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PIPOCAS, ÓSCARES, ACÇÃO | O CARTEIRO DE PABLO NERUDA

Em Fevereiro o ano que calhou a sorteio para o projecto Pipocas, Óscares, Acção, foi o ano de 1996. Nesse ano estiveram nomeados na categoria de melhor filme apenas cinco filmes, Apollo 13, Babe, O Carteiro de Pablo Neruda, Sensibilidade e Bom Senso e Braveheart, sendo este último o grande vencedor desse ano. Dos filmes o escolhido para vermos este mês acabou por recair no filme "O Carteiro de Pablo Neruda", entre outras razões por eu querer também ler o livro que lhe deu origem.

"O Carteiro de Pablo Neruda" centra-se na figura do conhecido diplomata e poeta chileno, Pablo Neruda, forçado ao exílio do seu país e acolhido pelo Governo Italiano, e que se fixou na formosa ilha de Capri. Aí chegado o chefe dos correios local designou o pouco letrado Mário seu carteiro particular. Mário ganha lentamente a confiança de Neruda e entre ambos desenvolve-se uma aparente improvável amizade, que permite ao carteiro perceber que as palavras de um homem encerram a verdadeira natureza da sua alma.
Parti para a visualização deste filme já com a história na cabeça porque li o livro que o inspirou antes. Mas este filme não é a primeira adaptação deste história. Em 1983 foi realizada uma versão mais fiél ao livro contando a história de quando Pablo Neruda morou na Ilha Negra no Chile. A versão nomeada aos Oscars difere do livro e da primeira versão ao contar-nos a história já situada numa ilha italiana, aludindo à época em que o poeta teve que pedir asilo político. O filme que hoje vos falo centra-se assim na história de uma pacata ilha italiana que vive à base da actividade piscatória. Mário é um jovem que começa a ficar velho demais para estar desempregado e é quando Pablo Neruda procura asilo político em Itália, mais propriamente na ilha de Mário, que ele encontra uma nova oportunidade de trabalho ao abrir uma vaga como carteiro do poeta. Entre eles vai nascer uma grande amizade e a poesia vai ser o seu maior elo de ligação.

Filme e livro servem assim propósitos diferentes ao abordarem partes diferentes da história e ao posicionarem a história em locais diferentes. O livro centra-se mais no Chile, nas suas batalhas e nos seus problemas, alertando para a pobreza, para a iliteracia e para o poeta Pablo Neruda como um lutador pelo futuro do país. Já o filme aborda o exílio do poeta, as razões para tal, as saudades e o amor que ele tem pelo seu país e pelos seus ideais. Mas livro e filme unem-se numa história, a da amizade entre Mário e Pablo Neruda e aquilo que a poesia acabou por fazer pelos dois.

Eu gostei do filme apesar de não o ter adorado. Para isso acho que contribuiu o facto de eu não me ter ligado muito aos actores e aquilo que eles me estavam a transmitir. Gostei da ligação que poeta e carteiro acabaram por criar através da poesia e aquilo que ela significava para cada um deles. Tal como gostei do factor mar e aquilo que ele significou ao longo da história. O filme acaba por ser utilizado mais como uma critica visual e mais pungente que o livro e daí talvez a mudança de local e da época. 

Não foi um filme que eu tenha adorado e que me tenha marcado, mas acabou por ser uma boa experiência visual ao retratarem muito bem uma época da nossa história. O filme esteve nomeado para cinco categorias dos Oscars, melhor filme, melhor actor principal com Massimo Troisi, melhor realizador, melhor roteiro adaptado e melhor banda sonora, tendo apenas ganho o Oscars por esta última categoria. 

É um filme que recomendo e que retrata não só uma das fases da vida do poeta Pablo Neruda, mas também a bonita amizade que a poesia conseguiu unir.





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