CINEMA | WHIPLASH

Há filmes que nos marcam de maneiras diferentes, porque abordam temas que mexem connosco e nos fazem pensar. Whiplash fez isso comigo. Só sabia que o filme retratava um músico e um maestro autoritário e o filme acabou por me tocar mais do que aquilo que estava à espera.

Sob a direcção do impiedoso professor Terence Fletcher, Andrew Neiman, um jovem e talentoso baterista, procura a perfeição a qualquer custo, mesmo que isso signifique perder a sua humildade.
Desde pequena que vivo com a música à minha volta. Na terra onde vivo existe uma Banda Filarmónica onde quase toda a gente já passou. O meu irmão entrou primeiro eu fui depois. Nos entretantos acabei também por participar num coro que percorria o país a cantar. Acabei assim por aprender a tocar e a usar três instrumentos musicais, a voz, o saxofone alto e a guitarra clássica. Desde pequena que a música faz parte de mim. Gosto de a ouvir, de a tocar e de a interpretar. Sei o que são horas e horas passadas a estudar o solfejo, a aprender as notas e as suas mais variadas formas, tempos e contratempos. Sei o que são horas dedicadas ao aperfeiçoamento da técnica de instrumento, de aprender a afinar, a tocar no tempo e a tentar ser melhor todos os dias. Por isso quando descobri este filme fiquei logo com a curiosidade a palpitar. 

Este filme conta a história do Andrew um jovem baterista que sonha em ser profissional um dia. Ingressa num Conservatório onde lecciona um maestro bastante exigente. O sonho de qualquer aluno daquele conservatório é cair nas boas graças desse maestro, porque ele não é pêra fácil e se tiver que dizer a vossa mais pequena falha ele irá fazê-lo e da pior forma possível. Andrew um dia acaba por despertar a atenção do maestro e consegue entrar na Big Band que o o maestro dirige. A partir daqui temos um aluno em busca da perfeição a todo o custo e um maestro ávido de mostrar tudo aquilo de que é capaz para fazer com que as pessoas cheguem a uma perfeição quase que inexistente.

É um filme duro. Vemos a procura insana de um jovem pela perfeição enquanto músico. A sua falha social, o seu isolamento, a sua loucura ensaio após ensaio. E, por outro lado um maestro que fará tudo para mostrar o seu ponto de vista nem que para isso tenha que levar os seus músicos à exaustão. Na minha vida enquanto interprete musical já conheci muitos músicos e já convivi com diversas espécies deles, desde os mais desleixados mas que têm talento que nunca mais acaba, aos que precisam de estudar mais para chegar ao topo, até àqueles que por mais talento e empenho que tenham nunca o mesmo vai ser suficiente. Também já conheci e tive o privilégio de trabalhar com diversos maestros e todos eles têm um método de chegar ao músico. Maestros como o que aparece no filme não é de todo uma realidade inexistente, pessoas ávidas da perfeição, dispostas até a humilhar. Na minha banda também já existiu um maestro assim, não chegava aos extremos do maestro do filme mas a tentativa dele de perfeição levava-o a ter atitudes parecidas. Se por um lado é bom porque faz com que nos esforcemos para atingir novos patamares por outro pode levar a que cheguemos a extremos inimagináveis como nos demonstra o filme.

Gostei muito deste filme e se isolarmos a prestação de músico e maestro o filme é simplesmente brilhante. Teve apenas uma pequena parte que eu gostava de ver mais desenvolvida. O mundo de um músico de banda ou orquestra não é um mundo isolado e quando estamos a tocar em grupo ou a frequentar uma escola de música o conjunto é muito importante e para mim este filme só falhou na falta de interacção de músicos quer nos ensaios da big band quer fora deles.

É um filme que recomendo para os amantes da música e para aqueles que não tenham muito a noção de como as coisas são, acho que vão gostar de ver como algumas coisas se passam neste nosso mundo tão particular. Para não falar nas maravilhosas interpretações dos actores que fazem com que este filme se eleve a um outro nível. Só não recebeu as 5 estrelas pela minha parte porque apesar de muito bom para mim faltou-lhe ali qualquer coisa.



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2 comentários :

  1. Deixaste-me tão curiosa! É muito difícil um filme agradar-me verdadeiramente, fica sempre aquém das minhas expectativas, ou sou só mesmo eu que não tenho gosto cinematográfico nenhum (só a adaptação de "O Grande Gatsby" de 2013 é que me conseguiu arrebatar verdadeiramente, pelo trabalho magnífico de todo o elenco a transmitir a essência das personagens, pela banda sonora, pelos efeitos...). Mas este cativou-me verdadeiramente, nunca ouvi falar dele. Tenho de ver se o vejo nos próximos tempos.
    Beijinhos!

    *Mistery

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    1. Recomendo muito este.. Eu gostei muito principalmente da interpretação dos actores..
      Beijinhos*

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