CINEMA | THE NORMAL HEART

Descobri este filme meio que por acaso através de um vídeo de recomendações de filmes no youtube. Na altura fui ver o trailer e achei a premissa interessante. Então parti para o filme e devo dizer-vos que o filme tocou-me muito, pôs-me a pensar, tanto que ele acabou por fazer parte da minha lista de filmes favoritos de 2015.

1981. Uma doença misteriosa alastra-se pelos Estados Unidos, com um alto grau de mortalidade: cerca de 50% dos infectados acabam por morrer. Como a maioria dos infectados é homossexual, ela é apelidada como a doença dos gays e, por preconceito, não recebe a devida atenção do governo norte-americano. Decidido a fazer com que as pessoas tomem conhecimento da epidemia, o escritor Ned Weeks (Mark Ruffalo) decide tudo fazer para que todos saibam aquilo que está a acontecer. Entretanto, a raiva contida nas suas declarações assusta até os seus amigos na organização não-governamental que criaram para prestar auxílio aos infectados. Ao seu lado, Ned conta apenas com o apoio da médica Emma Brokner (Julia Roberts), que também está alarmada com a gravidade da situação.

Parti para este filme apenas com aquilo que tinha visto no trailer. Ele já de si é poderoso, mas nada que se compare com o filme. Estamos numa altura em que a "comunidade gay" se começa a assumir. As festas e retiros estão cada vez mais na moda e o sexo desprotegido também. É aí que uma doença desconhecida, rápida e dolorosa começa a propagar-se. Ninguém sabia nada sobre a doença. O nome, a forma de transmissão, sintomas, efeitos, nada, apenas que era mortal. Ned, o nosso grande protagonista começa a assistir de perto à doença e decidido, com o seu espírito fervoroso, que não pode ficar sentado a ver aquilo tudo, decide com a ajuda dos amigos e de uma médica interessada no assunto, criar uma organização de apoio às vítimas, mas também uma associação para tentar chegar aos maiores cargos políticos e tentar de alguma forma arranjar ajuda. E é neste tempo que ele vai descobrir o grande amor da sua vida, Felix Turner (Matt Bomer), um amor há muito tempo esperado.

Este é um filme sobretudo sobre a grande crise que foi o aparecimento do vírus HIV. Como apareceu, como se manifestou, com evoluiu. Tudo é retratado neste filme de uma forma tão real que quando vemos o filme nos conseguimos envolver. Enquanto via o filme também eu senti a angustia de querer mudar ou tentar mudar toda aquela situação mas não conseguir. Viver naquela altura e presenciar tudo aquilo não deve ter sido nada fácil, muito menos para quem tentava a todo o custo fazer-se ouvir mas parecia que ninguém o queria fazer. Para que esta credibilidade conseguisse passar para este lado do ecrã contribuiu muito a capacidade dos actores em nos fazer acreditar e querer lutar também. Mas também o facto de o filme ser baseado em factos reais o que nos coloca ainda mais a pensar nesta realidade.

Mas este é também um filme sobre o amor, porque o amor existe entre duas pessoas, independentemente de quem e por isso nunca é demais afirmar que amor é amor. E se na altura ser homossexual era complicado, hoje em dia ainda não o é assim tão fácil quanto se pensa. Mas este filme retrata o amor entre duas pessoas que já procuravam o amor há algum tempo e que apesar de terem vivido o amor mais lindo acabaram por o viver numa das piores fases. E acreditem este é um dos mais lindos romances que já vi num filme, apesar de todas as circunstâncias. 

Há uma frase dita por este casal que marca muito o filme: "Os homens não amam naturalmente. Eles aprendem a não amar." E isso define bem a complexidade de sentimentos quando alguém percebe que é homossexual, porque a sociedade "dita" que uma relação deve ser entre homem e mulher e isso é-nos ensinado desde cedo. Mas o amor é o amor e quando acontece não interessa onde é e com quem é.

É um filme muito bom de vários pontos desde a história, ao casting, aos temas abordados, e claro a todo o tralhado dos actores que esteve espectacular ao encarnar as várias perspectivas da sociedade, não só a nível da interpretação como até a nível físico e de caracterização. É um filme que recomendo muito, acreditando também que é um filme que muitos não vão gostar por todo o lado mais gráfico ou mais real. Mas a sociedade também tem que aprender a colocar os preconceitos de lado e a aceitar que todos fazemos parte da mesma sociedade.



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