CINEMA | LION


Este era talvez dos filmes que estava mais curiosa para ver destes nomeados aos Oscars, não por ser o filme mais nomeado, ou aguardado do ano, mas por ser o meu tipo de filme. O filme que conta a história de uma vida, de alguém que superou muita coisa e que lutou até ao fim. Um filme que gostei muito e que acho valer muito a pena ver.
 
Um rapaz indiano de cinco anos perde-se nas ruas de Calcutá. Sobrevive a diversos desafios e acaba por ser adoptado por um casal australiano. Passados 25 anos, tenta descobrir a sua família biológica.


Este é acima de tudo um filme que serve de alerta para aquilo que se passa todos os dias com as crianças na Índia. Todos os dias crianças desaparecem das suas famílias, muitas são roubadas e vendidas numa rede criminosa, outras, como o protagonista deste filme, acabam por ir parar ao sistema de orfanatos e cair nos processos de adopção. A história do nosso protagonista aconteceu mesmo e foi documentada num livro. Ver esta realidade assustou-me um bocadinho, porque para além de ser uma grande história de carácter e de superação é acima de tudo o retrato de uma realidade que existe no nosso mundo. 


Deste filme, e porque acredito que mais do que falar da história há que a ver, gostei de tudo. Desde a interpretação dos vários actores que interpretaram o protagonista, o Saroo, dando para mim o maior destaque para o primeiro actor, que o interpreta quando ele tem cinco anos, até ao Saroo dos dias actuais. Imaginem um menino indiano de 5 anos interpretar de uma forma tão realista, tão forte, as emoções de um menino que passa dias dentro de um comboio sozinho, ou dias a vaguear pelas ruas atafulhadas de gente na cidade de Calcutá. Se já para um actor numa idade adulta é por vezes difícil transmitir sentimentos, imaginem para um criança de 5 anos. Mas quando olhamos para a interpretação de Sunny Pawar, ficamos simplesmente maravilhados. E depois claro temos a grande interpretação do Dev Patel ao interpretar um Saroo adulto, com objectivos e que descobre ter um desejo enorme dentro dele de voltar a reencontrar a sua família na Índia e que utiliza o Google Earth, uma ferramenta tão banal, mas que foi essencial para o encerramento dessa parte da vida dele.


Lion pode parecer à primeira vista um filme bastante cliché, e até nada de novo naquilo que já fomos vendo ao longo dos anos no cinema. Mas é essencialmente a história, aquilo que lhe deu origem que lhe dá corpo e importância. Saroo podia ser facilmente um  menino revoltado e acomodado com a sua vida na Austrália, onde encontrou casa, comida, pais, um amor e um futuro muito mais risonho do que aquele que teria na Índia. Mas a nossa família é a nossa família e a dele estava na Índia e foi lá que ele foi agradecer e mostrar o homem que se tinha tornado. É depois um filme muito bonito em termos de realização, fotografia e banda sonora. As paisagens da Índia, as cores, as filmagens nos grandes centros e nos bairros mais pobres, mostram realmente o que são aquelas cidades e aquilo que aquele povo vive. De referir também que esta é uma co-produção Australiana que contou também com a participação da Nicole Kidman, de uma forma subtil, mas muito marcante.  E é por isso também que este filme vale muito a pena.

 

Foi um filme que gostei, que me arrebatou em muitos sentidos e o qual recomendo muito.
 


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