CINEMA | THREE BIllBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI

Este foi sem sombra de dúvidas o filme surpresa para mim neste início do ano e dos Oscars. Era um filme que eu não sabia nada e de repente está nas bocas do mundo e a ganhar prémios e com muitas nomeações aos Oscars de 2018. E este é um filme que faz justiça a todas estas nomeações e um que ganhou um cantinho nos meus favoritos deste ano.


Depois de meses passados sem um culpado no caso de assassinato da sua filha, Mildred Hayes executa uma jogada ousada e pinta três cartazes com uma mensagem controversa dirigida a William Willoughby, o venerado chefe de polícia da cidade. Quando, Dixon, adjunto do xerife e menino de mamã imaturo com propensão para a violência, se envolve, a guerra entre Mildred e as forças da lei em Ebbing entra numa nova fase.
Mildred é uma mulher amargurada pela morte da sua filha. Ela que foi assassinada uns meses antes do início da trama do filme, acaba no esquecimento da polícia por falta de provas. Mas Mildred não esquece e faz questão que mais ninguém esqueça na pacata cidade onde vive ao alugar três cartazes à beira de uma estrada por onde ninguém quase passa, e onde coloca mensagens provocativas para a polícia. O desfecho é imprevisível, mas o objectivo de agitar as águas foi cumprido.

Ver este filme, é pensar em milhões de casos por este mundo fora que nunca encontram a sua solução e que nem sempre têm o apoio da polícia. E é pensar também em todas as mães que lutam desesperadamente por perceber o que realmente aconteceu, vingar a morte dos seus entes queridos e colocar um ponto final em todo o sofrimento. A protagonista é uma protagonista pouco provável, meio dura demais, meio despreocupada demais. Daquelas pessoas que não ligam muito para o que está à sua volta enquanto perseguem um objectivo. E saber o que aconteceu à sua filha é o maior deles todos. No caminho ela encontra um polícia na luta com um cancro. Um polícia racista. Uma cidade conservadora e que não acatará muito bem a sua luta. Acima de tudo é um filme duro que nos confronta com inúmeras realidades que quando conjugadas acabam por ferir toda a gente e por deixar estilhaços que provocam dores incuráveis.

O filme conta com uma banda sonora fantástica e com uma fotografia muito bonita, para além de utilizar muito bem em todo o filme a cor vermelha, quer seja nos cartazes, ou nalgum edifício ou rua e eu achei isso muito interessante. Mas aquilo que salta à vista são as interpretações neste filme, que são fantásticas e conseguiram dar aos três grandes protagonistas do filme uma nomeação. Todos neste filmes estão impecáveis, desde a grande líder, aos dois polícias que embrenhados nas suas dores desempenham um papel credível e comovente ao espectador. Ao filho da protagonista que apesar de ter um papel bem secundário acaba por ser fundamental ao nos mostrar o que é ser deixado de lado por uma mãe em busca de respostas. Ou o anão da cidade que nos poucos momentos que entra acaba por fazer sim a diferença.


Um filme que vale muito a pena ser visto e que é um dos fortes candidatos a ganhar o oscar de melhor filme. 

E vocês? Já viram o filme? O que acharam?

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