CAFÉ VIRTUAL | TEMOS DE SER TODOS ORIGINAIS?

Desde que criei o blog e o canal que uma questão esteve sempre presente neste meu mundo, a originalidade. Procurar o nome mais original, criar o que ainda não tinha sido criado, perceber o que o mercado ainda não tinha, tornar o simples em extraordinário. A originalidade é uma das grandes questões dos novos tempos, porque numa sociedade tão efémera, onde tudo tem a duração de menos de dois segundo, só o melhor, o mais original, o diferente é que irá sobreviver. Mas, e eu pergunto: será que temos mesmo de ser originais? 

Esta semana li um livro que se intitula "Steal Like an Artist" do autor Austin Kleon que foi para mim uma grande confirmação de que podemos não ser todos originais porque pura e simplesmente já tudo ou quase tudo foi inventado e que tudo o que é criado é pura e simplesmente uma inspiração. Neste livro o autor incentiva-nos mesmo a inspirar-mo-nos noutros artistas, a copiarmos o seu estilo para que possamos perceber no fundo qual é o nosso próprio estilo. Quais as áreas e as vertentes que mais gostamos e, um dia sim, termos a nossa marca, a nossa identidade, o nosso estilo. A nossa inspiração e a nossa criatividade vêem daquilo que observamos à nossa volta. Tudo nos pode influenciar a criar o nosso próprio gosto e o nosso próprio estilo. 

Ao longo dos meus três anos de Diário da Chris já me deparei com esta questão quase todos os dias. Fosse num post que acabou por ser parecido com o de fulana de tal, com uma parte do design do meu blog que foi inspirado num outro blog, ou num vídeo que fiz igual a um outro booktuber. A questão da originalidade ou da criatividade é colocada em causa diariamente na internet. Se faço a tag x porque copiei alguém. Se menciono só aqueles livros não sou original. Se tenho o blog de uma determinada cor porque não sou criativa. E eu gostava de perguntar a cada um de vocês se conseguem encontrar uma pessoa que seja criativa e original 365 dias por ano. Quanto mais num mundo onde já tudo foi inventado. As tags, os desafios, as opiniões, os favoritos, todos eles já foram inventados. Agora cabe-nos a nós dar-lhe o nosso ar e torná-las a nossa cara. 

Num lado oposto à originalidade ou falta dela está o plágio e estes são contextos completamente opostos. Eu posso me inspirar num artista e desenvolver a minha arte baseada naquilo que ele já faz numa tentativa de desenvolver a minha própria arte. Outra completamente diferente é o facto de alguém pegar no trabalho de alguém e copiá-lo na integra sem se dar ao trabalho de criar o seu próprio. Escolher o caminho mais fácil nunca é a melhor opção e o plágio não é de certeza o melhor deles porque estamos a roubar literalmente o trabalho que alguém teve.

A originalidade implica conhecer muito bem tudo aquilo que já alguma vez foi feito neste mundo e ter a capacidade de inventar algo completamente novo. E eu acho que nós não temos que ser necessariamente originais. Temos que saber olhar para aquilo que gostamos e sabermos utilizar aquilo que gostamos de uma forma nossa, utilizando o mesmo produto de formas diferentes. E isso sim é para mim ser original. Não acredito que tenhamos que procurar a originalidade a todo o custo, o diferente, mas sim aproveitar aquilo que já foi inventado, e mudá-lo de forma criativa dando-lhe sempre o nosso cunho.

Confesso que para mim ser original ou manter uma criatividade activa é por vezes difícil. Manter um blog e um canal despertam em mim todos os dias o meu lado mais criativo, mas manter isso todos os dias nem sempre é fácil. Num meio onde tudo é criado à velocidade da luz é precisar saber olhar a grande imagem e fazer melhor. Tento sempre fazer algo de diferente, mas nem sempre isso é possível ou acontece. A criatividade não é uma tecla que existe na nossa cabeça e que possamos pressionar sempre que querermos. A criatividade é uma coisa espontânea, que tem que ser trabalhada e estimulada. 

O Café Virtual é um projecto desenvolvido por mim e pela Catarina do blog Sede de Infinito e que vai consistir em posts com debates de temas. Todos os meses iremos trazer posts com a discussão de um tema do ponto de vista de cada uma de nós. Por isso espero que gostem e não se esqueçam de visitar o post da Catarina aqui.



4 comentários

  1. Acho que é impossível sermos todos originais, até porque vai haver sempre alguém que fez algo muito parecido com o que estamos a pensar fazer. O mesmo aplica-se aos livros se reparares hoje em dia muito dificilmente encontras um conceito novo, porque há muitos que partem do mesmo princípio, por exemplo, distopias...

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  2. Olá Chris!

    Concordo contigo :). Li o da Catarina e o teu e revejo-me em ambos os textos.
    Sim, eu também gosto de fazer coisas diferentes. Não precisam de ser coisas totalmente novas (tal como escreveste é muito complicado chegar a esse ponto num mundo onde tudo já foi criado e onde tudo é efémero), mas sim dar-lhes o nosso cunho pessoal. Sabes o que me assusta: a pouca tolerância dos outros e o plágio descarado que vai acontecendo aqui pela blogoesfera.
    Muitas vezes apontam logo o dedo sem tentar perceber de onde surgiu aquilo, acusando-nos de termos retirado a ideia de outro lado; e, outras vezes, levam a ideia, não identificam de onde a retiram e assumem aquilo como se eles próprios a tivessem criado.
    É sempre complicado. O melhor a cada dia fazermos o melhor que pudemos.
    Beijinhos e continuação de um bom trabalho.

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    1. Sim.. hoje em dia a pouca tolerância dos outros é algo que me assusta também.. não só quanto às ideias, mas um pouco por tudo hoje em dia.
      É mesmo..
      beijinhos e obrigada.. :D

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