OSCARS 2017 | A GRANDE CERIMÓNIA

O ano passado vi pela primeira vez a cerimónia em directo e foi uma experiência fantástica. Este ano queria fazer o mesmo, mas não consegui. Por isso ontem fiz um dia inteiro sem internet porque não queria saber nada, e fora um ou dois momentos onde poderia ter descoberto o grande spoiler da noite, consegui não saber nada e ser surpreendida à noite quando cheguei a casa e pude ver a gala. Confesso que não adorei por completo a gala, mas surpreendeu-me no sentido de ter sido mais calma e emotiva do que estava à espera. O Trump e todas as suas leis e ideias estiveram lá, mas em menos doses do que esperava e através de mensagens bem mais bonitas e emocionantes o que ainda aprimorou a noite. Continuando a tradição que iniciei o ano passado, e que espero continue por muito tempo, hoje estou aqui para vos falar um bocadinho do que foi esta grande noite onde o cinema foi homenageado.

A noite começou com uma grande actuação e performance do Justin Timberlake ao interpretar a sua música e nomeada a melhor canção original "Can't stop the feeling", e que óptima maneira de iniciar a noite. Foi uma actuação que levou mesmo boa energia e alegria ao Dolby Theatre, pôs toda a gente de pé a dançar e a cantar e foi um dos momentos altos da noite.

Este ano a apresentação dos Oscars esteve a cargo do comediante Jimmy Kimmel. Este é um comediante bem ao jeito norte americano, com direito a um programa com o seu próprio nome. Não o conhecia bem até estes Oscars e confesso que gostei do que vi. Enfrentar uma plateia como a daquele teatro não é fácil e ele transpareceu muita sabedoria naquilo que estava a fazer, mesmo no momento final, que a coisa poderia ter descambado ele manteve o humor e boa disposição que aquele momento poderia ter. As suas piadas, tinham quase sempre piada. Poderei ter achado alguns momentos exagerados contra o Trump, Meryl Streep foi também um dos maiores focos da noite nesse quesito, e às vezes acho que as coisas são demasiadamente exploradas. No entanto acabei por gostar dele como apresentador. 

Os cenários dos Oscars são também uma das coisas que acabo por reparar sempre. Se o ano passado tinha adorado, inclusive por que conseguiram trabalhar muito bem com eles e com a apresentação dos nomeados, este ano não os consegui adorar. Gostei deles, havia ali um com os Oscars em pedrarias que mudava de cor, mas de resto não consegui adorar. Achei que este ano também não conseguiram trabalhar tão bem os cenários na apresentação dos candidatos, nomeadamente com adereços e até com imagens. Achei as montagens em vídeo muito pobres. Deve ter sido mesmo o que menos gostei da noite.

Mas se por um lado os cenário da apresentação não foram os meus favoritos, os momentos musicais foram. Começamos logo no início da gala com a música do filme Trolls e seguiram-se Auli'i Cravalho com "How far i'll go" do filme Moana e John Legend com um medley de "City of Stars" e "Audition". Quanto à primeira da Auli'i Cravalho o momento foi perfeito, digno do filme Moana. Um cenário maravilhoso, com uma coreografia espectacular e uma voz de uma menina de 16 anos extraordinária. Enfrentar aquela plateia com aquela idade e fazer o espectáculo que ela fez é qualquer coisa, ainda para mais quando acabou por levar com um dos adereços dos bailarinos e continuou como se nada se tivesse passado. Quando à performance do John Legend, foi simplesmente maravilhosa, e consegui gostar mais das músicas cantadas por ele do que pelos actores no filme. O cenário e os bailarinos estiveram realmente espectaculares e levaram-nos mesmo para o filme La La Land. Confesso só que gostava de ter visto a Emma Stone e o Ryan Gosling a contarem visto que as músicas eram deles e as músicas nomeadas não eram na voz do John Legend. De referir ainda a actuação de Sting a interpretar "The Empty Chair", de um modo bem intimista mas muito emocionante.

