FILMES PARA A PRIMAVERA

30/04/2020

Para finalizar o projecto #nossodiarioemquarentena trago-vos uma lista de sugestões de filmes para verem na Primavera. Não costumo associar temas a estações principalmente em filmes, mas escolhi alguns que acho que funcionam muito bem nesta época de início do bom tempo.

Um filme sobre descoberta não só de um novo país mas também de descoberta emocional. Gosto muito deste filme porque nos cria uma identidade visual muito interessante. O mesmo tem lugar nos anos 50 e por isso podem imaginar o quão bonito é em termos de guarda-roupa e caracterização e ainda de fotografia. O tema principal é a emigração, mas o amor também pauta grande parte do filme. Pode, saber mais da minha opinião aqui.

Baseado num livro com o mesmo título este filme causava-me muita curiosidade. Conta-nos a história de um faroleiro e da sua mulher que vivem num farol afastado da comunidade. Sem conseguir ter filhos um dia dá à costa do farol um barco com um bebé a bordo. Acabam por ficar com a criança sem nunca dizerem nada a ninguém, até ao dia em que tudo se torna uma confusão. Um filme muito bonito visualmente, com uma fotografia fantástica e com interpretações muito boas. Acho que vale muito a pena ser visto.

Baseado no clássico da literatura com o mesmo nome do autor Jack London, o filme conta-nos a história de um cão de estimação que um dia é levado para o Alaska para servir de cão de transporte. É um filme de aventura, de amor e de auto descoberta, não só dos protagonistas humanos, mas também do protagonista animal. Gostei bastante do filme e acho que é uma óptima opção para esta primavera.


Este vai ser sempre um dos meus filmes favoritos de animação. É lindo em tudo, desde a história até à sua animação que é linda de morrer. É um filme sobre poderes místicos, sobre irmãos, sobre amor, sobre crescimento. Um filme que vale mais ser visto do que ser comentado. Podem ver toda a minha opinião do mesmo aqui.

Outro filme de auto conhecimento sobre uma rapariga que mora no interior da América mas que sonha em sair do seu buraquinho e conhecer o mundo. É um filme marcante porque é muito relacionável e porque acaba por sair um pouco da norma dos filmes de crescimento dos adolescentes. É um filme que vale muito a pena ver e que podem ver toda a minha opinião dele aqui.

Por último recomendo-vos um filme do meu relaizador favorito e que é óptimo para se ver nesta época. Uma ilha, onde habitam pessoas peculiares, e onde um jovem órfão decide fugir de casa com uma rapariga. As suas aventuras e desventuras de conhecimento, amor e paixão vão levar a ilha a uma busca por eles. Um filme muito bonito visualmente, quer em cenários, quer em guarda-roupa e claro com um texto fantástico. Recomendo muito, e podem ver a minha opinião aqui.

E vocês? Que filmes me recomendam para esta Primavera?

BOOK | "APARTAMENTO PARTILHA-SE" DE BETH O'LEARY

28/04/2020

Sabem aquele livro que se vende pela sua capa? Este é um desses livros para mim. Gosto de livros contemporâneos, leves e divertidos, mas este para além de apelar pela sua história conquistou-me pela sua capa. 

A história de forma simples leva-nos a conhecer a Tiffy que saída de uma relação tóxica procura um quarto em Londres para poder ter a sua independência de volta. O facto curioso é que ela encontra um anúncio bem peculiar, mas bem ao jeito da sua carteira. Ela apenas teria de partilhar não só a casa mas também a cama com o Leon, um enfermeiro por turnos. Ela utilizaria o apartamento de noite e ele de dia. Nunca se poderiam cruzar e tudo correriam bem. Só que o amor tem destas coisas e a vida levou-os a conhecerem-se de uma forma diferente e que os levou a apaixonar-se.

Confesso que estava muito curiosa com este livro não só por que só ouvia falar maravilhas do mesmo, mas porque a capa portuguesa é linda e só me chamava a atenção. Este isolamento social estava a precisar de uma leitura mais leve e divertida e decidi pegar nele. E foi assim uma decisão acertada. Não consegui parar de ler, e só queria saber como é que esta história toda iria terminar. É um livro leve e divertido, mas é também um livro cheio de reviravoltas e temas muito pertinentes. A começar logo na relação abusiva que a Tiffy tem ao início do livro. É um tema actual e é abordado no livro de uma forma bem real e bem pertinente para quem lê. É um livro com inúmeras personagens secundárias muito importantes. Já não lia um livro há muito tempo onde as personagens secundárias tivessem um papel tão importante. Desde o senhor que vive na casa onde o Leon trabalha que tem uma história tão emocionante. Até ao irmão do Leon que vive um momento dramático, ou até os melhores amigos da Tiffy que são muito imporantes na história. É realmente um livro que apesar de ser um chic-lit consegue ser mais do que isso, e acho que é por isso que tantas pessoas o lêm e gostam. 

Só tive um pequeno problema com o livro. Quando o comecei a ler estranhei a forma como o mesmo estava escrito. A sua estrutura e o início das frases não é exactamente como estamos habituados a escrever e a falar. Ao início pensei que tivesse sido da tradução, mas depois fui ver o texto original e percebi que o original é assim, a editora é que optou pela tradução literal. Não é que não faça sentido é apenas diferente do que estou habituada e ao início fazia-me um pouco de confusão. Acredito que por vezes as editoras não devam fazer traduções literais, mas é a opção da editora. 

