CINEMA | LITTLE WOMEN

23/02/2020

Antes de ver o filme li o livro "Little Women" da autora Louisa May Alcott. Já era um livro que queria ler e por isso com o lançamento deste filme juntei o útil ao agradável. Adorei o livro e mal pude parti para a visualização do filme. Estava com as expectativas em alta e posso-vos dizer que gostei muito e recomendo muito.
"Greta Gerwig (Lady Bird) apresenta uma versão de "Mulherzinhas" baseada não só no romance de Louisa May Alcott, mas também nas notas deixadas pela autora. A história do crescimento de quatro irmãs nos anos que se seguiram à Guerra Civil dos EUA, desdobra-se no alter ego da autora, Jo March, à medida que esta leva a sua vida real para a  ficção. Retratando Jo, Meg, Amy e Beth March, estão as atrizes Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, e Eliza Scanlen, com Timothée Chalamet no papel do vizinho Laurie, Laura Dern como Marmee e Meryl Streep como tia March."
Antes de ler o livro agora este ano e de ver esta adaptação cinematográfica não tinha tido contacto com a história apesar das suas inúmeras adaptações. E por isso, com tanta publicidade a este filme, acabei por imaginar algumas das personagens à imagem dos actores escolhidos. Não é uma coisa que adore fazer, mas foi inevitável. Esta história conta-nos a história de quatro irmãs durante a Guerra Civil Norte Americana e numa altura em que o patriarca da família se encontra na guerra a combater. O início da história acontece por altura do Natal e a partir daí a história revela-nos as peripécias e o crescimento destas quatro irmãs, passando por momentos de auto-descoberta e de amor ao próximo. Tal como de descoberta das relações entre si, irmãs distintas, donas de caracteres próprios e vincados que vão marcar a diferença entre elas e as pessoas com quem se vão relacionar.

Eu gostei bastante desta adaptação. Confesso que ao início estranhei um pouco a edição do filme, porque achava que o mesmo seria apenas sobre o primeiro livro, e o mesmo acaba por misturar o livro "Little Women" e a continuação o "The Good Wifes", o que me baralhou, afinal ainda não li o segundo livro, mas que rapidamente acabei por entender a história e perceber a lógica da realizadora ao colocar os vários momentos temporais para explicar a evolução de cada personagem. Gostei muito neste filme das várias interpretações, mas principalmente da Saoirse Ronan e da Florence Pugh, que já no livro são as figuras quase principais da história, e aqui no filme também o são e são acima de tudo pela sua capacidade de interpretação. A Jo deixo já confessado ser a minha personagem favorita, por me conseguir identificar um pouco com o seu lado exaustivo e com o sua lado de imposição por vezes. Consegui me relacionar com ela quer no livro quer depois no filme. Neste filme gostei também muito do guarda-roupa que achei muito bonito e bem adequado ao filme, à época e às personagens que fazem parte da trama. Gostei também muito da banda sonora e claro dos cenários incríveis do filme. 

Talvez aquilo que menos tenha gostado do filme, e que senti ser o maior desvio ao livro foi o recurso em demasia ao feminismo. À época talvez este tema ainda não existisse como tema. Senti que o filme se apoiou demasiado nele e que tentou fazer delas todas bandeiras do feminismo, quer fosse através da Jo que quer ser escritora mas que para isso tem de escrever um livro onde a a protagonista se case, quer seja pela Amy que se um dia se casar não poderá ser pintora sem que o seu salário vá para o seu marido, ou a Meg que acaba por casar sem poder seguir os ses sonhos. Senti por isso que o tema foi talvez demasiado abordado. E talvez outro aspecto que não gostei muito, como já referi, é a edição do filme. É a sua parte mais fraquinha, aquela que fez com que eu não entendesse certas cenas, e a que fez muitas delas ficarem no vácuo sem qualquer ponta de ligação.

Foi um filme que eu gostei muito, deixou-me com uma enorme vontade de ler o segundo livro, e deixou-me com o coração quentinho porque gostei muito do filme, e apesar das partes que menos gostei é com certeza um filme que me mareou e que me vai marcar nos próximos tempo. Uma recomendação.

