CINEMA | OS GATOS NÃO TÊM VERTIGENS

Apesar de já estarmos em Outubro, hoje venho falar-vos do primeiro filme que vi este ano. Foi precisamente no primeiro dia do ano que apanhei a dar na RTP1 o filme "Os Gatos não têm Vertigens", e mal o vi decidi que o tinha mesmo que ver. Realizado por António -Pedro Vasconcelos e estrelado por Maria do Céu Guerra, João Jesus, Fernanda Serrano, entre outros, este era com certeza um filme que eu já queria ver há muito tempo e que valeu muito a pena. A certeza que se faz muita coisa boa em Portugal.

"Rosa, uma senhora de 73 anos, acaba de ficar viúva. Jó, um rapaz de 18 anos, acaba de ser expulso de casa pelo seu pai no dia do seu aniversário. Por obra do destino Jó vai parar ao terraço do prédio onde Rosa mora e apesar da diferença de idades os dois irão criar um laço muito forte de amizade. Jó encontra em Rosa o amor e carinho que nunca lhe foi dado pela sua própria família. Rosa encontra em Jó o conforto que lhe faltava para conseguir seguir em frente com a sua vida agora que já não tem mais o seu marido para lhe fazer companhia todos os dias. E assim aos poucos, tratando Jó como um gato vai ganhando a sua confiança, lealdade e amor, coisas que Jó nunca soube o que eram na vida."

Confesso que para além de toda a sua história me ter conquistado o facto de a Maria do Céu Guerra estar no filme me fez gostar dele logo à partida. Para mim uma das melhores actrizes do nosso panorama e por isso o filme ainda ganhou mais. Mas não é só por isso. Para mim o filme tem a capacidade de pegar em diversos clichés e temas bem batidos e transformá-los num filme bonito e que nos mantém interessados no desenrolar da história.

Mas o filme é muito mais que isso, a solidão na 3ª idade, o abandono na adolescência, são duas realidades ainda que distantes pelo espaço temporal em que podem ocorrer, mas próximas quando pensamos nos sentimentos que envolvem. A solidão é talvez dos sentimentos mais devastadores que existem, porque é a sensação de completo abandono. A sensação de que já não temos ninguém. E neste filme esse sentimento é muito bem retratado, tanto pela Rosa que de repente se vê sem o seu maior apoio, o seu marido e, que apesar de ter uma filha, um genro e netos, está mais sozinha que nunca. Mas é também o facto de ter sido sempre autónoma que a preocupa num futuro onde se apercebe que já poderá ter pouco para fazer. E por outro lado temos o Jó que se vê abandonado por aqueles que nunca nos deviam abandonar e é aí que ele se vê só e quase sem um futuro, previsivelmente entregue a uma vida delinquente. E é no encontro entre estas duas pessoas, entre estas duas gerações que ambos percebem que ainda têm muito pela frente.

Ambos constroem um filme. E se a sua temática fosse explorar ao máximo a história de ambos o filme ainda teria ficado mais rico e com maior intensidade. Para mim o mesmo perdeu por se alongar demasiado em pormenores sem grande interesse à trama. Não é por isso o melhor filme alguma vez produzido, mas acaba por ser um dos melhores filmes feitos em Portugal nos últimos tempos. Com uma bela fotografia e uma banda sonora bonita, o filme acaba também por mostrar o quão bela a cidade de Lisboa é, e isso é só mais um bónus.

É um filme que recomendo muito, não só por por tudo aquilo que já disse por aqui, mas por tudo aquilo que vocês vão descobrir nele, para além claro de ser cinema Português.



2 comentários :

  1. Eu gostei mt do filme mas o fim deixou mt a desejar

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    1. Sim, há aspectos no filme que poderiam estar muito melhores.

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