CINEMA | ROMAN J. ISRAEL, ESQ.

Confesso que só vi este filme porque o mesmo está nos Oscars com a nomeação do Denzel Washington na categoria de melhor actor principal. Isto porque eu nem tinha conhecimento do filme. Mas quando fui espreitar o seu trailer e vi que o mesmo falava de um advogado fiquei logo curiosa. Hoje falo-vos dele.

Roman J. Israel (Denzel Washington) é um advogado idealista e determinado que faz de tudo para conseguir um julgamento justo para os seus clientes. No entanto, quando é demitido da sociedade de advogados, Israel entra numa espiral de desilusão que culmina no seu encontro com George (Colin Farrell), dono de um poderoso escritório de conselheiros jurídicos. Com a promessa de obter sucesso, dinheiro e luxo na vida, o advogado aceita a proposta de George, mas o que Israel não sabe é que ele está a entrar numa verdadeira armadilha.
Roman é um advogado à antiga. Ele praticamente não utiliza as novas tecnologias e prefere andar a pé numa cidade onde os transportes públicos não abundam. Ele utiliza a memória e cartões auxiliares para preparar os seus casos e assim ter uma ideia fotográfica de todos ou quase todos os casos do seu escritório. Quando o seu sócio entra em coma ele vê-se obrigado a assumir o seu papel e aí conhecemos um advogado cheio de garra e com vontade de defender os seus clientes para além do defensável. À partida ele é alguém com princípios e que procura ajudar o próximo. Apesar de ter alguns problemas psicológicos, os mesmo não o deixam de ser a pessoa que é. E quando o seu sócio morre e ele vê-se sem oportunidades acaba por agarrar a maior que lhe aparece e tornar-se na pessoa que ele nunca imaginou poder tornar-se.

Para mim este filme mais do que um bom drama de advogados e um pouco de suspense, é mais um filme sobre ética. Há certas profissões na vida onde a ética profissional impera e tem de ser cumprida. Quando um advogado beneficia ou prejudica alguém em seu belo prazer está a violar a ética e tornar-se não só uma má pessoa mas um péssimo advogado. E este é para mim um grande retrato disso. Temos um homem simples, averso a novas tecnologias, que nos poucos recursos que tem defende uma advocacia pelos mais pobres e desfavorecidos e acima de tudo uma justiça melhor para todos. Mas quando o dinheiro falta, ou quando ele está ali mesmo à mão de semear ele vai abandonar os seus princípios e tornar-se na pessoa que ele não gosta.

Mas o filme apesar de ter uma boa ideia e de a mesma até ter sido conseguida, acaba por perder ao não dar um rumo definido à história. Ao não termos histórias encerradas, lições mais aprimoradas, um fio condutor que desse ao espectador mais entusiasmo ao avançar com o filme. Assim ficamos apenas com grandes interpretações, às quais estamos já habituadas, e um roteiro algo interessante. Denzel Washington assume o papel de um advogado assertivo mas com problemas, que nem sempre vai conseguir manter a sua palavra. E ele interpreta-o de um forma exemplar, desde os jeitos, à forma de andar ou às expressões faciais, ou seja, o melhor deste filme.


Um filme que acredito não agradará a todos, mas que recomendo aos fãs de histórias jurídicas.

2 comentários

  1. Vi no dia de Carvaval e não gostei. Só da interpretação do Denzel que até a declamar a lista telofonica tem arte. De resto achei as histórias muito desconexas e que não me permitiram entrar no filme como devido.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim não é um filme perfeito e acho que não agradará a todos..
      E sim o melhor do filme é mesmo a interpretação do Denzel..
      Beijinhos*

      Eliminar