PIPOCAS, ÓSCARES, ACÇÃO | ANATOMY OF A MURDER

Acredito que este projecto só te feito bem ao meu gosto pela 7ª arte. Este era com certeza daqueles filmes que há uns anos atrás teria descartado de ver na primeira oportunidade. Hoje posso dizer que adorei o filme e que recomendo muito. O ano sorteado para estes últimos meses foi o ano de 1960. Nesse ano estavam a concurso cinco filmes: "Ben Hur", "Anatomy of a Murder", "Room at the Top", "The Diary of Anne Frank" e "The Nun's Story", tendo-se sagrado o grande vencedor da noite o filme "Ben Hur".

No Michigan, Paul Biegler (James Stwart) é um advogado auxiliado por Parnell McCarty (Arthur O'Connell). Após ter recusado inicialmente defender um caso, ele decide aceitar defender Frederick Manion (Ben Gazzara), um tenente do exército acusado de homicídio. O réu alega que a vítima violou Laura Manion (Lee Remick), sua mulher. Paul Biegler vai enfrentar Claude Dancer (George C. Scott), um conceituado promotor que afirma que a alegação do réu é falsa e que Laura, que tem uma reputação de promiscua, estava realmente a ter um caso com a vítima.

Este é daqueles filmes que à partida vocês podem pensar que não é nada de interessante, uma vez que o filme não retrata nada de novo e é bem possível que o achem bem seca. Um filme com quase três horas, a preto e branco e focado apenas na defesa de um caso. Mas enganam-se, como eu estava enganada. O filme retrata um advogado que não está no auge da sua carreira e vê na defesa de um assassino, condenado à partida, uma tentativa de voltar ao auge. O filme vai assim acompanhar todo o processo desde o momento em que o advogado pega no caso, o começa a estudar e investigar até ao julgamento em tribunal e todo o trabalho de defesa. E é isso que é o mais interessante neste filme. Sabem a série "How to Get Away with Murder" e a Annalise Keating? Pronto este filme e a personagem principal são isso tudo, mas naquela época. Toda a parte do julgamento, toda a parte do interrogatório é sem sombra de dúvidas o melhor do filme. Para além claro de todo um elenco de luxo que só abrilhantou esta longa metragem. E James Stuart como Paul Biegler está simplesmente espectacular como um grande advogado que relamente se entrega a uma causa e que a defende até ao último momento, independentemente de o mesmo ser inocente ou culpado.

O filme ao início perde um pouco pela sua lentidão e também pelos seus poucos planos por vezes bem fechados. Mas, à medida que o filme vai avançando e que nós nos começamos a envolver com o caso, o advogado e as cenas em tribunal, vamos começar a vibrar com tudo aquilo que está a acontecer, revoltando-nos com muito do que ali é dito e feito e percebendo que a sociedade ao longo dos tempos mudou muito, mas no que toca a muitas convicções as coisas não são bem assim. É acima de tudo um bom filme de tribunais, onde o caso é esmiuçado até a limite e aquilo que é mais importante é sem sombra de dúvidas o caso e não aquilo que o envolve como as pessoas em si, apesar de o mesmo tocar em pontos sensíveis como o papel da mulher na sociedade e como a mesma ainda era vista à época.


É um filme que eu recomendo muito.
Podem ver a opinião da Catarina aqui.

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