evidente e a mendicidade ou os sem abrigo também abundam. Confesso que nem sempre gostei do filme, achei-o por vezes desnecessário quanto às suas duas horas. Nem sempre concordei com o roteiro ou com a necessidade de certas personagens, ou cenas. Mas achei acima de tudo provocador nos dias de hoje. Um filme que alerta para a perda de visitantes de um museu, ou de a arte apenas ser para alguns, ou para uma elite que apoia e comparece a certos eventos. Achei provocador nalgumas personagens e alguns acontecimentos e acima de tudo gostei da forma como o mesmo está realizado de forma a nos colocar a pensar com as personagens. Achei a ideia do quadrado muito interessante e até exequível num qualquer museu. E a fotografia do filme é simplesmente fantástica. Mas depois o mesmo perde para as cenas desnecessárias, como a do homem macaco que ao início seria uma cena interessante mas que perde a sua piada quando deixa de ser arte e passa os limites. Ou a cena cómica do preservativo. Cenas que não acrescentam e não dizem nada ao espectador. Enfim, um filme interessante que recomendo, mas que poderia ter sido muito melhor aproveitado. 

E vocês, o que me têm a dizer dos nomeados ao Oscar de melhor filme estrangeiro?



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