TV SHOW | WARRIOR NUN

25/09/2020

Quando soube que iria existir uma série Netflix protagonizada por uma portuguesa eu fiquei muito feliz e por isso quis muito ver a série. E claro foi o que fiz. Hoje partilho com vocês o que achei da mesma.

Ava (Alba Baptista) é uma jovem de 19 anos orfã e tetraplégica que um dia acorda numa morgue com uma nova hipótese de vida. O problema é que esta nova vida veio com um custo grande e um halo nas suas costas. Ela agora é uma Warrior Nun e pertence a uma antiga ordem que tem como missão combater os demónios na terra.

Confesso que quando ouvi falar desta série e vi esta sinopse eu fiquei muito entusiasmada, mas rapidamente percebi que o meu entusiasmo acabaria por se perder logo no primeiro episódio da série. Ela tem uma premissa muito interessante, com freiras radicais que lutam para que os demónios não habitem a terra, tendo como líder uma guerreira antiga que carrega um halo nas costas o que lhe dá super poderes. Logo quando vemos uma rapariga a acordar na morgue com esse halo eu achava que a série seria cheia de ritmo e acção. Mas isso não aconteceu. Ava tem muitas dúvidas mas como esteve muitos anos presa a uma cama tem também muita vontade de viver aquilo que nunca viveu e por isso quando conhece um grupo de jovens a sua vontade é de ir com eles curtir a vida. E de repente temos uma organização a ficar sem tempo para recuperar o halo, e uma rapariga que só quer curtir a vida. E pelo meio temos uma organização científica que quer estudar os efeitos dos ornamentos encantados desta organização. A série de repente acaba por ficar lenta e por vezes sem grande sentido. Porque nem sempre acompanhei a vida louca da Ava, nem sempre sabemos o que se passa no mosteiro das freiras e nem sempre percebemos as intenções da organização científica. E isso começou-me a cansar na grande primeira parte da série. 

Mais para o final da série ela começa a ganhar algum ritmo quando Ava decide juntar-se às freiras e começar a perceber o que tem de fazer para as ajudar, mas até esse momento a série confesso demorou para eu entrar no seu ritmo. O que não tem grande sentido uma vez que esta série bem aproveitada dava uma óptima série de história conjugada com muito boas cenas de luta e acção. Que foi aquilo que para mim faltou mais, cenas com acção e movimento que deixassem o espectador preso ao ecrã. Espero que com a renovação para uma segunda temporada isso seja algo que seja mudado.

A série acaba a ganhar na sua fotografia e escolha de locais de filmagem. Como é uma série bem religiosa a escolha de Espanha para mim foi muito acertada. As suas igrejas são fantásticas e as suas cores dão à série um ar bem religioso. Gostei também da sua parte histórica e bem interligada ao Vaticano. Aliás, essas foram das minhas partes favoritas da série. Acho que no fundo foi uma primeira temporada ainda muito calma e morna, talvez à espera da opinião do público que me surpreendeu ao ser tão positiva. Por isso estou curiosa com essa segunda temporada e se ao menos os produtores irão ouvir os espectadores e corrigir algumas falhas de ritmo da série. 

E vocês? Já viram a série?

29 QUASE 30

24/09/2020

Hoje faço 29 anos. Estou quase nos 30. Confesso que nos últimos tempos nem sempre tenho sabido lidar com esta informação muito bem. Na minha cabeça a esta hora eu já estaria no meu emprego de sonho, casada e com filhos. Mas está tudo bem. Também aprendi nos últimos tempos que a vida segue a ritmos diferentes para todos nós. Que percorremos percursos muito nossos que servem para nos ensinar muitas coisas, mas só a nós. A vida é para cada um muito personalizável apesar de nós querermos sempre ser igual a A, B ou C. Não fiz ainda um terço do que quero fazer na vida, mas aos poucos vou conquistando tudo aquilo que sonhei e ainda sonho fazer. Com a minha idade já me imaginava a ter feito tantas outras coisas mas a vida decidiu que antes de eu fazer todas essas coisas eu deveria aproveitar outras tantas, aprender com os melhores e dar-me a oportunidade de estar mais com os meus. Quando era mais nova tinha sempre a ânsia de ser mais velha, de ter um trabalho e de ser independente. E hoje dou muitas vezes por mim saudosista dos momentos em que era jovem e sem responsabilidades e a querer ser pequenina outra vez. A querer viver uma série de coisas que na altura acho que não aproveitei a 100%. Mas também porque apesar já estar quase nos 30 eu não me sinto com essa idade. Olho agora para a minha vida e tenho outros objectivos que antes não tinha. Penso agora que nunca é tarde para nada e que ainda há tanta coisa para viver. Hoje faço 29 anos, ainda não estou no meu emprego de sonho, ainda não apareceu o amor da minha vida e ainda não tenho filhos, mas está tudo bem. Um dia tudo vai acontecer porque querer apressar a vida é querer viver mais do que aquilo que ela nos dá e isso não tem piada nenhuma. E agora vamos lá aproveitar o último ano na casa dos vinte.

