CINEMA | BROOKLYN

Este ano quando fiz a minha lista de filmes para ver dos Oscars decidi que não ia ver por ordem de nomeações mas sim por ordem de preferência. E este filme, não sei bem porquê, acabou por me chamar mais. A actriz principal e toda a aura e tema do filme acredito que foram os factores essênciais. Nomeado para três categorias dos Oscars (melhor filme, melhor actriz principal e melhor argumento adaptado) é um filme lindo que recomendo.

Nos anos 50, Elis Lacey é uma emigrante irlandesa a viver em Brooklyn, Nova Iorque, nos Estados Unidos. A tristeza das saudades de casa rapidamente cedem perante a emergência de um novo amor. Mas, com o passar do tempo, o que deixou para trás volta a ressurgir e ela terá que escolher entre os dois países e as possibilidades de vida que cada um deles lhes oferece.
Elis, uma irlandesa dos anos 50, cansada da vida que vive na sua terra natal, decide emigrar para Nova Iorque e lá trabalhar e viver. Aí longe da mãe e da irmã as saudades começam a apertar e o que outrora foi uma decisão corajosa começa a ser ameaçada pela fraqueza das saudades. Só que a América e a Irlanda estão separadas por um oceano e ela terá que aprender a viver com as saudades e com a distância. Para isso vai ajudar muito o aparecimento de um amor com o Tony, um filho de emigrantes italianos. Tudo corria bem até que um acontecimento familiar a vai fazer regressar à Irlanda e questionar se as razões que a fizeram sair de lá seriam verdadeiramente razões para a fazer abandonar a sua terra natal e se aquilo que agora a faz viver em Brooklyn é verdadeiramente importante para a fazer regressar,

Este é um filme que aborda dois temas intemporais, à época e hoje em dia também. A emigração não é uma opção fácil, principalmente quando tomamos essa decisão sozinhos e temos de partir para outra cidade ou país. Por mais que tenhamos alguém conhecido lá, trabalho e casa, a vida nunca será realmente como a vida na nossa terra e junto da nossa família. Mas nada nos impede de criar a nossa própria vida e a nossa própria casa no país ou cidade que nos acolheu. E aqui chegamos ao segundo tema que este filme aborda. Depois de alguém emigrar qual é realmente a sua casa? A de origem onde vive a família, os amigos, as raízes, mas que nunca nos satisfez, ou a de chegada que nos oferece tudo e que nos mostra uma outra forma de viver. São com estes dilemas que o protagonista deste filme se confronta de uma forma bem real e que até nos leva a nos questionarmos, porque a realidade da emigração já bateu à porta de muitas pessoas.

No entanto e apesar de ter gostado do filme no geral o mesmo para mim não foi arrebatador o suficiente para me fazer adorar o filme. Mas, se a história em si não é arrebatadora o suficiente, a produção, o guarda-roupa, a fotografia, a banda-sonora e o casting superaram e muito as expectativas. É um filme lento, tranquilo, focado quase que exclusivamente na personagem principal o que permite ao espectador envolver-se de uma forma mais pessoal com ela e com a história dela. Vamo-nos envolver com a história, com os personagens, com os dilemas e vamos sair do filme com um sorriso no rosto, mas não com o sentimento de termos visto o melhor filme já alguma vez feito.

Este é mais um filme baseado num livro e mais uma vez não posso afirmar o quanto livro e filme se aproximam pois não li o livro, mas acredito que estando nomeado para a categoria de melhor argumento adaptado não estejam de todo muito diferentes. E tendo em conta todos os nomeados acho que é mais um filme que poderá não levar para casa alguma estatueta, pois nestas categorias há concorrentes com mais possibilidades.

É um filme que prima pela subtileza ao invés do impacto, mas é um filme muito bonito e que se foca num tema muito importante e talvez intemporal, o da emigração. E é por isso um filme que recomendo.



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