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PIPOCAS, ÓSCARES, ACÇÃO | THE APARTMENT


Hoje estamos de volta para a rubrica “Pipocas, Oscars, Acção” com o filme ‘The Apartment’ de 1960. Esteve nomeado aos Oscars no ano de 1961 a concurso com os filmes ‘The Alamo’, ‘Elmer Gantry’, ‘Sons and Lovers’ e ‘The Sundowners’, tendo-se sagrado o grande vencedor o filme escolhido para a opinião de hoje.


Um funcionário ambicioso (Jack Lemmon) descobre um atalho para subir na companhia em que trabalha: ceder o seu apartamento para os encontros amorosos dos seus chefes. A táctica inicialmente dá certo, mas passa a ser ameaçada quando ele se apaixona pela amante de um dos seus chefes (Shirley MacLaine).



Este filme gira assim em torno de um apartamento, propriedade de C. C. Baxter funcionário de uma grande companhia de seguros. Solteiro e sem vida social activa vê na cedência do seu apartamento aos chefes do seu trabalho uma forma de sociabilizar com eles e de poder subir na carreira. Esta não é uma actividade que ele goste, uma vez que só lhe dá problemas. Passa noites sem dormir em casa, gasta imenso dinheiro nos desejos dos seus chefes e todos os vizinhos do seu prédio acham que ele é um garanhão e começam a deixar de lhe falar. Tudo começa a mudar quando ele se apaixona por uma ascensorista do prédio onde trabalha (pessoa encarregue de acompanhar as pessoas nos elevadores) e vem a perceber que ela é amante do seu patrão.

Esta é uma história simples, passada em poucos cenários e com uma história que à partida parece não ter grande profundidade. Ela é leve e divertida, muito à custa de Jack Lemmon a interpretar C. C. Baxter um trabalhador ambicioso, divertido, bom carácter e que enche a tela e a história de forma a nos entreter e a passar toda a sua grande mensagem. Mas a história também é profunda e acarreta algumas críticas à sociedade muito interessantes. Desde logo ao sistema de trabalho da altura. Vemos C. C. Baxter a trabalhar numa companhia de seguros como contabilista, o seu local de trabalho é numa sala cheia de trabalhadores, organizados em filas e mais filas, um local onde o trabalho em massa já era privilegiado. Vemos também neste filme a ambição de uma pessoa que prefere abdicar de um bem estar pessoal e procura se corromper em busca de alcançar um bem maior, a sua promoção no trabalho. O problema e, aquilo que vemos ao longo do filme, é que para isso ele tinha que passar para um papel de subserviente e às tantas parecia que ele não era mais o dono do apartamento era sim alguém que o limpava e preparava para o próximo chefe o poder utilizar. Essa subserviência é notada ao longo do filme e é também algo que vai mudando no personagem principal à medida que a história avança e que as suas circunstâncias também mudam. Temos depois a temática social da traição e dos chefes do C. C. Baxter que utilizam o apartamento para esses encontros e vemos também aqui algumas características da sociedade e aqui algumas até transversais aos nossos tempos. Temos o homem e a mulher que não ligam à questão da traição, porque se divertem acima de tudo com a situação, e temos depois a relação de patrão-empregada, em que a empregada se apaixona e o patrão faz juras de amor, promete que vai deixar a mulher e nunca a deixa. E voltamos por fim ao personagem principal que ao longo do filme e de tudo aquilo que lhe vai acontecendo vai também mudar as suas ideias e perspectivas, passando assim de um homem subserviente  para alguém com ideias e acima de tudo com carácter.


Gostei muito deste filme. Surpreendeu-me pela positiva porque não sabia muito bem ao que ia e tentei não saber muito sobre o filme antes de o ver. É um filme já de 1960 e por isso é um filme que apesar de ser a preto e branco se nota uma evolução na sua realização, e nas suas partes mais técnicas e por isso acaba por não ser enfadonho nas suas duas horas de filme. E da minha parte, preferi que o filme fosse a preto e branco porque ando a descobrir um amor por este tom nos filmes, acho que lhe da um certo ar de magnetismo. Gostei do roteiro, como digo é um filme envolvente e que acaba por nos envolver na história, tentando perceber qual vai ser o próximo passo. E gostei também muitos dos personagens. C. C. Baxter é um homem ambicioso que olhou para uma oportunidade de subir na carreira e agarrou-a. Mas é também um homem de sentimentos, que quando se apercebe que aquilo que faz prejudica mais do que beneficia sabe se impor e mudar a situação, é para além disso um personagem algo cómico e algumas das cenas onde a comédia e o romance estão juntos são das melhores do filme. Gostei também da Fran Kubelik, que é a mulher ingénua que acredita no amor da sua vida, mesmo que ele seja o patrão, casado e pai de filhos. É uma personagem também cómica e que vai protagonizar ao longo do filme uma cena muito importante para a toda a trama. 
Este é também um filme romântico, ainda que o romance acabe por ser um pouco secundário e florescer um pouco que encoberto. É no entanto algo interessante de se ver porque acaba por ser algo natural e que nasce das piores circunstâncias. Foi algo que gostei de ver porque acredito que tudo aquilo que aconteceu ao longo do filme fez crescer as duas personagens culminando num amor mais forte e mais verdadeiro.


Um filme que recomendo.
Vejam a opinião da Catarina aqui.

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