As cerimónias dos Oscars já nos habituaram às suas cenas mais divertidas e insólitas, envolvendo comida ou outras coisas. Este ano Jimmy Kimmel surpreendeu a plateia com doces e donuts a caírem do céu, e foi um momento divertido. Outro dos momentos altos da noite foi a partida aos anónimos que iam no autocarro e que entraram gala adentro. São momentos que servem para encher chouriços, mas também para divertir não só quem lá está, mas os milhares de pessoas que vêm a cerimónia um pouco por todo o globo.

Outro dos momentos altos da noite foi ver o Jackie Chan nos Oscars finalmente com um para chamar de seu. Foi na gala dos Governor Awards que ele recebeu o prémio honorário pelo conjunto da sua carreira, pelos seus 56 anos na indústria do cinema e pelos mais de 200 filmes. Foi um momento divertido e emocionante.

Estes Oscars tiveram uma boa dose de emoção e de homenagens. Foi a par da comédia o que esteve mais em alta. Um desses momento foi a homenagem que o elenco principal fez às protagonistas reais do filme Hidden Figures com a presença em palco de Katherine Johnson a única das três protagonistas reais ainda viva. Um momento bonito e emocionante. 

Tal como foram para mim estes dois discursos. Viola Davis nunca nos desilude e conseguiu por a lágrima ao canto do olho pela emoção que ela nos transmitiu ao agarrar aquele Oscar. Não atacou ninguém, apenas agradeceu e fê-lo de uma forma tão bonita. Tal como o fez o Asghar Farhadi, que como forma de protesto não compareceu na cerimónia, mas que através do seu discurso naquele papel disse tanto. Existiram outros discursos marcantes para mim, como o dos vencedores da curta de documentário The White Helmets ao transmitirem as palavras do chefe da organização, ou o discurso do realizador da curta Sing. 

Um dos momentos mais emocionantes da noite cabe sempre ao espaço onde se homenageiam as pessoas ligadas ao cinema que já partiram. Nunca vou perdoar a academia por se terem esquecido do Manuel de Oliveira e este ano parece ter sido o ano das gaffes. Não é que colocaram a fotografia da produtora Jan Chapman com o nome da figurinista Janet Patterson, quando a primeira ainda está viva. Enganos à parte foi, como sempre, um momento emocionante desta vez com Sara Bareilles, uma das minhas cantoras favoritas a dar voz a este momento. 

E claro o grande momento da noite, aquele que vai ficar para sempre marcado na história dos Oscars, a troca do nome do grande vencedor do melhor filme. Como não vi em directo não sabia o que tinha acontecido, e quando vi aquilo ali a acontecer à minha frente eu nem queria acreditar, imagino quem viu aquilo em directo. Não queria que La La Land ganhasse o grande título, não acho que merecia, mas achava que a academia lhe ia dar o prémio. Quando vi a hesitação do anúncio do filme comecei a estranhar, mas pronto podia ser alguma manobra de comédia. La La Land sobe ao palco, para muito desgosto meu, quando se começa a sentir um burburinho, umas pessoas do staff lá atrás e eu a ver aqui e a dizer, isto não está a acontecer, não nuns Oscars. Quando um dos membros da equipa do filme La La Land, bem exageradamente anuncia mesmo que o vencedor é Moonlight e que os cartões estavam trocados. Acho que a academia esteve muito bem ao dar como vencedor o Moonlight, apesar de não o ter adorado, é uma história que merece ser contada. E vai ficar para sempre marcada pela gala em que venceu. Um momento mesmo histórico, e claro que a internet e todos já começamos a fazer das nossas com este pequeno, grande, engano.


Gostei da gala, não a adorei, achei que lhe faltou mais produção ao nível de palco. Mas foi uma gala muito importante em termos de dinâmica de discursos e chamadas de atenção para certos assuntos. A gala acabou por funcionar muito bem e por ter momentos muito interessantes.E espero que para o ano se consigam superar e esquecer os pequenos erros deste ano.


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