BOOK | 'ANA KARENINA' DE LEO TOLSTOY


Os clássicos fazem cada vez mais parte da minha vida e cada vez mais gosto de os descobrir, de os ler e de os guardar na minha memória. ‘Anna Karenina’ é um livro que intimida, pelo tamanho e por ser de um autor Russo. O tamanho foi um entrave para mim, não tivesse eu demorado quase meio ano para o ler. Já o facto de ser de um autor Russo acabou por ser uma boa experiência para mim. E hoje vou tentar passar para esta opinião tudo o que senti a ler este grande clássico da literatura.

Anna Karenina é uma das mais complexas histórias que já li. Apesar de se focar em dois romances protagonistas, o triângulo Anna Karenina, Karenin e Vronsky e o triângulo Kitty, Levine e Vronsky, este livro é muito mais dos que esses romances. Este é um livro crítica à sociedade da Rússia, tanto da sua aristocracia como da sua população mais pobre em particular a agricultura. Tudo começa com a apresentação de Anna Karenina numa viagem a Moscovo onde tem o primeiro contacto com Vronsky e é aí que a paixão surge. No entanto ele já andava de olho em Kitty e a espalhar a ideia de que poderiam casar. Mas com a chegada de Anna tudo muda inclusive as ideias de Vronsky. Kitty acaba por apanhar o maior desgosto da vida dela para muita pela de Levine grande apaixonado por ela. Este é então o grande mote para o início desta história.

Começando pela personagem que menos gostei, mas que trás ao livro uma história importante, Anna Karenina é casada e mãe de um filho, mas acaba a apaixonar-se por Vronsky um militar com influências e os dois acabam a viver um relacionamento extraconjugal. A princípio tentavam esconder de toda a gente, mas isso foi impossível e o mesmo acabou por ser descoberto. E é aqui que surge a primeira crítica à sociedade. Tolstoy tenta-nos mostrar que os relacionamentos fora do casamento não eram assim tão estranhos à sociedade, que existiam sem grandes pudores, mas que, apesar de tudo, o casamento era para ser honrado, não no seu significado literal, mas na parte do compromisso. Prova disso é o facto de Karenin deixar que Anna viva o seu romance mas nunca lhe dando o divórcio nem o acesso ao seu filho. Anna é também uma personagem bastante perturbada, sem saber bem o que quer, vivendo um pouco loucamente as situações e irritando-me ao longo do livro com as suas atitudes e falta de coerência. O final dela, apesar de inesperado, fez para mim sentido por tudo aquilo que já achava dela. Por outro lado Karenin é tudo aquilo que os homens à época o eram. Tentando manter as aparências e a culpa em quem violou o casamento. E por último neste triângulo temos Vronsky, uma personagem que ao se apaixonar por Anna acaba por viver a vida um pouco loucamente a par dela, mas rapidamente começa a se aperceber da personalidade dela e querer fugir um pouco do relacionamento.

Passando para os outros protagonistas temos então a Kitty, a descendente da aristocracia. Vê em Levine um homem bom, mas acaba por se apaixonar por Vronsky e apanhar a maior desilusão da vida quando este não a pede em casamento, dando ao mesmo tempo o desgosto a Levine ao não querer nada com ele. Separados ambos levam caminhos diferentes, ela entrega-se à tristeza e vive meia deprimida, ele regressa ao campo e começa a viver os problemas dos agricultores de uma forma intensa. E é aqui que o livro começa a sua grande crítica aos trabalhadores agrícolas, ao sistema agrícola Russo, aos patrões, às condições de trabalho e Levine começa a ser uma voz activa deste problemas todos quando começa a se aperceber, por se dedicar àquela vida e ver os reais problemas porque eles passam. Tudo fica bem para eles quando se reencontram tempos depois e percebem o seu grande amor, protagonizando um dos momentos mais românticos e divertidos do livro. Este foi o meu casal favorito do livro e Levine o meu personagem preferido.


Nada do que disser nesta opinião vai fazer jus a este livro, porque ele é complexo demais, porque existem muitas personagens, muitas histórias paralelas, muitos acontecimentos importantes. Muitas voltas e reviravoltas. E foi por isso um livro que me surpreendeu por tudo isto que ele trás, as personagens, as histórias, as temáticas, as críticas. Mas foi ainda mais surpreendente a sua escrita. Quando pensava em autores russos pensava sempre em escritas pesadas e de difícil leitura e quando peguei neste livro fiquei surpresa ao perceber que a escrita era maravilhosamente leve, fluída e de uma envolvência que eu não estava à espera. Mas claro que apesar de tudo isso foi para mim um livro que requereu tempo por ser um livro extremamente grande, pesado e que não me permitia o transporte para todo o lado. 
 
É um livro que recomendo, um autor do qual vou querer ler mais coisas, principalmente o seu aclamado ‘Guerra e Paz’ que tanta curiosidade me anda a despertar. Leiam.

 


2 comentários :

  1. Já li o Guerra e Paz há uma boa meia dúzia de anos, tem os seus momentos, acho - metade é bailes, drama, telenovela, a outra metade é guerra e descrições históricas meio maçudas. É uma boa leitura, não me leves a mal - mas acho que intimida mais pelo tamanho que pelo conteúdo. Já o Anna Karenina comprei este ano na Feira do Livro e não sei ao certo quando lhe pego, mas espero que seja para breve!

    http://barbarareviewsbooks.blogspot.com/

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    1. Sim o Gerra e Paz intimida muito pelo tamanho, mas como agora li o Ana Karenina estou com alguma curiosidade para o ler..
      Espero que gostes do Ana Karenina..
      Beijinhos*

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