PRÉMIOS SOPHIA 2020

22/09/2020

Os prémios Sophia é a cerimónia que visa premiar o que de melhor se faz em Portugal em termos de cinema e televisão. São atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema e acontecem desde 2013. Confesso que não costumo acompanhar com muita atenção porque o cinema em Portugal ainda é uma raridade nos cinemas e na televisão nacional. Mesmo estes prémios pouca ou quase nenhuma visibilidade têm tido nos últimos anos e por isso torna-se difícil acompanhar. Mas como a qualidade do cinema por cá tem vindo a melhorar a olhos vistos eu quero estar a par do que de melhor por cá se faz e que por cá se premeia. Hoje decidi falar de alguns dos vencedores da premiação deste ano, de alguns que já vi e que recomendo e de alguns que ainda não vi, mas que já ouvi falar muito bem.

"A Herdade" e "Variações" foram os únicos filmes portugueses que vi o ano passado e foram dos melhores filmes que vi a serem produzidos em Portugal nos últimos tempos. Histórias com importância e contadas de forma a prender o espectador. Gostei bastante de ambos os filmes e fiquei também feliz por serem os grandes vencedores da noite. Recomendo muito os filmes e podem ver a minha opinião dos filmes aqui

Mas nesta premiação foram também galardoados filmes que me despertam muita curiosidade e que ainda não tive oportunidade de assistir. "Tristeza e Alegria na vida das Girafas" foi um dos filmes que estreou o ano passado e que me deixou sempre curiosa para o ver. Pareceu-me sempre um filme mais indie, meio fora da caixa, que conta a história de uma menina de 10 anos que acompanhada por um urso com tendências suicidas percorre Lisboa em busca do primeiro ministro para a ajudar a fazer um trabalho da escola. Pareceu-me um filme que aborda muito a questão da crise financeira e social e a forma como uma criança olha para ela. 

"Diamantino" foi um filme que com o qual, confesso, fui um pouco preconceituosa ao início. A história gira em torno do maior jogador de futebol do mundo que um dia perde o seu talento e abandona a sua carreira. A partir daí ele embarca numa viagem em busca do seu talento. Como tem a temática do futebol e tem a tendência para o mito do melhor do mundo eu acabei por o deixar sempre de lado das minhas escolhas para o assistir, mas a crítica ao filme, pelo menos do que tenho ouvido, é sempre muito positiva e por isso fui ficando cada vez mais curiosa com o filme. 

"O Grande Circo Místico" é um co-produção do Brasil, França e Portugal e vence nesta premiação o prémio de Melhor Direcção Artística, e este é um filme sobre circo. Mais propriamente as cinco gerações que já passaram pelo Grande Circo Místico. Pareceu-me sempre um filme com uma imagem muito bonita e que nos remete sempre para a magia do circo. Um dia tenho mesmo de o ver. 

"Até que o Porno nos separe" ganhou nesta premiação por melhor documentário. Um que eu quero muito ver desde que ele foi anunciado. Já deu na RTP2, mas na altura não o consegui ver e descobri agora que se encontra no catálogo da RTP play, por isso é desta que o vou mesmo ver. Conta o drama de uma mãe ao descobrir que o seu filho é actor de filmes porno e como isso vai afectar a relação de ambos. Não deve ser uma realidade fácil e a coragem desta mãe em dar a cara pelo documentário pareceu-me sempre de uma coragem enorme. Por isso estou curiosa para ver como abordaram todas estas questões ao longo do documentário.

Já "Sul" ganha o prémio por melhor série ou telefime e esta é uma série produzida para a RTP1 e gira em torno de alguns casos de homicídio ocorridos na altura da crise económica e social. Com um elenco de luxo confesso que esta série me tinha passado um bocadinho ao lado, mas a mesma entrou recentemente no catálogo da HBO Portugal e isso fez com que a minha curiosidade sobre ela aumentasse. E agora claro com este prémio também.

E vocês? Acompanharam estes prémios? Que filme ou série portuguesa mais estão curiosos para ver ou que me recomendam?
   



CINEMA | MULAN

21/09/2020

O filme de animação Mulan é um dos meus filmes favoritos da Disney. E por isso eu estava muito curiosa para ver esta nova adaptação live action. Depois de meses à espera porque uma pandemia decidiu meter-se no caminho da estreia deste filme, finalmente a Disney decidiu lançar no seu novo serviço de streaming e nós pudemos vê-lo. E adorei, e hoje partilho com vocês toda a minha opinião.

