CINEMA | ROOM

O meu contacto com este filme já não é de agora, o livro que lhe deu origem tem algum sucesso no meio do booktube. Já há algum tempo que o queria ler mas nunca chegava esse dia. E quando saiu o filme decidi pegar primeiro no filme, porque confesso a vontade de ler o livro começa a decair. Nomeado para quatro oscars (melhor filme, melhor actriz principal, melhor realizador e melhor argumento adaptado) é um filme duro que retrata uma realidade dura e que merece ser visto.

Jack tem cinco anos e vive com a sua mãe, que sempre o manteve feliz e seguro, alimentando-o, dando-lhe calor e amor, contando-lhe histórias e brincando com ele. Uma vida normal em quase todos os aspectos, menos um: ambos sempre viveram confinados dentro de um quarto, sem qualquer janela para o mundo exterior. Esta é a história desse momento de passagem para um perigoso admirável mundo novo. Enquanto experiência toda a alegria, entusiasmo e medo que esta nova aventura traz, Jack agarra-se ao que lhe é mais importante - a ligação especial com a sua amada mãe.

Quando o filme começa mãe e filho já estão confinados ao quarto que será o mote para este filme. Vítima de um rapto a mãe desta história vê-se confinada a um quarto e obrigada a manter uma relação com o homem que a raptou. Desta relação eles acabam por ter um filho e ambos acabam condenados a viverem dentro daquelas quatro paredes. Não lhes falta nada, mas perderam uma das coisas mais importantes para o ser humano, a liberdade. Mas o foco desta história não está no rapto e nas suas razões, mas sim naquilo que os nossos protagonistas vivem e sentem por viverem em cativeiro. Por um lado temos uma mulher que foi raptada e que vive o dilema de conhecer a liberdade e o mundo cá de fora, por outro o seu filho Jack que já nasceu em cativeiro e que nunca teve contacto com o mundo exterior. Ele apenas pensa que o céu é uma pequena janela que eles têm no tecto do quarto e a televisão que ele pensa ser uma invenção. E à medida que o menino vai crescendo a convivência entre os dois vai-se tornando cada vez mais complicada porque ele apesar de pensar que o seu mundo é aquele quarto começa também a questionar certas coisas. Até ao dia em que ambos conseguem escapar e é aí que o verdadeiro desafio começa.

Sendo um filme com uma história forte mas com os acontecimentos confinados a um espaço apenas resta aos actores dar vida e corpo a esta história. A mãe é uma mulher forte que apesar de tudo o que viveu tornou-se ainda mais forte depois que o filho nasceu e defenderia-o de tudo. Montou para ele um mundo naquele quarto e tornou-se o seu grande pilar. Nela conseguimos ver todos os sentimentos, raiva, tristeza, alegria, loucura, mas com um profundo amor por aquele seu filho. E depois temos para mim a grande revelação nos actores mais jovens, o Jacob Tremblay interpretando o Jack. Cada palavra, cada acção, cada pensamento tido por este actor, dentro do quarto e depois, é tão bom, tão tocante, tão bem interpretado que nos é difícil colocar naquele papel. Ele interpreta uma criança que nasceu e viveu 5 anos naquele quarto, o mundo dele está ali e como será normal é-lhe difícil imaginar possível um mundo para lá daquelas quatro paredes. Era exigido a este actor ser bom, muito bom e ele foi perfeito.

É um filme bom tanto pela história como pelas interpretações, mas eu acabei por sentir falta apenas de duas coisas. Primeiro de saber um bocadinho mais da história do rapto. É uma parte importante para a Joy durante todo o filme, porque ela não só perdeu parte da juventude como também da sua sexualidade e gostava que o tivessem explorado um bocadinho mais. E depois gostava que esse aprofundamento a acompanhasse até ao fim do filme, porque percebemos que é uma coisa que a afecta mas não o vemos senão através do olhar do filho. Mas como sei que é um filme baseado num livro narrado do ponto de vista do Jack é normal que essa parte não apareça, apesar de que para mim essa teria sido uma parte fundamental à história.

É um filme muito bom e que acredito valerá o oscar de melhor actriz principal a Brie Larson pelo seu brilhante papel.





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