ISOLAMENTO

27/03/2020

No dia em que este post for ao ar estou há precisamente 14 dias em isolamento social. Decidi ir escrevendo o que para mim isto me tem feito sentir. Às vezes falar, escrever liberta monstros. Nestes dias saí umas três vezes de casa, para o chamado básico, como compras e uma ida ao trabalho, e sim já começo a trepar paredes. Não costumo ser pessoa de me preocupar muito com as coisas, mas desde o início que tenho convivido com o medo de o vírus andar muito perto da minha família. E isso tem-me assustado. Tem-me deixado ansiosa e nervosa. Estar longe é uma porcaria quando o que mais queremos é estar perto dos nossos, sermos úteis, porque sentir-me inútil é a pior sensação do mundo. Custa-me um pouco que um pouco por todo o mundo ainda existam pessoas que estão a desvalorizar tudo isto, que saem em viagens de férias, que vão passear para aglomerados de pessoas, e que não conseguem respeitar os profissionais de saúde que todos os dias arriscam a sua vida por nós, ou todos os trabalhadores deste país que todos os dias têm que sair para ir trabalhar para que a economia e os serviços deste país não parem. Quero muito que tudo isto passe, o mais rapidamente possível. Quero poder-me sentir novamente livre. Quero a minha rotina parva de volta. Quero as conversas cara a cara com os amigos. Quero aquele abraço apertado da minha mãe. Quero que tudo volte a ser normal. Mas para que isso aconteça todos temos que colaborar, todos temos que nos sacrificar e acho que num mundo cheio de facilidades está a ser difícil a muitos de nós fazer essas pequenas cedências. Sofro todos os dias por não estar perto dos meus e principalmente da minha avó. Mas a minha fé é de que tudo vai passar e ficar bem.


CINEMA | JUST MERCY

26/03/2020

Sou uma apaixonada por filmes sobre histórias reais e se forem sobre a humanidade das pessoas ainda mais. Quando vi este filme a circular não lhe dei grande atenção, mas depois as opiniões sobre ele foram cada vez mais positivas que eu fiquei muito curiosa para o ver, e o mesmo não me desiludiu.

"Quando conclui a licenciatura em Harvard, Bryan Stevenson recebe várias propostas de emprego. No entanto, decide ir para o Alabama defender quem foi condenado por crimes que nunca cometeu, ou nunca teve representação adequada. Um dos seus primeiros casos é o de Walter McMillian, condenado à morte em 1987 pelo assassinato de uma jovem de 18 anos, apesar das provas apontarem para a sua inocência. Nos anos seguintes, Bryan envolve-se num labirinto de racismo e manobras legais e políticas, enquanto luta por Walter e por outros na mesma situação."

Bryan é um jovem advogado, acabado de se licenciar que quando visita pela primeira vez um prisioneiro no corredor da morte fica muito sensibilizado porque o mesmo tem a sua idade. Isto toca-o muito e ele decide no início da sua carreira começar a defender estes presos, condenados à morte, pro bono, porque acredita que muitos deles nunca tiveram acesso a uma defesa condigna e a um julgamento justo. Ele muda-se para o Alabama, sul dos EUA, um estado muito racista e ainda muito fechado nos seus ideais de supremacia branca. Lá ele vai encontrar vários presos no corredor da morte injustamente e acaba por começar a ajudá-los. A sua luta nem sempre vai ser vitoriosa, vai ter muitos percalços pelo caminho. Vai sentir na pele o que é ser negro no sul da América. Mas a sua perseverança não vai ficar por aí e de repente ele começa a dar esperança às pessoas e a começar a mostrar que nem sempre a justiça é cega.

Eu gostei muito deste filme. Como disse histórias reais e humanas tocam-me  muito. E como jurista a justiça para mim é primordial. Não concordo em viver num mundo onde os polícias e o estado apenas investigam para encontrarem um qualquer culpado só porque o mesmo é negro ou pobre. Não consigo viver num mundo onde as famílias se contentam com um trabalho medíocre das autoridades. E admiro muito pessoas como Bryan Stevenson, que todos os dias lutam para que os que estão no corredor da morte tenham direito a uma justiça clara, a um julgamento justo, e a penas eficazes. Temos visto nos últimos tempos um crescendo de documentários sobre crimes dos EUA onde a injustiça das prisões e das investigações e até dos julgamentos são o mote principal, e pessoas como o Bryan estão aqui para nos mostrar que podemos fazer o contrário.

