CINEMA | BRIDGE OF SPIES

Parti para a visualização deste filme sem saber muito sobre ele. Sabia que falava da Guerra Fria, que envolvia espiões, mas pouco mais. Mas foi um filme que me agradou muito e que recomendo muito. Nomeado para seis Oscars (melhor filme, melhor actor secundário com Mark Rylance, melhor argumento original, melhor banda sonora original, melhor mistura de som e melhor direcção artística) é talvez dos filme que tenho menos esperanças que ganhe algum Oscar.

A história de James Donavan, um advogado americano encurralado no centro da Guerra Fria, quando a CIA o envia numa missão quase impossivel de negociar, a libertação de um piloto americano U-2, que se encontra detido na União Soviética.

Estamos em plena Guerra Fria onde ambos os lados da guerra faziam recurso de espiões para irem conseguindo obter alguma informação. Pessoas que se conseguiam infiltrar no país inimigo e que conseguiam das mais inimagináveis formas fazer passar as suas mensagens. Até ao dia em que um espião da União Soviética é apanhado nos Estados Unidos. Aí ele é preso e levado a julgamento e para o defender é escolhido James Donavan, um advogado de seguros, que se vê a braços com dois dilemas, o facto de estar a lidar com um espião e com o inimigo e com o facto de o seu lado humano levar a tratá-lo como um igual. Com o passar do tempo o Governo acaba por pedir a James que os ajude nas negociações da libertação de um espião americano em troca do espião que ele tinha defendido. Tarefa complicada porque a mesma teria que ser feita em plena Alemanha em guerra.

Como não conheço todos os contornos da Guerra Fria acabei por gostar muito do filme e daquilo que ele nos oferece. Gostei dos dois pontos de vista dos espiões, das suas idades, das suas formas de actuação o que nos demonstra as duas estratégias em jogo. Gostei do advogado interpretado pelo Tom Hanks, humano, inteligente e com um sentido de lealdade para com o seu país também ele muito grande, mas nunca colocando o lado humano de trás. E gostei também muito dos detalhes do filme, da escolha do guarda-roupa, das cidades, dos contrastes da Berlim Oriental. Gostei que nenhum detalhe fosse deixado de fora de modo a dar ao espectador, aquele que conhece a história como o que não conhece, uma verdadeira história. Claro que também aproveitaram este filme para apontar alguns dedos à União Soviética, como a prisão ou o julgamento do piloto americano, dando a ideia de que daquele lado foram todos muito duros, enquanto do lado americano o lado humano venceu.

É no entanto um filme que acaba por deixar várias pontas soltas na história, como o passado correcto do espião russo, a história do estudante americano preso na Berlim Oriental ou o ajudante do grande advogado da história. Compensado apenas com a brilhante actuação de Tom Hanks nas negociações das trocas de espiões.

É um filme que apesar de não ser impactante cumpre muito bem o seu propósito de recontar mais uma vez um episódio da nossa história e acaba por o fazer de uma forma boa. É por isso um filme que recomendo.






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