CINEMA | I, TONYA

Quando parti para a visualização deste filme confesso que não sabia muito sobre ele, apenas que era sobre uma patinadora. Mas quando o filme começou e eu percebi que o mesmo era sobre uma pessoa real, que era o retrato de uma ex-patinadora norte americana ainda fiquei mais entusiasmada e no fim ficou um filme que me surpreendeu. 
Retrato, por vezes absurdo, trágico e hilariante, da mulher no centro do maior escândalo de sempre na história da patinagem artística. Tonya Harding (Margot Robbie) colocou o seu futuro no desporto em risco quando se envolveu num violento ataque à sua maior rival, Nancy Kerrigan, pouco antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994, em Lillehammer.
"I, Tonya", é um filme baseado na história de Tonya Harding, uma menina que um dia teve o sonho de ser patinadora de gelo e que até tinha uma apetência natural para aquela arte. A mãe dela viu nisso uma oportunidade de vida, e apesar de não ser a melhor mãe do mundo lá a acompanhou nessa jornada. Apesar de todo um talento natural e de trabalho para a patinagem, Tonya vinha de uma família disfuncional, onde a violência reinava e quando um namorado ainda mais disfuncional se junta ao panorama a vida dela fica para sempre uma autêntica barafunda. Porque apesar de ela ser muito boa naquilo que ela fazia e de até ser a única norte americana a fazer um movimento muito difícil na patinagem, a sua imagem, a sua atitude, o seu passado familiar não ajudaram nunca a vida profissional dela. Muito menos quando inesperadamente uma colega da equipa de patinagem é atacada e quase impedida de participar nos jogos olímpicos. 

Quando comecei a ver o filme não sabia, como já disse, que o mesmo era baseado numa história real. E quem me conhece sabe que adoro uma boa polémica, e por isso quando vi no início do filme que o mesmo era baseado em algumas entrevistas, eu saltei logo para a internet e pesquisei tudo o que consegui sobre esta figura. E à medida que o filme ia-se desenrolando eu ia ficando cada vez mais intrigada com esta história, porque o que eu via no ecrã era o retrato de uma menina que apesar de ser muito boa na patinagem e de ter a ambição de ser uma super estrela, não passava também de uma menina muito carente e fruto de toda uma vivência de violência e pobreza, falta de amor e de apoio. O essencial a uma pessoa que queira prosperar num mundo tão competitivo, foi essencialmente aquilo que lhe faltou a ela, uma estrutura, que a fizesse se focar e ir mais além, e não apenas se contentar com aquilo que estava à sua volta, nomeadamente o marido abusador e meio louco.

Para além de ser um filme sobre a história de uma das figuras norte americanas, e de um dos acontecimentos do desporto profissional, este é um filme cheio de muito boas interpretações. É fantástico ver a Margot Robbie a interpretar a Tonya de uma forma tão fantástica e tão real, nas suas mais variadas facetas, desde a amorosa, à mais rebelde, ou até à mais violenta. Outra das interpretações fantásticas coube a Allison Janney ao interpretar a mãe de Tonya, principalmente numa intrevista icónica com um periquito ao ombro. 

O filme ganha também com a sua imagem, guarda roupa, e edição alternada entre as entrevistas e filme. Um filme que enche o olho, e que foi também a oportunidade de a Tonya da vida real poder contar a sua versão dos factos, que pelos vistos, nunca tinham sido muito bem contados. Eu gostei muito e concordo com todas as nomeações que têm dado ao filme.


Um filme a não perder.

2 comentários