CINEMA | I LOST MY BODY

22/02/2020

Este ano a categoria de melhor filme de animação não foi muito fantástica, pelo menos a ver pelos nomeados. Mas vai daí que eu decidi ver este filme que me faltava e tive uma agradável surpresa.
"Este é um filme que conta a história de uma mão amputada que percorre as ruas de Paris à procura do seu dono e de Naoufel, um jovem solitário, que se apaixona. Divide-se essencialmente em três narrativas que vão decorrendo em paralelo: a infância do jovem, que, em preto e branco, reflecte o relacionamento deste com os seus pais que morreram; a vida adulta, em cores, mostrando como é lidar com as sensações de amor e de solidão; e a mão, que procura o rapaz em uma longa jornada cheia de desafios."
Este é um filme que é narrado basicamente em duas grandes partes. A da mão que percorre as ruas de Paris. E a narrativa de Naoufel o nosso protagonista, um rapaz que sempre foi muito curioso com a vida, mas que após a perda dos seus pais acaba por ficar amargurado, e viver uma vida quase sem sentido. Até que um dia, numa tentativa de entrega de uma pizza conhece a rapariga por quem se vai apaixonar. E voltar a descobrir que tem vida dentro dele.

Não sei bem o que me fez gostar tanto do filme. Ao princípio toda a parte da mão me estava a deixar bem inquieta, e sem perceber bem a história, afinal não sabia nada dela. Mas à medida que o filme foi avançando eu fui-me começando a afeiçoar à história do Naoufel e à sua personalidade. O filme tem todo ele um tom melancólico, triste, de tentativa de criar impacto no espectador nem sempre pelos motivos mais felizes. Mas não é isso que nos faz sempre relacionar com os outros? A vida de Naoufel vira-se de cabeça para baixo quando perde os seus pais, e a vida deixa de fazer sentido. É quando encontra uma rapariga que tem uma personalidade forte e que se mete com ele que ele percebe que ainda há vida. Que ainda tem sentimentos, vontade de viver. Vontade de fazer da vida algo maior. 

Gostei muito da animação do filme, da banda sonora, e curiosamente e ao contrário do início do filme, as partes com a mão a solo são divertidas, curiosas e muito bem executadas. É sem sombra de dúvidas um filme que me surpreendeu e que só posso recomendar.

CINEMA | FOR SAMA

21/02/2020

Quando vi a lista dos nomeados aos Oscars na categoria de melhor documentário soube mais ou menos logo qual seria o vencedor. Mesmo assim decidi ver este documentário e até dedicar-lhe uma opinião solo porque me tocou muito e quero que tenha mais visibilidade.

"Carta de amor de uma jovem mãe para a sua filha, o filme conta a história de Waad al-Kateab durante os cinco anos da revolta em Aleppo, na Síria, enquanto se apaixona, casa e dá à luz Sama, sempre com o conflito cataclísmico em seu redor. A sua camera captura histórias incríveis de perda, humor e sobrevivência, enquanto Waad luta com uma escolha impossível - fugir ou não da cidade para proteger a vida da filha, quando sair significa abandonar a luta pela liberdade pela qual já sacrificou tanto."

Waad al-Kateab é uma cidadã da Síria que decidiu ficar lá quando a guerra eclodiu. O início da guerra nem eu percebi bem, mas sei que começou com umas pequenas manifestações e que ela decidiu ficar para presenciar e lutar pelo seu país. Não imaginava que a guerra fosse tornar-se o que se tornou. Ela torna-se voluntária num hospital e é quando se apaixona pelo médico, e até se casa sob fortes bombardeamentos. Mas aí guerra dá uma paragem, eles compram casa, e engravidam da Sama. É aí que tudo muda de figura, tanto porque a guerra eclode outra vez, tanto porque eles agora têm um propósito maior na vida. 