O filme é simples mas duro ao mesmo tempo. Sem querer ser sensacionalista não deixa de mostrar a supremacia e a teimosia das autoridades brancas, e até a perseguição a que ele foi sujeito nos primeiros anos da sua carreira. Michael B. Jordan é um actor que me tem surpreendido pela sua versatilidade e pela empatia que consegue criar tanto em papéis mais comerciais como nestes papéis mais emotivos. Senti sempre a dor de um jovem advogado em busca de justiça. Jamie Foxx é outro dos protagonistas e apesar da sua sólida prestação para mim não foi o que mais me arrebatou, porque por outro lado fiquei muito mais tocada com a prestação de Rob Morgan outro condenado à morte. Senti sempre a sua dor e o seu conflito interno por estar ali naquele corredor da morte, com a sua data designada, o seu passado difícil e as suas escolhas nem sempre perfeitas. É desses conflitos internos que a justiça deve ser feita, porque as pessoas não são lineares.

Quando estava a preparar este post deparei-me com uma TED Talk do Bryan Stevenson que me tocou muito e que compartilho com vocês, porque acho que vale a pena ser ouvida.


E vocês? Já viram este filme?

LISBOA | EXPOSIÇÃO DO HARRY POTTER

25/03/2020

Como fã de Harry Potter assim que soube que a exposição iria chegar a Portugal eu quis ir visitá-la. A exposição chegou cá a 16 de Novembro de 2019 e previa-se que por cá ficasse até ao dia 08 de Abril. Mas no momento em que vos escrevo estamos a atravessar a pandemia do Covid-19 e a exposição está temporariamente suspensa, ainda sem previsão de reabertura e sem sabermos também se a mesma vai cá ficar mais alguns dias. 

Esta exposição tenta recriar a exposição que existe na Inglaterra, onde existem os estúdios que podem ser visitados, e sendo menor é também a exposição que percorre o mundo tentando levar a mais fãs aquilo que podemos encontrar então na exposição mãe onde tem um pouco de tudo. O bilhete de entrada para a exposição varia conforme vocês visitem a exposição durante a semana ou ao fim de semana, e também há diferentes preços por idade. Tal como os horários que variam conforme seja semana ou fim de semana. Para mais informações sobre a exposição basta acederem ao site aqui.

Mas bem, o que eu tenho a dizer enquanto fã da série e bastante entusiasta para visitar a exposição. Como devem perceber eu fui bastante entusiasmada para visitar a exposição e confesso que apesar de ter gostado muito não adorei. A exposição em si é bastante agradável, dá realmente para ter um pouquinho do sentimento do que terá sido gravar com aqueles cenários, com aquele guarda-roupa e com aqueles acessórios. A exposição em si também está bem organizada e é bem apelativa para os fãs. Mas depois tem todo o lado da organização do evento que eu não adorei. Quando entramos a primeira experiência que temos é com o chapéu seleccionador, aleatoriamente chamam alguém para ser seleccionado. A experiência é engraçada, mas é só isso. Basicamente só as duas crianças escolhidas têm acesso ao chapéu e nem quando pedi uma simples fotografia ao chapéu, que duraria dois segundos, a rapariga não me queria deixar. Qual é a lógica de eu pagar €20 para entrar numa exposição se depois nem posso desfrutar da mesma na sua plenitude? Outro momento que eu não gostei assim tanto foi o contacto com o comboio que estava numa sala completamente escura e quando eu fiquei para trás para tentar tirar uma foto novamente fui arrastada para ir na multidão. E por último, o aspecto que eu não posso controlar mas que também não contribuiu para eu ter a experiência na plenitude, é o facto de ao mesmo tempo entrarem tantas pessoas na exposição. Como fãs acabamos por demorar a olhar para cada detalhe, cada frasco de poção, cada varinha, eternidades, cada um quer fotografar e filmar e isso quanto mais pessoas estiverem pior. Mas como disse, isso é uma coisa que nem eu nem a exposição podemos controlar.

De resto acho que é uma exposição que vale muito a pena. E um dia com certeza vou querer visitar a exposição de Inglaterra. Agora deixo-vos com várias fotografias da exposição.

Outra mínima crítica à exposição é a iluminação e a colocação de determinados personagens, que como a exposição é tendencialmente mais escura acaba por dificultar o desfrutar de toda a experiência.

 E agora deixo-vos com o vlog que fiz desse dia.


E vocês? Já visitaram a exposição do Harry Potter?

CINEMA | LAST CHRISTMAS, LATE NIGHT, ABOMINABLE

24/03/2020

Estar em casa em isolamento social é certo que vai ser uma festa para os amantes de cinema. Aproveitei o fim-de-semana em casa, como há muito não tinha, para me refastelar e ver imensos filmes. Hoje falo-vos de três dos que vi.

Last Christmas
"Kate (Emilia Clarke) percorre Londres acompanhada por uma série de más decisões e pelo tilintar dos sinos nos seus sapatos, outra consequência irritante do trabalho como elfo numa loja de Natal aberta o ano todo. Tom (Henry Golding) parece bom demais para ser verdade quando entra na sua vida e consegue ver através das muitas barreiras que Kate utiliza. Enquanto Londres se transforma, na época mais maravilhosa do ano nada parece funcionar para os dois. Mas, às vezes, é preciso deixar a neve cair, ouvir o coração... e ter fé."

