CINEMA | AMÉLIE

Há imensos filmes na minha lista do ‘a ver’, não fosse eu ainda nova e só agora estar a investir a 100% na minha paixão cinematográfica. E este era mais um dos filmes dessa lista. Na maratona Cine Serão Expresso quis resolver essa falha e vi o filme. E claro que ficou um dos meus favoritos da vida e um que quero que me acompanhe ao longo da minha vida.

Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie (Audrey Tautou) muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como empregada de um café. Certo dia encontra uma caixa escondida na casa de banho da sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo ­ e é assim que encontra Dominique (Maurice Bénichou). Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objecto, Amélie fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Contudo, ainda sente falta de um grande amor.

Amélie é uma rapariga tímida, mas normal, que se muda para Paris e arranja trabalho como empregada de mesa. Tudo corria bem na sua pacata vida quando um dia encontra na sua casa uma caixa cheia de objectos possivelmente deixada pelo anterior dono. Logo ela toma uma decisão procurá-lo e entregar-lhe a caixa. Quando isso acontece a reacção da pessoa é tão boa que Amélie muda e decide começar a praticar o bem ajudando os outros e fazendo justiça com os injustos. É também a partir desse dia que ela vai encontrar o amor e vive-lo de uma forma peculiar. E este foi para mim uma das maiores surpresas dos últimos tempos em termos de filmes. Toda a gente falava bem dele e ele já estava na lista dos filmes para ver à algum tempo e não sei porquê mas andava sempre a adiar a sua visualização. Não sei se era por medo de não gostar de um filme tão aclamado, ou porque. O que é certo é que depois de o ver só dizia para mim, porque o não viste mais cedo.

Amélie é uma personagem bastante interessante. Tímida e recatada tem problemas em se relacionar com os outros. Não é muito dada a amizades ou a contactos pessoais, mas a partir do caso da caixa perdida ela muda de posição e torna-se um pessoa mais próxima dos outros quanto mais não seja na observação dos seus problemas e na tentativa de os ajudar. Na aproximação de casais, na vingança contra um patrão muito mau, na companhia a um vizinho solitário, todos vão fazer a diferença na vida uns dos outros. E só por si esta trama já enche o filme. A actuação de Audrey Tautou é espectacular cheio de mistérios, silêncios tocantes, passagens cómicas e até aventureiras, olhares meio que como se estivesse a falar com o espectador e sorrisos intrigantes. Ela enche o filme e torna-o dela, ou não fosse este o seu filme. Mas é também o conjunto da realização e da fotografia, que ao aliar um tom meio que antigo e a chamar Paris o torna mais especial e mais nostálgico quando se vê. A realização chama o peculiar, o divertido, o melancólico, o mais mais excêntrico da trama, muito pelos personagens secundárias que também o são e formam um filme divertido mas também cheio de história e de histórias. E por último e não menos importante temos claro a tão famosa banda sonora. O acordeão protagoniza o papel principal nesta banda sonora e é tão mas tão especial, divertido, triste, mas poderoso ao mesmo tempo. Inevitavelmente bandas sonoras como estas perduram no tempo e ficam na memória, não fossem elas tão especiais como são os filmes onde habitam.





É com certeza um filme do qual me é difícil falar de tanto que eu gostei dele, mas é um filme que recomendo muito que vejam, porque acho que o vão adorar tanto como eu.

2 comentários :