Não sabendo nada da guerra ou dos seus propósitos, quando vi do que se tratava este documentário fiquei muito curiosa. Basicamente a realizadora do filme mostra-nos o seu dia-a-dia, a forma como eles vão socorrendo as vítimas dos bombardeamentos, a forma como lidam com a morte, com o desespero, com os bombardeamentos, com a falta de comida, de medicamentos, de hospitais até. Impressionou-me a força que as bombas têm, a naturalidade com que todos vivem com os constantes bombardeamentos, casas destruídas, pessoas mortas pelas ruas, coisas que não são normais e que nunca deveriam ser testemunhadas por crianças. O filme retrata a forma como Aleppo está completamente destruída e como ninguém está a fazer nada por aquelas pessoas. 

O casal e a filha acabaram por ter de sair do país obrigados pelos Russos, e encontraram em Inglaterra asilo, sorte de ela ser jornalista. Sorte melhor do que tantos outros que se vêm obrigados a pagar muito dinheiro sem saber se vão conseguir chegar a algum país destino, ou se algum país os vai querer. São realidades muito duras, que me custaram muito a ver e acho que é um documentário que mais pessoas deveriam assistir. Estava outro documentário nomeado aos Oscars com uma temática parecida o "The Cave" que acabei por não ver por se focar mais no trabalho dos médicos em hospitais em caves de edificíos, o mesmo também se passa na Síria, mas aborda o tema do feminismo e da problemática dos médicos e dos bombardeamentos a hospitais.

Em suma, acho que é preciso ver este tipo de histórias, que não nos são contadas nos telejornais, e que é importante que estejamos alertas.

CINEMA | FORD VS FERRARI

20/02/2020

Quando a publicidade a este filme surgiu fiquei curiosa para o ver. Não percebo nada de carros, mas percebi logo que este era um filme com um tema importante para época e para a industria automóvel, e claro, das marcas envolvidas. Desconfiei logo que estaria nos Oscars e por isso cá está a minha opinião.
"EUA, década de 1960. Com a Ferrari a ganhar protagonismo do ramo automobilístico pelo "glamour" dos seus veículos e pelas excelentes prestações em corridas, a Ford percebe que tem de recriar a imagem da marca e mostrar a força dos seus automóveis. Para isso, Henry Ford II contrata o designer Carroll Shelby para criar uma equipa que esteja disposta a entrar em competição. É assim que surge o engenheiro e piloto Ken Miles que, apesar de um estilo próprio e pouco consensual, estará ao volante do GT40, a nova criação da Ford. O trabalho conjunto daquela equipa vai transformar a edição de 1966 da clássica corrida das 24 Horas de Le Mans – realizada anualmente no Circuit de la Sarthe (França)  –, num momento inesquecível para a modalidade e para todos os que ali se encontram."
Basicamente este filme conta-nos a história de uma corrida pela supremacia de uma marca de carros. A Ford estaria com problemas na empresa e necessitaria de uma viragem no tempo e a produção de um carro de corrida que fizesse frente às demais marcas, vulgo Ferrari, era muito importante. É aí que a produção de um carro de corrida tem inicio e a vitória na corrida Le Mans é então almejada pela Ford. 

Não estava à espera de ter gostado tanto do filme. Afinal não percebo nada de carros, corridas, regras e essas coisas. Mas a história humana por detrás deste filme foi sem sombra de dúvidas o que me conquistou. Desde o dono da empresa que só quer honrar o nome do pai e quer sucesso, ao mecânico que quer construir o carro mais veloz mas que está a passar por dificuldades económicas. Senti sempre que a história que nos estava a ser contada não era tudo aquilo que possivelmente aconteceu na realidade, e muito o filme ainda nos contou sobre as empresas visadas e a sua ética. Mas também senti sempre que essa temática acabou por ser um pouco colocada de lado quando o sonho de dois homens se sobrepõe às políticas económicas. E eu gostei muito das interpretações dos actores principais Matt Damon e Christian Bale, foram para mim a alma do filme.

Mas gostei também muito da realização e edição do filme. Senti sempre estar no meio da corrida, senti sempre o que eles estavam a sentir, a adrenalina de conduzir aquele carro. Acho que a produção técnica deste filme está espectacular e é sem sombra de dúvidas a melhor parte do filme. 

Um filme inspiracional, com uma boa dose de adrenalina e que vale a pena ver.



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