CINEMA | STRONG ISLAND

Este documentário já me tinha despertado a atenção antes mesmo das nomeações aos Oscars. A netflix tem o hábito de lançar produções sobre crimes não resolvidos muito interessantes e das quais eu costumo gostar muito. Esta apesar de não me ter cativado como outras, ficou com um lugar especial e acredito que é um documentário que vale a pena ser visto.
Relembrando e analisando a morte violenta do irmão de 24 anos de Yance Ford e o sistema judicial que permitiu que o homem responsável pelo homicídio permanecesse livre, a cineasta Yance Ford questiona o medo e reflecte sobre a percepção sobre a raça, preconceito, tristeza, raiva e impunidade. 
Este documentário conta-nos a história de uma família negra que acaba por singrar na vida e por não acreditar que é a cor da pele que nos define enquanto pessoas. Pelo menos é assim que eles pensam e é assim que educam os seus filhos e se posicionam na sociedade. A matriarca da família foi professora, directora de uma escola e até funcionária de uma das prisões de maior risco de Nova Iorque onde ensinava reclusos. Um dia um pesadelo bate-lhes à porta quando percebem que o seu filho mais velho tinha acabado de ser assassinado. Mas mais do que isso, a pessoa que teria cometido o homicídio não foi preso e nunca foi acusado de nada, mas sim ilibado por legítima defesa. Este documentário mais do que contar mais uma história de descriminação racial, e de um homicídio por resolver dos EUA, é a história riquíssima de uma família que se desmoronou depois deste incidente e que perdura até hoje.

Este é um documentário muito familiar e eu gostei tanto disso. Ao longo do filme conhecemos toda a história da família e ouvimos da boca mesmo da mãe da realizadora, que infelizmente no final do documentário estava em coma, toda essa história. Percebemos que mesmo eles vivendo numa época onde os negros eram ainda marginalizados eles conseguiram ser felizes e realmente ter um impacto na vida deles e na da comunidade. Ver a sua história e as suas fotografias e saber que havia gente com interesse em educar e ensinar os reclusos mais perigosos de Nova Iorque é mesmo de louvar. E mesmo que o documentário nos mostre que a vítima não fosse assim tão inocente e que a mesma até tenha influenciado um pouco o resultado final, a mesma merecia um julgamento justo e as mesmas oportunidades que um seu igual. Histórias sem fim, sem um culpado, e sem explicações são sempre as piores e esta família só queria perceber o porquê, mesmo sabendo que nem tudo tinha sido só a parte contrária.

Tal como a netflix já nos habituou esta é uma produção muito boa, cheia de factos e informações e com uma edição fantástica que nos leva mesmo a querer ver tudo e perceber tudo.


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