Confesso que na altura em que este filme saiu eu fiquei com alguma curiosidade, mas nada de muito especial. Afinal eu não sou a maior fã da Emilia Clarke. Deixei passar a estreia que foi por alturas do Natal, e ontem entre um filme e outro mais pesado decidi ver algo mais leve e escolhi este. É o típico filme de natal, aquela comédia romântica que todos nós ficamos derretidos só a ver. Mas este filme acabou por me conquistar mais do que estava à espera. A história é simples, mas as interpretações fizeram com que o filme se elevasse um pouco mais. A Emilia Clarke que eu não gostava tanto esteve à altura do filme e pela primeira vez não a vi sorrir o tempo todo. Conseguiu ser séria e divertida, sentimental e durona. Conseguiu transparecer todos os sentimentos que a personagem estava a passar sem para mim passar aquela imagem de perfeição enjoativa que a vejo sempre fazer. O filme conta ainda com outra mais valia no seu elenco a Emma Thompson, uma actriz que eu gosto imenso e que neste filme tem um papel bem pequenino mas muito tradicional, muito importante na representação dos emigrantes, mas muito afectuoso. Um filme que é leve e divertido. Recomendado aos corações mais moles e óptimo para uma tarde de cinema. 


Late Night
"Um famoso programa de televisão nos Estados Unidos tem como apresentadora Katherine Newbury (Emma Thompson), uma pessoa com um temperamento forte que não costuma tratar bem os seus funcionários. Quando é acusada de não contribuir à luta feminina por trabalhar apenas com roteiristas homens, ela contrata Molly (Mindy Kaling), com quem não tem um bom relacionamento a princípio. No entanto, quando o programa sofre com uma queda nas audiências, o pensamento inovador de Molly pode ser indispensável para salvar a carreira de Katherine."

Já tinha este filme para há algum tempo porque como disse gosto muito da Emma Thompson. E confesso que apesar de ter gostado do filme o mesmo não superou as minhas expectativas. A premissa do filme é bastante atractiva. Uma apresentadora de um talk show não é assim tão comum no mundo, principalmente nos EUA, e foi essa ideia que me levou a ver o filme. E não é que a execução do filme seja muito má, a questão da perda de audiências é um tema interessante, a perda de criatividade e o olhar para a concorrência são assuntos do dia. Mas de repente o filme também se torna aquele filme de final da tarde onde há uma rapariga cheia de ambições que sonha em alcançar a sua carreira de sonho e eu comecei a não estar tão envolvida no filme do que se ele tivesse ido mais pelo lado do programa. Claro que estando nós na era que estamos o filme apela também ele para um lado feminista e multicultural que eu confesso estou um pouco cansada já de ver em filmes, porque me soam sempre a falso. Para mim bastava a luta da apresentadora pelo seu lugar e a da sua roteirista também. Um filme que tinha tudo para ser algo mais impactante mas que acaba por se perder um pouco nos clichés de Hollywood.


Abominable
"A adolescente, Yi depara-se com um jovem yeti no telhado do prédio onde mora, em Xangai. Com os seus amigos Jin (Tenzing Norgay Trainor) e Peng (Albert Tsai), dão-lhe o nome de Everest e embarcam numa fantástica missão para reunir a criatura mágica com a família no ponto mais alto do mundo. No entanto, o grupo de amigos terá de ficar um passo à frente de Burnish (Eddie Izzard), um homem rico que tenciona capturar o yeti, e da zoóloga Dra. Zara (Sarah Paulson), para ajudarem Everest no regresso a casa."

Aquilo que me fez pegar neste filme foi o facto de o mesmo ser produzido pelos mesmos estúdios de uma das minhas séries de animação favoritas "Como Treinares o teu Dragão". Não sabia nada do filme, a não ser que a animação e as cores do filme são simplesmente bonitas. E no fundo tal como a maioria dos filmes de animação esta é uma história de amizade, crescimento, auto-conhecimento. É engraçado como quando somos crianças e mesmo nos filmes de animação nós nunca temos medo do desconhecido, do incerto, quando temos que ir vamos, quando conhecemos algo desconhecido vamos sem medo. E apesar de neste filme a nossa protagonista ter passado por algo duro na sua infância, quando é chamada a ajudar alguém mais indefeso que ela, ela vai. A beleza destas pequenas coisas é aquilo que acho que nunca deve desaparecer dos filmes de animação. Trazem sempre mensagens tão bonitas tanto para miúdos, como para graúdos. É no fundo um filme muito bonito, cheio de aventura, com uma animação maravilhosa e uma banda sonora fantástica. Um filme que recomendo.

E vocês? Já viram algum destes filmes?


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