CINEMA | THE IMITATION GAME

Quando os nomeados aos Oscars foram apresentados este era um dos que mais me chamaram à atenção. Não sabia grande coisa da história, mas só o facto de ser um filme sobre a Segunda Guerra Mundial despertou-me logo a atenção. E acho que fiz muito bem em não saber logo à partida grande informação sobre o filme, porque pude aproveitar mais em todos os sentidos o mesmo.

O criptoanalista, matemático e filosófico Alan Mathison Turing (1912 - 1954) é hoje considerado um dos percursores da computação moderna. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele e a sua equipa deram uma ajuda fundamental aos Aliados na descodificação do Código Enigma, que os Nazis utilizavam para comunicar secretamente os planos de ataque. Já durante o pós-guerra, Turing projectou um dos primeiros computadores programáveis no laboratório nacional de física do Reino Unido. Entre muitas outras coisas, os seus estudos serviram ainda para abrir portas a uma das questões mais pertinentes da tecnologia da actualidade: a possibilidade teórica da inteligência artificial. Apesar de todo o reconhecimento, a sua carreira terminou abruptamente em 1952, depois de ter sido processado por atentado ao pudor, acusação que culminou numa condenação por homossexualidade, à época ilegal no Reino Unido.
Como vos disse no início tinha partido para a visualização deste filme sem saber grande coisa sobre ele e, foi com grande surpresa que descobri todo um outro lado da Segunda Guerra Mundial que ainda não conhecia. Neste filme estamos assim na Segunda Grande Guerra e é descoberta a máquina Enigma, uma máquina que os Alemães usavam para comunicar entre si através de um código secreto. Era através dessa máquina que eles combinavam toda a estratégia de guerra e todos os locais para onde a mesma se ia deslocando. É então que em Inglaterra é montada uma equipa propositada para descodificar a Enigma. Dentro dessa equipa está então o Alan Turing, um génio da matemática, com uma personalidade muito vincada de intelectual capaz de sobrepor aquilo que ele sabia a tudo e a todos. Ele vai então criar uma espécie de computador que através da imitação vai conseguir decifrar as mensagens enviadas pela Enigma. Mas para isso ele terá que ceder à sua personalidade e dar o braço a torcer aos colegas da sua equipa para juntos poderem ajudar a vencer a guerra.

Este é um filme muito intenso. Estamos a falar de uma altura da guerra em que era vital descobrir-se todos os passos da Alemanha e todo esse peso estava em cima de uma equipa de pessoas, mas acima de tudo do génio Alan Turing. Génio esse que vê neste filme uma forma de recompensa e de homenagem por se ter imposto a tudo e a todos para conseguir criar a máquina que descodificou a Enigma e que viria a ser o início daquilo a que chamamos hoje computador. Como não conhecia a história do Turing não posso falar se esta parte da história está fiel ou não, mas pelo que já pude ler há factos que não estão bem caracterizados e outros que faltam, mas acho que com este filme já dá para termos uma ideia do génio que Turing foi e do grande contributo que deu ao Mundo, contribuindo para salvar muitas pessoas.

Neste filme é também retratada a condenação de Turing por ser homossexual, uma das melhores partes do filme a meu ver. Não sendo um facto muito explorado no filme, quando o é, é feito de uma forma muito intensa, principalmente na parte final do filme, onde a condenação a que foi sujeito e toda a vergonha social da época o levam à loucura. 

O filme conta com interpretações muito boas, tendo maior destaque Benedict Cumberbatch como um incrível Alan Turing. Para além de um roteiro muito inteligente que culmina com uma boa sessão de cinema. É uma boa abordagem à vida de Alan Turing e apesar de não ser a melhor é uma boa forma de tornarmos conhecimento deste génio e de tudo aquilo que ele fez pela humanidade.



Image Map

2 comentários

  1. Por acaso o meu primeiro post foi precisamente uma review sobre o "Imitation Game". Quando vi o filme também não sabia nada da história sem ser o facto de se passar na Segunda Guerra Mundial. Não pensei que fosse gostar tanto do filme como gostei. Alan Turing era um homem fascinante e tanto o Cumberbatch como a Keira Knightley foram magníficos nos seus papéis.

    Ricardo, The Ghostly Walker.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também quando o comecei a ver não pensei que fosse gostar tanto.. é realmente uma história impressionante..

      Eliminar