Foi realmente um livro surpreendente para mim e é realmente um livro que vos recomendo.

ORGANIZAÇÃO

27/04/2020


Hoje no #nossodiarioemquarentena tenho de vos falar de organização. Como vêm o post está a sair fora de horas, porque não me consegui organizar. Nunca fui muito organizada. Adoro escrever tudo, fazer listas, manter um alinhamento em papel ou na minha cabeça. Mas nunca consegui ser fiel a um tipo de organização. Já tive agendas, físicas e electrónicas. Já tive aplicações. Já criei planners, calendários e mais um par de botas. Mas nunca me consegui manter restrita a um. Talvez porque não sou uma pessoa de hábitos diários, ou melhor, para mim um hábito tem de ser tornar um hábito de uma forma natural. Preciso de o fazer de uma forma instintiva e não gosto que um hábito seja forçado. Há mais ou menos um ou dois anos, descobri o bullet journal. É um método de organização criado por Ryder Carrol, que quando descobriu problemas de aprendizagem procurou encontrar um método que lhe permitisse organizar a sua vida. O método do Bullet Journal que ele criou é um método simples que utiliza um caderno simples onde a ideia é planearmos as nossas tarefas à medida das nossas necessidades e não recorrendo a ideias de agendas pré-idealizadas. Mas claro a Internet pegou nesta ideia e criou todo um novo mundo à volta desta ideia tão simples. Se pesquisarem um pouco em aplicações como o instagram, o pinterest ou até no youtube irão encontrar inúmeras pessoas a criarem autênticas obras de arte à volta deste simples método de organização. O que eu mais gostei neste método é a liberdade que nos dá de não escrevermos todos os dias, não planearmos todas as semanas e não nos sentirmos obrigados a usar o bujo (alcunha do método) como nos sentiríamos se tivéssemos comprado uma agenda cara. O método só nos diz, peguem num caderno, numa caneta e escrevam. 

Já por muitas vezes pensei em gravar um vídeo a mostrar-vos como eu cheguei ao meu actual bujo. Sim, porque quando descobri este método ainda demorei algum tempo até encontrar o meu método, a forma como eu queria levar o caderno, o que eu queria que ele fosse. Comecei e parei de o usar inúmeras vezes. E este ano tem sido o ano em que o mais tenho usado. Agora em isolamento nem tanto, mas até este mês de Abril consegui manter um layout que gosto, uma consistência que me agrada. Coincidência da vida este mês é também aquele que encerra este caderno e o que já tinha comprado está na minha outra casa. Mas pronto. Tudo isto para vos mostrar o meu método de organização, que um dia ainda vos irei mostrar em vídeo, mas que por enquanto o guardo só para mim. 

E vocês? Que métodos de organização utilizam?

DOCUMENTÁRIO | TELL ME WHO I AM

25/04/2020

Já andava de olho neste documentário há algum tempo e o ter que preparar uma opinião de um documentário para o #nossodiarioemquarentena fez-me claro ver este filme e trazer-vos a minha opinião.

"Neste documentário, Alex confia no seu irmão gémeo, Marcus, para lhe contar sobre o seu passado depois de ele perder a memória. Mas Marcus esconde um segredo familiar sombrio."

Sabia que este documentário era sobre dois irmãos gémeos e uma mentira. Não sabia mais nada. E de repente sou levada um documentário emocional que me mudou completamente. Alex e Marcus são gémeos e aparentemente para o início da história vivem uma vida normal. Só que a história não começa bem. Alex aos 19 anos tem um acidente de mota e perde a memória. Quando acorda do acidente apenas reconhece o seu irmão. E à medida que os dias avançam o seu irmão acaba por lhe contar a sua história, desde a sua infância. Só que o que parecia uma história bonita e ideal,de repente acaba por se tornar uma história chocante e inexplicável. 

Neste post não vos posso falar muito da história porque estaria a revelar demais. Têm que ver pelos vossos próprios olhos a dimensão desta história e testemunhar o quão o ser humano pode ser tão nau e bondoso. Têm de ver o quão importantes são os laços que unem os irmãos e quão espantosa é a ligação dos irmãos gémeos. E testemunhar também o poder da memória e aquilo que o nosso cérebro faz tão bem quando quer apagar memórias, mas deixar outras vivas. É extraordinário que a única pessoa de quem ele se lembra quando acorda do acidente é o seu irmão. A única. Não se lembrava dos pais, da casa, da namorada, dos amigos. Apenas do irmão. 

Mais do que a história também o documentário é muito pertinente ao mostrar-nos como a memória é importante. Quando ele acorda ele é um rapaz novo, mas já com uma vida feita. E de repente ele tem de voltar a uma realidade que ele não reconhece. A uma casa que ele não se lembra. A uma namorada que ele não tem sentimento. Ou ao grupo de amigos que repente ele não se encaixa. O quão importante para nós é a construção das nossas memórias. E quão difícil é recomeçar do zero, num local e com as pessoas que nos deviam ser tão familires e que não são.

Gostei muito deste documentário, não só porque é um balde de água fria quando toda a história é revelada, mas também pela impressionante mensagem que o mesmo transmite sobre a memória. Não vos posso falar muito mais deste filme porque estaria a revelar muitos spoilers, mas acima de tudo recomendo muito que o vejam.



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