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CINEMA | FENCES

O trailer deste filme tinha prometido algo em grande. Diálogos fortes e extensos fizeram com que eu ficasse muito curiosa com o filme. E apesar de não ter adorado o filme, o mesmo tem muita qualidade.

A história de uma antiga promessa do basebol que trabalha na recolha do lixo em Pittsburgh, durante os anos 50, e das suas complicadas relações com a esposa, o filho e os amigos.

Este é um filme adaptado de uma peça de teatro. E foi isso mesmo que senti quando estava a ver este filme, que estava a ver uma peça de teatro. Temos diálogos muito extensos, muito fortes sobre aquilo que é uma família muito diferente dos anos 50. Tudo rodeia a sua mulher, os seus filhos, o trabalho e os amigos e essencialmente o seu sonho falhado de ser um jogador de basebol. Na verdade ele só queria o melhor para todos à sua volta, mas a forma como ele o tenta alcançar é que nem sempre é a melhor. 

O filme passa-se em poucos cenários, a casa da família e o trabalho do patriarca e centra-se nos problemas familiares e nos dramas da família. Confesso que ao início não estava a gostar muito do filme por ele ser muito arrastado nos diálogos, por explorar demais o tema do pai de família frustrado, por não ter grande envolvimento dos personagens secundários e por ser por vezes duro e crítico demais. E só na segunda metade do filme consegui me envolver mais com a trama e sentir algo com o filme e aquilo que ele nos queria transmitir. O filme acaba por tentar trazer à tona temas diversos como o papel da mulher na família nos anos 50. A descriminação dos negros, espelhado no nosso protagonista que vive uma vida frustrado por não ter conseguido ser uma estrela de basebol como sempre sonhava. Vemos no filme também um pouco do que era ser uma pessoa com algum tipo de deficiência à época. Mas no fundo o filme não me conseguiu arrebatar.

Para mim, o mesmo ganha em dois aspectos, as interpretações fantásticas da Viola Davis e do Denzel Washinton e a adaptação para cinema de uma peça de teatro. O filme ganha tanto com os actores escolhidos que dão uma interpretação fantástica aos diálogos, tornando-os reais e duros de ver, num filme onde tudo o que se diz e faz, está à vista de todos, porque não se recorrendo a imagens de intervalo, a paisagens ou grandes bandas sonoras, a vulnerabilidade do argumento e dos actores está todo lá. É por isso, para mim, o melhor deste filme. Perdendo apenas para o lado mais arrastado e lento, comparável à peça de teatro em que é inspirado.


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