A história da Mulan já é por todos conhecida. Na China na época da dinastia Wei do Norte o país é invadido pelos Hunos, uma força negra e implacável que obriga o imperador a criar um novo exército e a recrutar um homem por cada família da China. A família de Mulan é apenas constituída pelo pai e pela mãe e pela sua irmã, e é quando os guardas reais chegam à sua aldeia com esta notícia que o seu pai já muito debilitado se voluntaria uma vez que é o único homem da família. Só que a Mulan não se conforma e acaba durante a noite por pegar na armadura do pai e juntar-se ela ao exército disfarçada de homem. Mas Mulan é uma grande guerreira e por isso vai surpreender todos ao ajudar a derrotar a força dos Hunos. 

Como grande fã do filme de animação confesso que estava muito entusiasmada com este filme mas também muito preocupada e com medo de não gostar. Mas não foi nada disso que aconteceu, eu adorei o filme. O mesmo está bastante fiel ao original de animação, tirando umas coisinhas das quais já irei falar mais à frente. O filme retrata uma China ainda muito tradicional, e gostei bastante de ver no início do filme uma Mulan muito trapalhona mas já bem ciente dos poderes que tem. Gostei também muito de ver a parte em que elas visitam a casamenteira e toda essa preparação que para a Mulan é tão stressante mas ao mesmo tempo muito importante para o seu processo de auto-descoberta. Aqui foi o primeiro momento em que senti falta de o filme ser um musical. A música "Reflections" é uma das mais bonitas e importantes da história e cantada no momento inicial do filme é também ela importante. A música é de tal forma importante que é também neste live action sempre a banda sonora quando passam imagens da Mulan quer em momentos mais tristes quer em momentos mais impactantes e de mais força. A dúvida de quem é esta Mulan é sempre aquilo que rege este filme, será a mulher delicada e de família que todos esperam ou a mulher guerreira que é capaz de superar todos os obstáculos no campo de batalha.

O filme live action pareceu-me sempre muito mais sóbrio do que a sua versão animada. Talvez por se passar na China e abordar toda essa época dos imperadores quiseram dar ao filme um tom mais sóbrio e duro, que eu gostei bastante. Acho que não se afasta totalmente da sua versão original ao mesmo tempo que sim e que se torna algo mais sério, mais adulto, mais relacionável com qualquer pessoa e não só com o público alvo das crianças. Posso dizer que a única coisa que não gostei de todo no filme, apesar de perceber a sua simbologia do feminino, foi a "bruxa" que aparece a ajudar os Hunos que serve para ajudar no fundo a Mulan a perceber o seu valor e que apesar de mulher ela também poderia ser parte do exército. Mas acabei sempre por a sentir deslocada e sem direcção neste filme, talvez por não ter qualquer relação com o original. Ao filme acabou por me fazer falta talvez só o Mushu o dragão que acompanha a Mulan e que é o enviado dos deuses para a acompanharem. Os deuses são mencionados pelo pai da Mulan, mas aqui quem a acompanha e protege é uma fénix, símbolo da renovação. Também não foi perfeito para mim, mas entendo o seu significado. O filme tem uma fotografia e uma banda sonora fantásticos que foi uma das coisas que mais me arrebatou no filme. Gostei de todas as recreações, desde a aldeia até ao campo de batalha, até ao grupinho meio estranho que acaba por se tornar amigo da Mulan.

A lição de moral do filme acaba por recair no valor moral de família. É isso que Mulan acaba a buscar no filme, a aprovação da família apesar do que fez que na altura seria a sua desonra. Confesso que gostei muito desta parte e acabei mesmo o filme a verter uma pequena lágrima. Mas mais uma vez senti falta da figuram da avó que está presente no filme de animação e que aqui acho que também teria feito sentido.

Mas há críticas às quais o filme não se consegue escapar. Quando o filme foi anunciado o maior problema que lhe apontavam era quanto ao romance. Muito se tem dito sobre o filme de animação e como o mesmo aborda mesmo sem o querer, digo eu, a homossexualidade, uma vez que o Shang se apaixona pela Mulan quando ela ainda se apresenta como um homem. Neste filme gostei que tivessem mantido o interesse amoroso ao longo de todo o filme, mesmo que o tivessem relegado para o tema menos importante da trama. Manteve-se um bocadinho fiel ao original, mas não lhe deu tanta importância. Outras críticas que tenho lido nos últimos dias ao filme prendem-se com questões políticas da produção e da localização onde ocorreram as filmagens do mesmo. Ocorreram em Xinjiang, um local que pertencia a uma minoria muçulmana Ugur e que recentemente após conflitos foi convertida, e também porque parte do elenco deu o seu apoio positivamente o governo nestas politicas. Foram factos que me entristeceram e que apesar de não me fazer desgostar do filme me faz sentir triste por sentir que a produção do filme poderia ter feito a diferença e não o fez.

 É um filme que vale a pena ver e que recomendo muito, não só para quem já é fã da versão animada como também para quem nunca viu e quer ver uma versão mais adulta e sóbria da história. 

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