CINEMA | A MAN CALLED OVE, TONI ERDMANN

E estas são então as últimas duas opiniões antes da grande noite dos Oscars. Acho que consegui fazer um bom acompanhamento em termos das categorias principais e acredito que poderão ter uma ideia geral dos grandes nomeados. Hoje trago-vos a opinião de dois filmes nomeados na categoria de melhor filme estrangeiro. Para esta categoria ainda queria ter visto o filme The Salesman, mas como o mesmo ainda não estreou por cá ainda não o pude ver. 

A Man Called Ove
De todos os filme nomeados na categoria de melhor filme estrangeiro este era o que mais me chamava à atenção e aquele que queria mesmo ver. A Man Called Ove conta-nos a história do Ove, um homem rabugento e que se acha o zelador da espécie de condominio onde vive. Um dia Parvaneh, uma mulher grávida, e a sua família mudam-se para a vizinhança e a partir daí tudo muda. Confesso que adorei o filme e é o meu favorito na corrida ao Oscar da sua categoria, não estava à espera que ele me tocasse tanto, mas fê-lo. Ove é um homem muito mal humurado e que parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga, mas que no fundo tem um coração do tamanho do mundo, só que a vida ensinou-o a ter assim um lado mais durão, mais frio e mais proteccionista dele mesmo. Um filme que fala sobre pessoas, sobre todos nós e sobre como as pequenas coisas da nossa vida dão grandes filmes. Quem nunca teve, um vizinho, um conhecido, alguém na sua vida que fosse tal e qual o Ove, e eu gostei dessa realidade. Adorei que o filme fosse nos contado em forma de flashbacks e essa tem sido até uma das técnicas mais usados no cinema nos últimos tempos, mas que senti que fazia sentido também nesta história. Perceber o porquê de o Ove ter a personalidade que tem faz muito sentido e aproxima o espectador à história e também aos diversos temas apresentados. O filme aliás é perito em alertar para várias situações como a velhice, a deficiência, a perda de um filho e até o suicidio. É um filme que balança bem entre os momentos mais dramáticos, cómicos e ternurentos, que me arrebatou. Depois de ver o filme fiquei com uma enorme vontade de ler o livro que lhe deu origem e é por isso um filme que recomendo muito.



Toni Erdmann
Ao contrário do filme que acabei de falar em cima este era o filme que menos curiosidade tinha para ver dos nomeados aos Oscars, tanto na categoria de melhor filme estrangeiro, quanto até de um modo geral. A história não me atraia muito e o facto de ter quase 3 horas de duração ainda menos. E talvez seja eu a do contra, mas não gostei lá muito deste filme. Toni Erdmann conta-nos a história da relação um pouco falhada entre pai e filha. Winfried, depois Toni, o pai, decide visitar o filha em Budapeste cidade onde ela vive e trabalha, numa tentativa de reconciliação com ela. Para isso ele vai usar o seu bom-humor e tentar que Ines volte a ser a filha dele. Este é um filme que tem uma premissa muito interessante, a relação falhada entre pai e filha, uma relação muito conturbada porque ambos não podiam ter menos a ver um com o outro, é aquilo que nos faz estar 3 horas em frente de uma tela à espera de ver efusão, calor, humor e um final feliz. E, na minha opinião não é bem isso que vemos ao longo do filme. Vemos uma filha que tem alguma vergonha do pai por ele ser um bocadinho alternativo e por não ter vergonha de abraçar esse estilo de vida, ao contrário dela que vive para o seu trabalho, num local muito restrito e onde ela tem que sobreviver para alcançar uma posição melhor. Até aqui nada de contrário não fosse o filme ser muito arrastado, muito frio e algo estúpido em certas situações. Compreendo o exagero, mas achei por vezes demais. Houve certas situações que gostava de ter visto mais exploradas, outras nem sequer existentes. E talvez compreenda o porquê de não ter adorado porque confesso não sou a maior fã de filmes alemães. Compreendo a história e o poder que ela tem, o filme apenas não conseguiu ter qualquer impacto em mim e consigo encontrar outros filmes ao longo da história do cinema com a mesma temática e que me conseguiram tocar mais.


E vocês? Preparados para a grande noite do cinema?
Já têm as vossas apostas prontas?

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